Brasil e países vizinhos sofrem com roubo de cargas

23/09/2020

*Cyro Buonavoglia

Quando falamos em roubo de cargas, na mesma hora no Brasil e em seus índices assustadores. Realmente os números preocupam, mas o problema é muito maior do que imaginamos, pois atravessa fronteiras e incomoda também nossos vizinhos latino-americanos.

No Brasil, em 2019, foram registrados mais de 18 mil roubos de cargas, de acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC). Segundo a entidade, houve queda de 17% em relação ao ano anterior, quando os delitos ultrapassaram 20 mil casos. Porém, os prejuízos continuam altos, já que as perdas foram de R$ 1,4 bilhão.

Problema global

Ao analisarmos o tema de uma forma global, vemos que o Brasil está em 7º lugar no ranking de estradas mais perigosas do mundo, segundo estudo do JCC Cargo Watchlist, que monitora, mensalmente, situações de riscos. Estamos atrás de países como Sudão, Síria e Afeganistão.

Mas não estamos sozinhos na lista; México está em 8º lugar. No país, que ainda não tem tecnologia embarcada tão avançada, como no Brasil, as cargas mais visadas são alimentos, bebidas (alcoólicas ou não), materiais de construção, produtos químicos e autopeças.

Já o Chile está em uma posição estratégica, pois é uma importante ponte para o escoamento da produção da América do Sul que precisa chegar até o Oceano Pacífico e seguir para o mercado asiático.

No país, 95% do transporte de cargas chileno é rodoviário, o que demonstra a importância de uma logística monitorada e com mais segurança. Isso porque o percurso de uma carga que sai do Brasil até o porto do Chile leva, em média, cinco dias de viagem e muita coisa pode acontecer nesse trajeto.

Entre as cargas mais transportadas no Chile, estão alimentos, grãos, pescados, frutas, vinhos, pecuária, eletrônicos e cobre bruto, que são de alto valor agregado, ou seja, que precisam de tecnologia embarcada para a prevenção de roubos.

Já na Argentina, o cenário é bem parecido com o nosso e, na Colômbia, embora usem ferramentas de gerenciamento de riscos e tecnologia, os números de roubos de cargas também preocupam. O Peru também obteve crescimento no roubo de cargas, inclusive com muita violência, infelizmente.

Prevenção é fundamental

Comemoramos, logicamente, a queda dos roubos em 2019, no Brasil, mas não podemos dar tréguas ao crime, que só existe em função de receptadores, que compram cargas roubadas e incentivam o crime. Como não são punidos adequadamente, a situação continua a preocupar.

Inclusive, é importante enfatizar que a queda aconteceu, além de outras iniciativas das autoridades, pelo fato de as empresas investirem fortemente em tecnologia e medidas de segurança nas operações.

Mas, não podemos descansar. Temos que intensificar ainda mais o desenvolvimento de tecnologias e ações para coibir esses crimes e também unirmos forças com os países latino-americanos e revertermos esse quadro tão preocupante o mais rápido possível.

* Cyro Buonavoglia, 71 anos, com vasta experiência em comércio e indústria, cursou Administração de Empresas pela Faculdade Dom Pedro II; atuou nas áreas de indústria e comércio e é um dos fundadores da Buonny Projetos e Serviços, há 26 anos, que se transformou em um conglomerado de empresas, que busca atender com eficácia o mercado nos segmentos de logística, saúde, tecnologia e energia fotovoltaica. O executivo também fundou as entidades: GRISTEC (Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento) e SINDIRISCO. Atualmente como Presidente do Grupo Buonny, sua principal meta é avançar com o crescimento das empresas que compõe o grupo, por meio de investimentos em tecnologia, que vão melhorar a qualidade dos produtos e serviços prestados.

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