Logística, tecnologia e adaptação rápida à crise

11/09/2020

Por Diogo Louro*

Na área de logística, a adoção (ou aumento de utilização) de tecnologias foi essencial para conseguir lidar com as mudanças trazidas pela pandemia na área de logística. Houve, por exemplo, aumento da demanda para entregas diretas nas residências dos clientes e, com isso, aumentou a dificuldade da gestão da última milha. Ao mesmo tempo, essa é uma área muito dependente das operações físicas, e isso fez com que os processos precisassem ser adaptados para garantir a segurança dos funcionários.

Em decorrência disso, uma grande dificuldade surgiu no início da quarentena: o transporte entre cidades ou regiões precisou enfrentar a indisponibilidade, ou disponibilidade limitada, de locais para refeições dos caminhoneiros. Tal escassez é preocupante, visto que esses profissionais chegam a passar dias fora de casa e dependem dos postos e de seus serviços para que possam realizar suas atividades em condições adequadas.

As soluções desse problema e de outros durante a pandemia reforçaram a necessidade de algumas soluções:

Visibilidade ampla – o monitoramento e o planejamento das viagens ajudaram a solucionar a questão dos caminhoneiros. No entanto, quando se fala em aprofundamento do uso da tecnologia, merecem destaque as aplicações que oferecem melhor visibilidade da operação para as diferentes pessoas da empresa envolvidas no processo. Geralmente, as companhias cuidam de um ecossistema complexo e não integrado, às vezes utilizando quatro ou cinco ferramentas diferentes para a gestão da área de logística.

Plataforma única – para viabilizar a integração de toda a operação de logística existem soluções que agregam a gestão dos processos da área, desde a criação de viagens até a entrega de produtos, em uma única plataforma, trazendo mais eficiência para a organização que emprega esse tipo de aplicação. Fazem a roteirização de toda a operação, já levando em conta suas características específicas, bem como as da carga, além de gerenciar de maneira integrada informações de viagens, emissão de notas fiscais, ocorrências e agendamentos.

Tempo real e dashboard – as soluções mencionadas também tornam possível acompanhar em tempo real a movimentação da carga, além de gerar um dashboard com indicadores de performance e gestão de entregas, ocorrências e agendamentos.

Comunicação – O home office e a impossibilidade de locomoção das equipes impulsionaram mudanças na comunicação. É o caso da adoção de aplicativos de videochamadas, que eram pouco conhecidos, mas tornaram-se comuns no dia a dia e ajudaram as empresas deste setor (e de todos os outros) a manter suas atividades.

Tecnologia e adaptação rápida – a tecnologia é um instrumento eficiente que vem ajudando as organizações e suas cadeias de suprimentos a se adaptarem, de forma mais rápida, objetiva e assertiva às mudanças impostas pela conjuntura. Um exemplo é o caso do álcool em gel, fortemente recomendado para reduzir o risco de contaminação pelo novo coronavírus. Com seu repentino uso generalizado, houve a preocupação de que pudesse faltar nas prateleiras – o que realmente aconteceu. As empresas que já o fabricavam aumentaram a produção e outras que não o fabricavam começaram a também produzi-lo. Nos dois casos, a logística foi afetada pela alteração repentina na produção das companhias, mas a tecnologia foi fundamental para a adaptação.

A adequação às mudanças é essencial para as empresas minimizarem impactos econômicos negativos e até mesmo para encontrarem oportunidades e aproveitá-las. Principalmente quando a incerteza econômica gera apreensão na tomada de decisões. E, como o cenário da crise da covid- 19 é completamente novo, fica mais difícil fazer planejamento com base em previsões. Isso torna mais essencial a capacidade de adaptação rápida, e a tecnologia é uma grande aliada para isso.

*Diogo Louro é Head de Logística da Nimbi, empresa de tecnologia especializada em supply chain management.

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