Integração global é saída para Brasil e Mercosul

12/01/2014

Livre circulação de mercadorias entre os países-membros. Esse era o principal objetivo do Mercosul quando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram sua certidão de nascimento, o Tratado de Assunção, em 1991. No entanto, o cenário atual enfrentado pelos países que integram o bloco comercial é composto por entraves econômicos, políticos e cambiais. Tal situação diminui a atividade setorial econômica, impactando em todos os serviços da cadeia produtiva e industrial, o que reflete especificamente na logística e transporte internacional.
 
A ideia inicial sugeria que o livre comércio do bloco deveria simplificar a operação de transporte, gerando oportunidades na região, ampliando o campo de trabalho e dando mais perspectivas de crescimento e desenvolvimento para as empresas de logística. Porém, os controles nos diferentes setores das economias dos países-membros com a finalidade de protegê-las do próprio bloco é uma situação que contradiz a origem desta criação.
 
A verdade é que antes da vigência total do livre comércio haveria um período inicial de ajuste, durante o qual existiria uma redução gradual de tarifas alfandegárias, que permitiria uma adaptação competitiva. Esta etapa deveria ter-se encerrado em 1995, mas foi prorrogada por vias indiretas, já que começou a surgir na Argentina pressão contra a entrada em massa de produtos brasileiros. E esse protecionismo, que vai totalmente contra o objetivo traçado ao se criar o bloco, perdura até hoje – de maneira mais agressiva, inclusive. O que impacta diretamente nos volumes comercializados e, claro, não é um bom negócio para o setor de logística e transporte.
 
Outro importante desafio a ser superado está nos controles alfandegários, hoje um dos maiores – se não o maior – empecilho à produtividade das transportadoras atuantes na região. A demora nas autorizações de importação LI (Licença de Importação) e DAJAI (Declaração Jurada Antecipada de Importação) têm afetado diretamente o custo de operação.
 
O tempo padrão de transporte, que era de sete dias para efetuar uma operação, está levando agora 14 dias. Ou seja, a unidade que antes fazia duas viagens completas no mês agora faz apenas uma. Nesse mercado, em que a eficiência é um diferencial, o timing é um fator de impacto imediato. O cliente exige uma operação absolutamente controlada e monitorada por todo o trajeto.
 
Outro obstáculo enfrentado diz respeito ao momento em que as cargas chegam aos portos, que se encontram em situações precárias devido à falta de investimento, situação vista em toda a região. É importante ressaltar que para que um acordo de livre comércio funcione, além das questões econômicas, políticas e cambiais, é preciso haver infraestrutura para que a carga chegue ao seu destino em tempo hábil e em perfeitas condições. E para isso, é necessário que cada país invista no seu território.
 
Em linhas gerais, a saída para que o Mercosul cumpra seu papel é superar as diferenças comerciais e também políticas, visto que os próprios governos geram travas gradativamente. A concepção original do bloco é servir de solução para potenciar a região, fortalecer o comércio entre os países-membros e defender nosso produto para ascender a outros mercados.
 
O Mercosul, em seu atual modelo, é útil para o país mas não nos basta. É necessário estarmos atentos à reorganização das forças produtivas que está acontecendo pelo mundo. Sem novos acordos comerciais, o Brasil corre o risco de ficar de fora das chamadas cadeias produtivas internacionais. E tal situação, definitivamente, não é totalmente inadequada. Agora, além de resolver os problemas que já existem, está mais que na hora de pensar na integração da indústria nacional às cadeias produtivas globais.


Walter Soto – Diretor da Coopercarga para Mercosul

 

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