Cadeia do Frio: um mercado em lenta ascensão

09/02/2015

Quando falamos em Cadeia do Frio priorizamos a importância do gerenciamento da temperatura em todos os processos, da produção ao consumo. A capacidade do operador logístico de controlar com eficiência a temperatura máxima e mínima de sua carga é o que diferencia as empresas que oferecem produtos frescos e de qualidade das que ficam dependentes de fatores externos. Isso impacta na redução do tempo de prateleira ou “shelf life”, aumento da perda parcial de produto ou mesmo a perda do carregamento.

No setor produtivo, liderado, entre outros, pelo mercado agrícola, de pesca e farmacêutico, o frescor faz grande diferença. Enquanto o gerenciamento correto da cadeia do frio é a solução simples para garantir que o produto mantenha suas propriedades originais, o processo para alcançar esse nível exige cuidados e investimentos que garantirão o diferencial da operação.

Dados de mercado indicam que o setor de transporte frigorificado está passando por um momento de conscientização lento porém crescente. No ano de 2013, devido ao Programa BNDES de Sustentação do Investimento (PSI), as compras de semirreboques e sobre chassis foram antecipadas, levando a um alto número de baús frigoríficos emplacados, bem acima da média. Segundo dados da Anfir (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), em 2013 o mercado de veículos pesados com sistemas de refrigeração cresceu 54% quando comparado a 2012, período com similaridade de incentivos fiscais. Já o mercado de veículos leves frigoríficos cresceu 22% quando comparado ao mesmo ano.

Certamente são dados animadores para a indústria, porém ainda há muito que percorrer para alcançarmos patamares semelhantes ao dos países desenvolvidos. Na Espanha, em que o incentivo e conscientização são maiores, cerca de 30% dos veículos pesados possuem soluções adequadas de refrigeração.

Para um transporte refrigerado adequado e com custos operacionais reduzidos, é importante considerar os seguintes elementos:

Tamanho – As dimensões do veículo e especificação do isolamento térmico devem ser adequadas ao tipo de carga e demanda.

Sistemas de temperatura única ­– Dimensionamento do equipamento adequado para o transporte de produtos congelados ou refrigerados que não exigem diferentes temperaturas.

Sistemas multi temperatura – Uma das tendências no mercado de transporte refrigerado é a distribuição que permite que, em um único veículo, diferentes produtos sejam transportados simultaneamente em diferentes temperaturas. Existem hoje equipamentos no mercado que asseguram o controle de temperatura independente para cada compartimento.

Manutenção – O fornecedor deve oferecer serviços ou programas de manutenção preventiva que minimizem as falhas e disponibilizar assistência técnica que possibilite a rápida solução de quaisquer desafios em qualquer dia ou horário por todo o território nacional.

Esses são alguns pontos que o operador logístico deve obedecer para entregar a carga com as mesmas propriedades com que carregou além de evitar perda de produto e problemas de saúde ao consumidor, como no caso de alimentos, vacinas e medicamentos. Com a cadeia do frio funcionando corretamente em todos seus níveis, evitamos desperdício e podemos providenciar ao país maior produtividade e crescimento como um todo.

O operador pode também trabalhar com outras ferramentas que agregam valor ao serviço, como rastreabilidade e sistemas que permitem o monitoramento da temperatura no interior do baú, bem como suas oscilações, durante todo o trajeto.

Dessa forma, não importa o tamanho e tipo do implemento ou mesmo do modal, mas manter esses sistemas no auge da refrigeração é o que garante a qualidade. O desafio é informar a indústria sobre as melhores práticas a fim de alcançar a eficiência da Cadeia do Frio, combinando com certificações e treinamentos, o que garantirá que o produto mantenha sua textura, cheiro e cor original. É necessário que toda a indústria trabalhe junto de nossos governantes e órgãos públicos a fim de acelerar o crescimento e investimentos na Cadeia do Frio beneficiando produtores, transportadores e consumidores.

 

Roberto Hira

Executivo de contas na Thermo King

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