Estratégia de frete: conheça o fator que pode alavancar (ou derrubar) o seu negócio

29/04/2022

*Por Vinicius Pessin, CEO da Eu Entrego  

Criar um negócio de sucesso definitivamente não é igual a uma receita de bolo. O que deu certo para uma marca pode não funcionar para sua empresa – e cabe ao gestor identificar os inúmeros fatores que incidem sobre a operação. Uma dessas variáveis, contudo, é bem conhecida de quem trabalha no varejo: a estratégia de frete. Ela representa a parte mais importante na relação entre a companhia e seu consumidor, ou seja, a que leva o produto adquirido à casa da pessoa. É uma realidade que coloca o assunto em evidência na tomada de decisão e obriga os gestores a buscarem as melhores alternativas para alcançarem os resultados esperados.  

Trata-se de uma percepção cada vez mais mensurável no ambiente digital brasileiro. O frete tem relação direta com a percepção positiva e negativa dos usuários na hora de comprarem seus produtos. Ao todo, três em cada dez pessoas que fizeram alguma reclamação no e-commerce em 2020 apontaram que o prazo de entrega é o principal motivo de insatisfação na experiência de compra on-line. O valor pago pelo serviço também influencia na avaliação dos usuários. Dentre aqueles que recebem frete grátis, apenas 5,9% do total apresentaram algum tipo de queixa. Quando o valor gasto pela entrega é elevado, esse indicador sobe para 15,7%. A pesquisa é do relatório Webshoppers, da Ebit/Nielsen. Os números apenas reforçam a atenção que os varejistas precisam ter em relação às entregas de seus produtos.  

Mas por que esse cenário ocorre? Não há uma resposta definitiva, evidentemente, mas dois pontos ajudam a explicar essa questão. O primeiro deles é a dificuldade histórica que os processos logísticos sofrem no Brasil. A dimensão continental é um empecilho para transportar os pedidos de um lado para o outro, mas há outras barreiras. Há diferenças culturais, limitações geográficas, problemas estruturais de rodovias, entre outros assuntos. Os varejistas precisam se equilibrar para chegar a uma estratégia realmente vantajosa para todos.  

É a partir daí que entra o segundo tópico. Há uma diferença clara entre o serviço oferecido pelas empresas e a percepção de qualidade dos consumidores. A pessoa não se importa de pagar a mais pelo frete desde que essa medida traga algum benefício concreto para ela, como a redução no tempo do delivery ou a diversidade de datas e opções de entrega. A questão é que a maioria das organizações ainda não desenvolveu táticas para reduzir essa distância que mina a experiência de compra. Não à toa, o levantamento citado mostra que a insatisfação é maior entre aqueles que pagaram um valor mais elevado pelo delivery.  

Para resolver esse problema, o passo principal é recorrer à tecnologia para automatizar processos e melhorar a operação relacionada à estratégia de frete. Se a análise de dados já é item obrigatório em outras etapas da gestão, por que o setor de entregas precisa continuar com processos manuais? O recomendado é escolher uma plataforma capaz de oferecer novas possibilidades para o negócio, seja com a inclusão de novos modais (como as bicicletas elétricas) ou com a implementação de novas tendências, como o ship from store (entregas feitas a partir da loja) e as entregas de última milha – o que possibilita o trabalho em conjunto com transportadoras e outros meios.  

Após mais de 18 meses de pandemia, está claro que a transformação digital avança a passos largos e que a integração de canais é item obrigatório no varejo brasileiro. A loja física precisa conversar com o e-commerce, que dialoga com as redes sociais e o WhatsApp, e por aí vai. Portanto, somente uma estratégia alinhada e bem planejada para o frete é capaz de atender a essa demanda sem prejudicar toda a operação do negócio. Só quando os produtos são entregues de forma rápida, segura e transparente aos consumidores que a empresa pode falar que cumpriu sua missão.  

*Vinicius Pessin é CEO da Logtech Eu Entrego,startupde entregas colaborativas – e-mail: euentrego@nbpress.com  

Compartilhe:
Com 95% do comércio exterior pelo mar, Brasil precisa se adaptar a navios maiores
Demanda incerta para Black Friday e Natal desafia planejamento das transportadoras no Paraná
Novo Plano Nacional de Logística retoma o desafio histórico da integração modal
A digitalização inteligente: o motor da competitividade da indústria automotiva brasileira na era do nearshoring
Estudo mapeia quase 99 mil profissionais no transporte de produtos perigosos e aponta desafios de qualificação e renovação
Evento gratuito debate tecnologias e desafios para evolução da logística industrial

As mais lidas

01

Insights Logweb – O movimento da semana de 14 a 18 de setembro
Insights Logweb – O movimento da semana de 14 a 18 de setembro

02

Ford revela três versões da van elétrica Transit City que chegam ao Brasil ainda em 2026
Ford revela três versões da van elétrica Transit City que chegam ao Brasil ainda em 2026

03

Special Dog Company reforça frota e cresce 25% na equipe de motoristas em 2025