Em tempos de compressão das margens de vendas uma boa gestão dos estoques passou a ser indispensável na luta para manter a rentabilidade dos varejistas de diversos portes. Em especial para aqueles produtos que a loja somente irá pagar após a venda ou devolvê-los a qualquer momento para o fornecedor, as chamadas operações com inventário em consignação.
O controle da quantidade de itens por número de nota fiscal, se bem executado, assegura um retorno adequado ao fornecedor quando a mercadoria já não atende as necessidades de negócio do varejista. No caso em que toma inventário em consignação – além deste controle apurado para a devolução de mercadoria não paga – ainda é necessário previsão de notas fiscais simbólicas de devolução para situação em que a mercadoria foi efetivamente consumida/vendida e será paga dentro dos moldes do contrato entre companhia e fornecedor.
Falhas sempre acontecem, como na situação final em que a mercadoria foi supostamente consumida/vendida, sua devolução simbólica ocorre e o pagamento é efetuado. Isto ocorre quando a mercadoria se perde dentro do depósito e é encontrada posteriormente, ou ainda quando a mercadoria é vendida para terceiros e uma devolução de campo ocorre posterior ao período de pagamento.
Nestes casos, uma ordem de crédito entre companhia e fornecedor é o método mais difundido e permite que organizações façam os ajustes de inventário e pagamento numa próxima campanha ou pedido.
Uma vez que o estoque esteja nas dependências da empresa, mesmo em consignação, deve ser valorizado e reportado dentro das obrigações fiscais adequadamente.
Um dos aspectos chaves para o gerenciamento do estoque em consignação é o que conhecemos como “change of ownership”, o que significa o momento em que o estoque troca de responsável.
Modelos como “order to order” , “pay as sold” e “owernship changes over period of times” são alguns dos encontrados, por exemplo, em industrias farmacêuticas, bens de consumo e manufatura.
Para companhias que possuem inventário em consignação e inventário próprio alguns aspectos adicionais precisam ser observados:
Informar claramente aos colaboradores quando estão trabalhando com itens em consignação ou itens próprios.
Definição de tempos limite para compra, retorno e pagamento de mercadoria precisam estar acordados entre companhia e fornecedor.
Ciclos de contagem e ajustes de inventários devem ser conhecidos pela companhia e fornecedor de forma a gerar transparência e senso de parceria na operação.
Para demandas razoavelmente conhecidas existe uma grande oportunidade de se avaliar a opção de inventário próprio, no qual o custo de operação é similar porém com margens superiores.
Detalhe: existem maneiras bastante inovadoras e sofisticadas, através da tecnologia da informação, para se estudar dados históricos , efetuar projeções e obter um planejamento de demanda adequado para cada companhia. Isto permite melhor decisão na escolha dos produtos e modelos de inventário para o maior retorno do capital investido.
(*) Wagner Jesus é gerente de bens de consumo e manufatura do Grupo ASSA.






