Caos nas vias de acesso ao Porto

09/01/2012

Em 2011, as importações aumentaram 13% nos primeiros nove meses do ano. Só da Ásia para o Brasil a alta foi de 21%, segundo dados do Centro Nacional de Navegação (Centronave). E a China acaba de anunciar que pretende importar mais para contribuir para a reativação do comércio mundial. Isso significa que haverá cada vez mais um aumento no tráfego nas vias de acesso ao Porto de Santos, como comprova a olho nu quem é obrigado a circular com seu automóvel ou de ônibus no sentido São Paulo-Santos a qualquer hora do dia.

Os congestionamentos não só ocorrem no sistema Anchieta-Imigrantes, mas na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, prejudicando também a ligação entre os municípios de Cubatão e Guarujá. Em agosto deste ano, o governador Geraldo Alckmin prometeu liberar recursos para que as obras de adequação naquele sistema viário viessem a ser iniciadas em março de 2012, mas, até agora, a Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) não garantiu à Ecovias, empresa responsável pela execução das obras, os meios financeiros para que tudo seja cumprido dentro dos prazos anunciados.

Dessa maneira, ao que parece, mais um adiamento será anunciado em breve. Enquanto isso, os congestionamentos são cada vez mais frequentes e diários, aumentando os riscos de acidente na ultrapassada Via Anchieta, na Rodovia Cônego Domênico Rangoni e na interligação desta com o quilômetro 55 da Anchieta.

Aliás, a burocracia e a lentidão que marcam a atuação do governo do Estado têm contribuído para agravar a situação. Basta ver que a Prefeitura de Guarujá aguarda há um ano e oito meses um parecer da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), empresa ligada à Secretaria estadual de Meio Ambiente, sobre o licenciamento para a implantação de um pátio de caminhões.

Ainda que essa seja uma obra considerada de máxima urgência, já que virá a disciplinar o tráfego de caminhões e carretas na área, além de oferecer condições mais dignas de vida aos caminhoneiros, não se vê maior empenho por parte das autoridades estaduais para acelerar os trâmites para se colocar em funcionamento esse pátio.

Diante disso, urge que os prefeitos da Baixada Santista, reunidos no Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), e os parlamentares da região pressionem o governo do Estado a fim de que sejam aceleradas ações para melhorar a logística e a infraestrutura não só no Polo Industrial de Cubatão como nas áreas portuárias de Santos e Guarujá. Como a situação do tráfego nas vias de acesso ao Porto já é caótica, se houver maior demora, em breve na Língua Portuguesa não haverá adjetivo que possa defini-la.

Mauro Lourenço Dias – Vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br

 

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