CPMF nunca mais

01/06/2008

Doença crônica, que após muito combate e tratamento parecia finalmente derrotada, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira dá nítidos sinais de novamente querer se entranhar no organismo da economia, justamente no momento em que vários indicadores revelam a invejável saúde desse delicado paciente.

Na verdade, foram apenas poucos meses de trégua, após quase onze anos de virulência silenciosa, sugando somas expressivas do conjunto de órgãos e células que move a atividade econômica. E o que é pior, sem ao menos chegar perto da finalidade para a qual ganhou vida. Outro diagnóstico inquestionável: seu fim em nada afetou o Orçamento. Em abril último, por exemplo, a Super Receita chegou perto dos R$ 60 bilhões, um total quase 12% superior ao registrado um ano antes, em plena vigência do imposto do cheque .

Enquanto houver entradas recordistas de recursos em uma ponta e a repetição de graves problemas sociais na outra, estará mais do que provado que a verdadeira doença da qual o Brasil padece, em meio a crises agudas de tempos em tempos, continua com o seu foco genuíno intocado.

Pouco se avançará de fato sem adotar como terapias a moderação do apetite na volúpia dos gastos públicos, o bom condicionamento da máquina oficial rumo à eficiência administrativa, a disciplina dos hábitos para o controle das contas e, principalmente, o ataque efetivo ao vício da corrupção. Diante de um histórico tão crítico e preocupante, o Sescon-SP, em cuja sede teve início a mobilização vencedora pelo fim da CPMF, permanece em alerta, juntamente com as demais entidades do Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor .

O pensamento em comum é evitar o surgimento de um novo monstrengo, que alguns, com muita propriedade, já batizam antes mesmo do seu indesejado nascimento como Contribuição Sem Sentido (CCS). Afinal, qual o motivo da volta dessa chaga social, novamente apelando à necessidade de gerar subsídios para a Saúde? Que vantagens ela trouxe para o Brasil nos muitos anos de sobrevida que acabou conquistando, sob os olhares atônitos da Nação?

Não foi sem tempo que o brasileiro, em um grande gesto de democracia, declarou todo o seu inconformismo contra esse abuso, que agora ameaça se instalar mais uma vez entre nós. Só que agora assumidamente despido do caráter provisório de outras vezes, tal qual uma dor leve e passageira.

O objetivo de todo remédio é o bem estar e, em síntese, a própria sobrevivência do paciente. Trazer de volta problemas que pareciam curados, certamente em nada acrescentará para a convalescença de um país como o nosso, que tanto tempo amargou na UTI da inflação e do subdesenvolvimento, dentre tantas outras mazelas.

Fonte: www.dcomercio.com.br

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