Impactos do aumento do diesel – o que esperar do nosso setor?

01/12/2014

O Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos da NTC (DECOPE) divulgou no início deste mês um estudo sobre o aumento do diesel no custo do frete. Os 5% anunciados pela Petrobras podem ter um impacto de até 1,72% no valor do custo final do transporte rodoviário de carga. Essa notícia tomou conta das páginas e portais de veículos que falam sobre logística e transporte. Não é para menos, pois sabemos que toda a cadeia sofreu com essa medida já que o diesel, assim como a mão de obra, são os insumos com maior representatividade no custo do transporte (mais de 50% do valor total do frete). Qualquer aumento, principalmente nestas duas contas, representa um grande impacto. A conseqüência, já sentida em todo o setor, é a defasagem imediata do frete sem a garantia do repasse.

O mercado logístico reflete a atividade econômica do país. O ano de 2014 foi impactado pelo evento da Copa do Mundo no Brasil e também pela expectativa e incerteza geradas pelas eleições. O mercado desaquecido com a recessão e a defasagem dos fretes que, segundo informação divulgada pelo DECOP em setembro deste ano atinge patamar de 9,66%,  compromete muito  a margem de rentabilidade dos contratos.

Os contratos com grandes embarcadores, na sua maioria, não contemplam gatilho automático para aumento do diesel.  O repasse, para ser aplicado, deve atingir um percentual mínimo pré-determinado, ou seja, a transportadora deve suportar os repasses menores e somente aplicar quando atingi-lo.

E é este cenário que temos pela frente: negociações complicadas, mas que precisam acontecer. Com o mercado em crise a tendência é que as margens de rentabilidade sejam cada dia menores. Nesta condição qualquer ajuste de insumo pode colocar a operação no vermelho, por isso os repasses devem ocorrer de forma rápida para não comprometer a saúde do contrato. Não há espaço para absorver qualquer aumento de custo, o que faz com que o repasse para o cliente deva ser quase imediato. Entendemos que é hora de reorganizar toda a gestão e nos preparar para um 2015 ainda em recessão, com falta de crescimento e panorama muito similar ao de 2014. 

 

Josana Teruchkin

Diretora executiva da Transportadora Sulista

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