O desafio de acabar com a ruptura

21/12/2014

A falta de mercadorias no ponto de venda, a chamada ruptura, é uma das principais preocupações do mercado. Independente do segmento de atuação do varejista, a ruptura é a responsável, entre outras coisas, pelo adiamento da compra, pela substituição da marca ou, no pior cenário, pela busca do produto no ponto de venda concorrente.

Dados de uma pesquisa realizada pela consultoria Nielsen, em 2013, mostram que cerca de 80% dos consumidores que não encontram o produto desejado na gôndola trocam de marca e 20% vão a outro ponto de venda. Os percentuais exatos variam de acordo com a categoria do produto, mas são preocupantes em todos os casos, pois apontam a dimensão do problema, seja para a indústria ou para o varejo.

Mas, quais são os grandes responsáveis por essa falta de mercadorias no ponto de venda? A causa pode estar em diversas etapas da cadeia de abastecimento e em seus processos. Uma falha na própria produção, no dimensionamento da demanda ou com um fornecedor de matéria-prima, afetará os canais diretos, como grandes redes, ou os indiretos, como distribuidores e atacadistas.

A responsabilidade ainda pode ser do próprio varejista, quando opta por realizar compras sem informação adequada ou sem o apoio de um fornecedor organizado.  Ter o produto no estoque, mas falhar na reposição ou exposição adequada também levam a perda de venda.

Quando falamos sobre o atacadista, a chance de ruptura é ainda maior, pois este agente trabalha totalmente focado em oportunidade comercial. Assim, se não obtiver uma boa negociação com a indústria, simplesmente não terá o produto disponível por certo tempo, até que uma nova oportunidade se apresente. Já com o distribuidor esta deficiência tende a ser bem menor, uma vez que trabalha sempre com o mix completo da indústria.

Além da compra desalinhada com a demanda, a ruptura pode acontecer também por erros no processo de vendas, logística interna ou entrega. Na área de vendas, ao atuar sem informação precisa, podem ocorrer erros na sugestão adequada do mix de cada canal. Na área de logística interna, se não houver processos ou tecnologia adequados, os problemas podem surgir na separação, conferência dos pedidos e até no transporte, com a inversão de volumes, avarias ou, ainda, descumprimento de prazos.

Assim, o que vemos é que a ruptura não está só no ponto de venda. A gôndola é o local onde ela é mais percebida, mas sua incidência acontece bem antes, afetando toda a cadeia de abastecimento e os fatores nela envolvidos.

Essa é uma realidade no Brasil e no mundo e o caminho para minimizá-la não é fácil, mas precisa ser percorrido. O primeiro passo é fazer uso da tecnologia unida a processos ajustados, além de organizar uma equipe preparada para se antecipar ao problema.

Varejistas, atacadistas ou distribuidores precisam ter as soluções tecnológicas como aliadas para uma operação de abastecimento mais eficaz. Lembrando que a tecnologia não trabalha sozinha. É preciso ter pessoas preparadas para utilizá-la.

 

Rafael Rojas Filho

Diretor da Target Sistemas

Compartilhe:
Ypê e Tix Log investem R$ 161 milhões em novo Centro de Distribuição no Rio Grande do Sul
Multiflon consolida malha logística para atender todo o Brasil com expedição média de 450 mil unidades mensais
Estudo da nstech aponta logística como fator decisivo para conversão a menos de 90 dias da Black Friday
TruckPag fecha 1º semestre com R$ 1,6 bilhão em transações e conclui aquisição da 3SAT
Empresas do Grupo Tix conquistam Selo Ouro GHG Protocol pela segunda consecutiva
Modern Logistics expande operações com logística para turnês musicais

As mais lidas

01

Insights Logweb – O movimento da semana de 14 a 18 de setembro
Insights Logweb – O movimento da semana de 14 a 18 de setembro

02

Ford revela três versões da van elétrica Transit City que chegam ao Brasil ainda em 2026
Ford revela três versões da van elétrica Transit City que chegam ao Brasil ainda em 2026

03

Special Dog Company reforça frota e cresce 25% na equipe de motoristas em 2025