Chegou a vez do PAC(quinho) 2

01/02/2010

Há alguns anos escrevemos o artigo Pac(quinho). Mostramos que se tratava da maior enganação que já se perpetrara no País quanto a planos econômicos. E isso, pelo simples fato de mentir, criando o nada. Muitos planos foram feitos antes, mas nunca com tantas mentiras assim. Explicamos, didaticamente, que se tratava de uma consolidação de tudo que existia. Sem criação de nada. Dissemos, na ocasião, que o País iria investir no pac(quinho) R$ 504 bilhões, ou R$ 126 bilhões por ano. Ou meros 6% do PIB da ocasião. Assim mesmo, com o governo investindo apenas 68 bilhões, com média de 17 bilhões por ano. Ficando o restante para as estatais. E que isso era mais ou menos os valores dos quatro anos anteriores.

O pac(quinho) não era, portanto, mais do que a consolidação dos programas já existentes. Apenas levava o povo, e estranhamente, também a maioria dos jornalistas e economistas, a pensar em criação de algo. Na realidade, era como você chegar à sua cara esposa em casa e lhe dizer, singelamente: benzinho, temos um orçamento mensal de 3.000 reais. Ela ficaria preocupada, pois seria difícil trocar o carro, cortinas, sofá e outras coisinhas mais. E com você fazendo isso por vários anos, no caso, quatro de governo.

Num determinado momento, você saca da cartola a genial ideia da consolidação do orçamento em uma peça anual. Chega em casa todo pimpão: benzinho, este ano nosso orçamento é de 36.000 reais. Ela, que também não entende lá muito de economia, se entusiasma, afinal, este é um valor substancial. E pode ser o inverso, com o lar sendo conduzido pela mulher, e esta falando do orçamento ao querido esposo. Oba! Vamos trocar de carro finalmente, diz a outra parte. Também o sofá velho. Sem, no entanto, se dar conta de que continuam a ter apenas 3.000 reais mensais para gastar à vontade (sic).

Exatamente o que o governo fez. E levou todos a suspiros fantásticos, com pouca gente enxergando a realidade. Portanto, como se pode ver no pac(quinho), não era mais do que isso. E todos se rejubilaram com o nosso novo e reeleito governo. E como ficou este pac(quinho) que criticamos veementemente? E mostrando o que quase ninguém estava se dando conta? Aliás, com a maioria não se dando conta até agora. Segundo a imprensa tem divulgado, apenas 10% das obras previstas foram concluídas. 62% nem saíram do papel, estando em fase de licitação ou contratação.

Agora vem o governo alardeando o pac(quinho) 2. Como assim, cara pálida? Se não se fez o primeiro, como pode vir o segundo? Tudo que não foi feito no pac(quinho) 1, literalmente, quase tudo, entrará como pac(quinho) 2. Levando o povo, e a maioria dos jornalistas e economistas a suspirarem mais uma vez pela grandiosidade do nosso país.

Até quando o Brasil será um grande acampamento, ao invés de um grande país? Somos um povo totalmente individualizado, cada um com suas crenças e imposições, sem pensar num país, num amanhã. Tudo o que vale é hoje, o que se diz e o que se acredita. Pobre país! Parece que a linha do Equador divide a boa-fé neste planeta. Abaixo o Equador, tem que ser asilado. Quem sabe em Marte.

Parece que somos um país de brincadeirinha. Onde somos tratados como se nos faltasse inteligência. E influenciáveis por números grandiosos, que nem fazemos a relação com a economia como um todo. Em especial sua relação com conceitos econômicos e sobre o que o país precisa para crescer. Pior é que parece que somos mesmo. E ainda há muito por ouvir. Afinal, já se fala em pac(quinho) da Copa, sem esquecer o das Olimpíadas.

Somos um país que chegamos ao ponto de que as mentiras nem precisam ser muito faladas para se tornarem verdades. Basta que se fale uma vez e, bingo! É verdade absoluta. Dessa maneira, de equívoco em equívoco, de mentira em mentira, vamos construindo um país sem futuro, parafrasenado diversos dos nossos artigos.

Reformas? Está aí uma boa ideia, e "original" (rsrsrs). Sem contarmos com a ditadura civil que está a caminho. Em que o pac(quinho) é apenas uma forma de popularizar o governo e permitir a ele tudo.

Samir Keedi – Economista, consultor e professor da Aduaneiras e de MBAS/pós de várias universidades e autor de vários livros em comércio exterior.
samir@aduaneiras.com.br

Compartilhe:
Ypê e Tix Log investem R$ 161 milhões em novo Centro de Distribuição no Rio Grande do Sul
Multiflon consolida malha logística para atender todo o Brasil com expedição média de 450 mil unidades mensais
Estudo da nstech aponta logística como fator decisivo para conversão a menos de 90 dias da Black Friday
TruckPag fecha 1º semestre com R$ 1,6 bilhão em transações e conclui aquisição da 3SAT
Empresas do Grupo Tix conquistam Selo Ouro GHG Protocol pela segunda consecutiva
Modern Logistics expande operações com logística para turnês musicais

As mais lidas

01

Ford revela três versões da van elétrica Transit City que chegam ao Brasil ainda em 2026
Ford revela três versões da van elétrica Transit City que chegam ao Brasil ainda em 2026

02

Special Dog Company reforça frota e cresce 25% na equipe de motoristas em 2025

03

Empresas do Grupo Tix conquistam Selo Ouro GHG Protocol pela segunda consecutiva