Colaboração, inteligência de dados e diversificação nos modelos de entrega são foco do setor de T&L em 2024

01/04/2024

Por Vanderlei Ferreira, CEO da Zebra Technologies Brasil

As velocidades recordes de entrega exigidas pelos consumidores atualmente, têm influenciado para que o setor de Transporte e Logística (T&L), tradicionalmente considerado como um espaço B2B, se adapte para um modelo B2B2C ou B2C. De acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o faturamento do setor de e-commerce brasileiro atingiu impressionantes R$ 185,7 bilhões em 2023. Essa cifra representa 395,1 milhões de pedidos feitos por 87,8 milhões de compradores online. A ABComm prevê um crescimento constante da receita nos próximos quatro anos, consolidando o e-commerce como um dos principais players do mercado nacional.

As empresas de transporte e logística já estão sentindo os impactos desse cenário. A escassez de mão-de-obra afeta o desempenho de todos os componentes da cadeia de suprimentos. Além disso, as limitações no tamanho das frotas persistem, mesmo quando há motoristas, pilotos e carregadores qualificados disponíveis. Esses desafios multifacetados continuarão a influenciar os próximos meses de 2024.

A boa notícia é que a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) estima que o setor privado investirá R$ 124,3 bilhões em transporte e logística entre 2022 e 2026. No setor portuário, especificamente, estão previstos aportes de R$ 14,5 bilhões entre 2024 e 2026, conforme anunciado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) no início de março de 2024.

Neste sentido, os próximos meses irão exigir que o setor implemente uma série de medidas para enfrentar estes desafios de longo curso. Isso incluirá melhorias na produtividade em todas as áreas, otimização do espaço de carga disponível, identificação e correção de pequenas ineficiências, além do uso de soluções de planejamento preditivo. Além disso, programas de incentivo e treinamento serão oferecidos para atrair mais pessoas para a força de trabalho de T&L.

Uma mudança significativa será a colaboração mais estreita entre empresas do setor e provedores de logística de terceiros (3PLs) e grandes embarcadores. Essa colaboração permitirá a integração dessas empresas nos processos de revisão de negócios, com foco em aconselhar sobre grandes mudanças de processo em vez de simplesmente ditar como as coisas devem evoluir.

Outro aspecto importante será o uso de dados em tempo real para orientar todas as decisões e ações, desde o armazém até as portas dos clientes. A falta de comunicação e visibilidade dos dados ao longo da cadeia de suprimentos tem sido um problema recorrente. Em 2024, as empresas serão pressionadas a adotar tecnologias inteligentes, como RFID, Inteligência Artificial, computadores móveis e outras, que permitam o compartilhamento confiável de atualizações em tempo real e a identificação rápida de problemas.

Na última milha (last mile), esperamos ver uma diversificação nos modelos de entrega, com mais empresas adotando diferentes formas de emprego para os entregadores. Isso incluirá desde modelos flexíveis e por hora, até a internalização dos serviços de entrega para garantir uma experiência mais controlada ao cliente.

Trata-se de um momento de transformação e adaptação no setor e as empresas que souberem antecipar essas mudanças e adotar as tecnologias certas sairão na frente, simplificando processos, otimizando a coordenação e garantindo uma experiência positiva para os clientes.

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