Gerenciamento de risco amplia segurança e gera economia

06/09/2016

*Ricardo Ciardella, diretor da área de Logística da JLT Brasil

De uma forma ou de outra, a crise econômica afetou quase que indiscriminadamente as empresas brasileiras e, para os operadores logísticos, chegou tanto na forma de pressão dos clientes pela redução de custos quanto no impacto de insumos importantes, como os combustíveis. Nesse cenário, qualquer economia pode fazer muita diferença e o item seguros é pouco observado, mas pode oferecer grandes oportunidades.

Para um operador, as apólices representam um percentual importante dos custos fixos. Em uma empresa responsável, comprometida com os clientes e a sociedade, o seguro de frota é apenas uma das apólices que precisam ser contratadas. A carteira deve contemplar também seguros patrimonial, para proteger as instalações como galpões/armazéns, maquinário e conteúdo, de responsabilidade civil, contra danos que podem ser causados a terceiros e o seguro de carga. Adicionalmente a esses pontos é de igual/vital importância a elaboração e a contratação de um gerenciamento de risco adequado e de acordo com cada operação.

Cada uma dessas apólices tem cláusulas específicas que podem fazer toda a diferença tanto em relação ao custo de contratação pelos clientes quanto na hora de se buscar a cobertura ou no momento de se regular um sinistro. O entendimento do risco real do cliente – e das formas como ele atua para se prevenir – também reflete diretamente no custo.

A crise econômica trabalha a favor dos clientes porque dá mais margem de negociação com as seguradoras, mas é preciso estar bem preparado para isso. Um bom trabalho de consultoria de inteligência de risco ajuda os operadores a identificarem eventuais falhas em seus processos que podem aumentar os riscos de acidentes e roubo, e acabam por ajudar na obtenção de termos a condições de seguro mais competitivos.

De forma quase que geral, trabalhos como esses terminam por encontrar pontos que precisam ser melhorados com o intuito de termos um risco mais gerenciável. Problemas de armazenagem, como inexistência de sistemas protecionais ou sistemas pouco dimensionados para o risco sendo avaliado/segurado, acabam impactando negativamente na venda do risco para o mercado segurador. A identificação de falhas no processo tem um impacto positivo na percepção do risco pelo mercado segurador.

A revisão do clausulado das apólices também pode ter impacto significativo. Em média, é possível conseguir reduções de mais de 20% no valor dos prêmios com a exclusão de coberturas que existem em produtos de prateleira, mas não têm aplicação para os operadores. Por outro lado, também se garante que os riscos que efetivamente existem estejam, de fato, cobertos. Em 99% dos contratos existem exclusões (de cobertura) que os clientes não têm conhecimento e que são expostas após um processo de due dilligence (auditoria) das apólices.

Quanto maior a empresa e mais complexa sua operação, maior o impacto de tais medidas. As melhorias reduzem e aumentam a aceitação do risco dos operadores e geram mais interesse e concorrência entre as seguradoras. A due dilligence dá mais clareza sobre as necessidades dos clientes e a oferta de produtos de mercado. O passo seguinte é promover o encontro do operador com a seguradora, porque o que não existe na prateleira pode ser conseguido, por um custo até mais baixo, por meio de outras soluções, como a modelagem de soluções de resseguro.

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