O futuro problemático da logística no Brasil

08/04/2012

O setor logístico vem sofrendo uma série de mudanças que impactam diretamente nos custos e desempenho do setor. Se nenhuma atitude for tomada, a área vai se tornar economicamente desinteressante e o Brasil menos competitivo, caminhando para um ponto de estrangulamento.

Desde janeiro de 2012, todos os fabricantes de caminhões e ônibus no Brasil foram obrigados a equipar seus veículos com motores adequados aos limites de emissões estabelecidos pela Norma Euro 5, definida pela União Europeia. Apesar de seu inegável benefício para o ambiente, haverá um impacto financeiro. Os novos veículos Euro 5 deverão ficar de 10% a 15% mais caros que os atuais adequados à norma Euro 3. Esses veículos terão que abastecer, além de um diesel mais limpo e caro, com um outro tanque: o de ureia, ou Arla 32 – Agente Redutor Líquido de NOx automotivo.

Além dos altos investimentos na nova frota, há um impasse sobre o que fazer com os veículos antigos que terão difícil colocação no mercado de usados. O mesmo conflito acontece com os caminhões de grande porte que tiveram que ser substituídos por veículos menores para atender a restrição de circulação em centros urbanos, como acontece em São Paulo em breve no ABC Paulista e em diversas cidades no país, mesmo as de pequeno porte. Após um ano da implantação da lei na capital paulista, a produção de veículos comerciais leves no Brasil aumentou de 57 mil veículos para 75 mil. De acordo com estudo do Instituto de Logística e Supply Chain, 59% das empresas aumentaram a frota de comerciais leves na faixa de 10% a 30%, gerando um índice médio de aumento de 19%, este fato por si só, além de encarecer o transporte, por um lado tira-se veículos pesados dos centros urbanos e, consecutivamente insere mais veículos em circulação para o transporte do mesmo volume de cargas, gerando assim mais transito.

Outro ponto a ser observado é o crescimento de 3,7% em 2011 em movimentação de cargas se comparado a 2010, que influencia automaticamente no número de veículos nas estradas. As nossas vias não estão preparadas para receber esse volume e a maioria apresenta péssimas condições de circulação, o que impacta diretamente no aumento do custo de operação. Afinal, os pedágios estão cada vez mais caros e a condição das estradas força a manutenção frequente dos veículos. E também devemos levar em consideração a falta de segurança e os altos índices de cargas roubadas que elevam o custo dos seguros.

Como os desafios são tantos, busca-se mão de obra qualificada, o que está cada vez mais difícil de encontrar. A disputa por qualidade e preços menores é grande, sendo assim é necessário compartilhar os poucos profissionais capazes com outras indústrias sazonais, como a agricultura.

O cenário é lamentável: o Brasil caminha para uma crise, ao mesmo tempo em que perde competitividade no mercado. O conjunto de desafios, incluindo má qualidade das estradas e impostos, questões trabalhistas, aumento de ICMS de 5,5% sobre o pneu, restrições de entrega, roubo de cargas e outros já mencionados, eleva os custos de serviço a níveis muito altos. Se, por um lado, o setor logístico registra mais gastos para poder trabalhar, o cliente pressiona para redução dos custos e alta produtividade. Fica, então, o questionamento sobre o futuro incerto para o segmento no Brasil.

Hamilton Picolotti – presidente da Confenar, Confederação Nacional das Revendas Ambev e das Empresas de Logística da Distribuição

 

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