Conexões humanas e tecnologia: o que isso tem a ver com logística?

08/12/2020

*Por Thomas Gautier

O tema do momento para o setor de logística – e tantos outros – é a mudança no comportamento das pessoas e do consumo após o surgimento da pandemia de covid-19, que atingiu o mundo inteiro com uma magnitude inesperada. Mas como agir de maneira rápida e eficiente diante do novo?

A pergunta vale tanto para o setor, sob o aspecto da adaptação das empresas, quanto para os profissionais diante de tantas mudanças. Durante o 1º Rodoviário Experience, live que contou com a expertise das soluções da Repom – como a Expers Frota (parceria com a Raízen) – e do Freto, tive a oportunidade de trocar informações com André Prado, CEO do Grupo BBM; Maurício Lima, sócio-diretor da ILOS; e Leandro Bustamante, gerente-geral de logística da ArcelorMital, que são referência no setor de logística, e a conclusão sobre o momento que vivemos foi unânime: só conseguimos lidar com as transformações impostas por causa de um aspecto muito importante e sobre o qual precisamos refletir: a tecnologia.

Claro que as empresas que já estavam com o terreno mais firme no campo da digitalização acabaram por se adequar de forma mais rápida do que outras, que tiveram de correr atrás do prejuízo, já com o isolamento social valendo no país. Um movimento forte no varejo foi o crescimento do e-commerce, que já era relevante no país. De acordo com a plataforma Nuvemshop, as vendas do comércio eletrônico cresceram 145% no Brasil no primeiro semestre deste ano. Além disso, precisamos destacar o papel essencial de alguns segmentos durante a pandemia, como o de alimentos e produtos relacionados à saúde e cuidados pessoais, que viram sua demanda aumentar desde março.

Com essas e outras mudanças impulsionadas pela covid-19, os pequenos negócios também tiveram de se adaptar e passar a vender pela internet. O cenário, tornou-se, então, um terreno fértil para o setor logístico se reinventar e se adaptar. Por conta disso, os marketplaces passaram a agregar mais marcas e os centros de distribuição estão cada vez mais urbanos – e não localizados em grandes rodovias -, em busca de conexões com o pequeno varejista e integração da coleta do produto com a entrega, favorecendo uma melhor experiência ao consumidor, que obtém suas compras mais rapidamente, e humanizando o setor, tendência que costumo chamar de “humanologística”.

Entendemos que o consumidor que migrou para o digital durante a pandemia por lá ficará, mas é esperado que uma parcela volte ao mundo físico. Por isso, é importante que as companhias tenham uma visão cada vez mais omnichannel (multicanal), como costumamos chamar no nosso setor, a fim de que a estratégia de vendas seja mais clara entre os canais, e, assim, melhore a experiência do consumidor que quer ora comprar sua roupa na loja, ora comprar pelo site e receber na loja e por aí vai…

Negócios que ainda tinham medo da digitalização se viram diante de uma realidade que dizia: “não há mais nenhuma forma de atuar, senão esta”. Segundo pesquisa da McKinsey com executivos de supply chain, realizada em setembro, 93% deles planejam aumentar a resiliência das cadeias, 90% desejam aumentar a digitalização dos times em digital supply chain e 54% esperam mudanças no planejamento das cadeias no pós-pandemia. Os dados do estudo revelam uma preocupação das empresas com uma cadeia de suprimentos mais sustentável, em todos os seus pontos de contato.

Embora ainda não tenhamos todas as respostas sobre o que nos aguarda após a pandemia, a Divisão de Frotas e Soluções de Mobilidade da Edenred Brasil já trouxe muitos aprendizados para o setor, incluindo uma das grandes tendências que identificamos: a multimobilidade, que contempla as novas necessidades da logística de carga e mobilidade de pessoas e pode ser exemplificada pelo marketplace Freto, criado por nós há um ano e meio. O aplicativo representou uma alternativa para muitos caminhoneiros, que passaram a se conectar a cargas em apenas um clique.

O futuro, que mais do que nunca já é presente, pede tecnologia, colaboração, inovação e, acima de tudo, humanidade. Um setor que se reinventou durante o isolamento precisa, mais do que nunca, se fazer presente.

*Thomas Gautier é Head de Mercado Rodoviário da Edenred Brasil

Compartilhe:
Levantamento da CNT revela que cada R$ 1 investido em rodovias pode gerar até R$ 4,77 ao PIB do transporte
Levantamento da CNT revela que cada R$ 1 investido em rodovias pode gerar até R$ 4,77 ao PIB do transporte
Hyundai Motor anuncia a implantação da primeira frota de caminhões extrapesados movidos a célula de combustível na América do Sul
Hyundai Motor anuncia a implantação da primeira frota de caminhões extrapesados movidos a célula de combustível na América do Sul
Dados da Veloe/Fipe revelam: preço do diesel sobe para R$ 7,17 com impacto do conflito EUA-Israel-Irã
Dados da Veloe/Fipe revelam: preço do diesel sobe para R$ 7,17 com impacto do conflito EUA-Israel-Irã
Frete rodoviário defasado e reforma tributária pressionam custos do transporte, destaca conferência do SETCESP
Frete rodoviário defasado e reforma tributária pressionam custos do transporte, destaca conferência do SETCESP
Guerra no Oriente Médio força mudança nas rotas de transporte de medicamentos para pesquisas clínicas, aponta Fic Company
Guerra no Oriente Médio força mudança nas rotas de transporte de medicamentos para pesquisas clínicas, aponta Fic Company
Campanha sobre Síndrome do X Frágil ganha as estradas com apoio do transporte rodoviário
Campanha sobre Síndrome do X Frágil ganha as estradas com apoio do transporte rodoviário

As mais lidas

Nada encontrado