O futuro do profissional de Comércio Exterior

29/09/2020

Por Alessandra Bacci*

A pandemia do novo coronavírus acelerou não somente o processo de transformação digital, como desencadeou uma necessidade de autoconhecimento e autodesenvolvimento dos profissionais em todos os níveis da organização. Como em toda crise severa, a adjeção desses fatores resultou em uma janela de oportunidades para que se conquiste a valorização equitativa dos papéis da tecnologia e das pessoas na evolução da empresa.

O momento é de convergência e todos na organização já compreenderam que as pessoas terão papel central nesse processo de transformação tecnológica. Nesse sentido, as inovações digitais já não provocam a mesma resistência de antes por parte dos colaborares e não se limitam somente aos ganhos de eficiência e produtividade.

A transformação é digital e comportamental

O que vivenciávamos até então era um desalinho entre as inovações de sistemas e a evolução dos recursos humanos da empresa, em que os profissionais, mesmo conscientes da necessidade de rápida adaptação para sobreviverem no novo mercado, não conseguiam reagir no mesmo compasso das transformações digitais, tampouco aproveitar todas suas potencialidades.

A pandemia e os reflexos do distanciamento social, que vão desde o aumento do uso da tecnologia básica em nosso dia a dia aos desafios de se manter a produtividade no home office “forçado”, definitivamente acelerou o futuro. Por isso, é inevitável intensificar a transformação comportamental dos colaboradores, processo que deve ser fomentado pela empresa por meio de capacitação, avaliações e engajamento da liderança.

Tecnologia humanizada: equilíbrio operacional ao alcance das empresas

Em seu livro “FUTURO S/A”, André Souza, CEO da empresa homônima, realiza um compilado de conteúdos referentes à transformação cultural das organizações. Uma de suas frases representa com fidelidade a importância de se discutir o papel das pessoas ante a digitalização em massa que tende a continuar nos próximos anos. “… O humano vai mostrar que o humano precisa ser humano. E que o robô será robô”. Por mais despretensioso que possa parecer, esse trecho reforça que não se trata de substituir o trabalho humano e ofuscar seu protagonismo, mas de atribuir uma abordagem plenamente estratégica para que os profissionais sejam valorizados.

A insistência em sistemas manuais reduz a participação humana a tarefas repetitivas que beiram a exaustão, comprometendo oportunidades de destaque para o indivíduo. Por isso, pensar na utilização da tecnologia de forma humana deve ser uma medida imediata para empresas interessadas em absorver o potencial por trás da transformação digital, sem desconsiderar as consequências positivas dessa movimentação à realidade de trabalho compartilhada internamente.

O profissional de Comércio Exterior cada vez mais tecnológico

Em outros tempos, planilhas e modelos manuais foram importantes para nosso segmento, mas a aceleração da tecnologia, entre movimentos governamentais e a obtenção de resultados animadores, aponta para a urgência de se inserir o profissional de Comex em um ambiente digital, tanto no aspecto técnico como no intelectivo.

Atualmente, uma gestão que lide com a complexidade do Comércio Exterior não pode simplesmente ignorar o sucesso para o planejamento estratégico identificado nessa coexistência entre ser humano e máquina. Com essa mudança no mindset da operação e a automatização de processos, o potencial de cada um dos profissionais será evidenciado.

Não por acaso, aquela resistência à transformação digital tem deixado a pauta das pessoas, que estão conscientes quanto à naturalidade do tema. O Comércio Exterior é um exemplo concreto e capaz de dimensionar o real impacto da tecnologia sobre a gestão de uma empresa. O objetivo é potencializar o tempo e o talento humano, utilizando os sistemas para resolverem problemas complexos de forma simples e eficiente. Dessa forma, soluções inovadoras são grandes aliadas, não obstáculos.

*Alessandra Bacci é Head de Pessoas na eCOMEX-NSI.

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