A logística e o desafio da distribuição de vacinas

11/12/2020

*Por Roberto Pansonato

Realmente, e não é novidade para ninguém, estamos atravessando um ano totalmente atípico. Querendo ou não, boa parte dos noticiários nacionais e internacionais têm veiculado, diariamente, notícias sobre a covid-19. É claro que a maioria dos temas está relacionado à saúde das pessoas, o que é totalmente esperado e compreensível. No entanto, um setor prioritário para a população nos dias de hoje aparece também com frequência nos veículos de comunicação: a logística.

A partir do momento em que foram decretadas normas para o distanciamento social e as pessoas começaram a trabalhar em casa, houve um aumento significativo na demanda por serviços logísticos, tanto na entrega de alimentos e refeições quanto por meio de entregas de pedidos do comércio eletrônico (e-commerce), que têm alavancado a chamada entrega de última milha (last mile). Grandes empresas logísticas tiveram que se reinventar e ainda estão se reinventando para atender as novas demandas.

Com o passar dos meses, a possibilidade de que em breve a população terá vacinas que efetivamente combaterão a covid-19, ocasiona uma preocupação: como distribuir essas vacinas, em se tratando de um produto complexo, para uma enorme quantidade de pessoas e num curto prazo?

Novamente a logística no centro das atenções. Grandes empresas logísticas, como a alemã DHL, que opera em vários países ao redor do mundo, realiza inúmeros estudos para essa mega distribuição. Segundo a empresa, a nível mundial, serão necessários em torno de 10 bilhões de doses de vacina, levando-se em consideração uma população de 7,8 bilhões de pessoas e uma estimativa de imunização de 60%. Ou seja, algo realmente grandioso. Em termos logísticos, citando apenas alguns exemplos, devem ser considerados os trâmites de importação, a quantidade necessária de aeronaves e veículos (levando em conta apenas os modais aeroviário e rodoviário), os armazéns especiais a serem utilizados, bem como a quantidade de pallets, embalagens especiais, etc. Provavelmente, o mesmo fornecedor da vacina não é o mesmo fornecedor das seringas e das agulhas, o que, pela enorme quantidade envolvida, se torna uma variável a mais no processo.

Se não bastasse todas as questões acima mencionadas, ainda temos a condição de refrigeração do produto, que pode variar em função do fabricante e da tecnologia utilizada. De uma forma geral, a temperatura de armazenamento seria em torno de 2°C a 8°C, o que traz uma preocupação a mais para a logística de um país tropical como o Brasil. Há casos, que possivelmente não se aplicarão ao Brasil, de vacinas que necessitam ser armazenadas em temperaturas abaixo de 70°C. Segundo Jackson Campos, Head Global de Pharma & Healthcare na Asia Shipping, “será necessário muito, mas muito gelo seco, que é o material refrigerante mais utilizado em baixas temperaturas”.

O Ministério da Saúde, por meio do Manual de Rede de Frio, apresenta procedimentos específicos que regem as formas de como receber, armazenar, distribuir e transportar imunobiológicos, em especial as vacinas. Entretanto, a logística deve ficar atenta para que não haja variações fora dos limites especificados que possam levar à perda dos produtos manuseados nessa complexa cadeia de distribuição.

Enfim, o Brasil tem um histórico positivo no que diz respeito à imunização da população e à distribuição de vacinas, no entanto, a demanda que se avista no horizonte é de proporção gigantesca e exige um planejamento logístico robusto.

*Roberto Pansonato é professor tutor do Curso Superior de Tecnologia em Logística do Centro Universitário Internacional Uninter.

Compartilhe:
Levantamento da CNT revela que cada R$ 1 investido em rodovias pode gerar até R$ 4,77 ao PIB do transporte
Levantamento da CNT revela que cada R$ 1 investido em rodovias pode gerar até R$ 4,77 ao PIB do transporte
Hyundai Motor anuncia a implantação da primeira frota de caminhões extrapesados movidos a célula de combustível na América do Sul
Hyundai Motor anuncia a implantação da primeira frota de caminhões extrapesados movidos a célula de combustível na América do Sul
Dados da Veloe/Fipe revelam: preço do diesel sobe para R$ 7,17 com impacto do conflito EUA-Israel-Irã
Dados da Veloe/Fipe revelam: preço do diesel sobe para R$ 7,17 com impacto do conflito EUA-Israel-Irã
Frete rodoviário defasado e reforma tributária pressionam custos do transporte, destaca conferência do SETCESP
Frete rodoviário defasado e reforma tributária pressionam custos do transporte, destaca conferência do SETCESP
Guerra no Oriente Médio força mudança nas rotas de transporte de medicamentos para pesquisas clínicas, aponta Fic Company
Guerra no Oriente Médio força mudança nas rotas de transporte de medicamentos para pesquisas clínicas, aponta Fic Company
Campanha sobre Síndrome do X Frágil ganha as estradas com apoio do transporte rodoviário
Campanha sobre Síndrome do X Frágil ganha as estradas com apoio do transporte rodoviário

As mais lidas

Nada encontrado