Força e ameaça

14/04/2008

É difícil fazer comparações macroeconômicas entre diferentes países. Mas, num exercício de simplificação, decidi fazer essa confrontação. Para tanto, escolhi, como síntese, três indicadores significativos: a taxa do crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB); a taxa anual de inflação; e o resultado da conta corrente em relação ao PIB, todos aos últimos 12 meses.

Os números foram extraídos da revista The Economist. Estes três indicadores são interessantes, porque um país pode estar crescendo bastante, porém à custa de déficit na balança comercial e/ou alta inflação. Outro pode estar com a inflação sob controle, mas às custas de baixo crescimento econômico e/ou excesso de importação barata. Além disso, é possível que se tenha superávit em conta corrente, com grande volume de exportação e baixo volume de importação (devido à desvalorização da moeda local), mas uma inflação crescente.

O ideal é que um país apresente crescimento econômico robusto (PIB 5%) e resultado em conta corrente equilibrado (CC/PIB Dos países "top de linha", a Holanda e a Noruega se beneficiaram dos altos preços do petróleo e derivados. O Peru, dos altos preços dos minerais. A Malásia se beneficia das exportações da indústria de transformação. O Brasil e a Coréia do Sul contam com uma pauta mais diversificada de exportação, apesar de o Brasil ter se beneficiado das altas dos alimentos e dos minerais.

Apesar de toda a crise financeira internacional, o Brasil está bastante fortalecido. No futuro próximo, dois problemas podem aparecer: resultado em conta corrente muito negativo e inflação em alta. Apesar de termos altos investimentos diretos estrangeiros, que compensam a piora do resultado em conta corrente, não podemos ficar na dependência de recursos externos para fecharmos as contas. Comparativamente, o Brasil está bem, mas precisamos ficar atentos à supervalorização do real.


Alcides Domingues Leite Junior
é professor de Macroeconomia da Trevisan Escola de Negócios

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