Adoção de novas tecnologias traz segurança para os produtos transportados

22/06/2009

Produtos sensíveis a variações de temperatura necessitam de um controle rígido das empresas responsáveis pelo transporte. O conceito de cadeia fria, que prevê o controle de temperatura durante o deslocamento de cargas vem sendo largamente usado nas ultimas décadas no mundo todo.

Porém, ainda assim, as perdas em termos globais são impressionantes. A Food Science Austrália, um dos mais conceituados institutos de pesquisa sobre alimentos do mundo, calcula um prejuízo que chega a mais de 3 bilhões de dólares anuais com perdas de alimentos devido à má estocagem e transporte inadequado durante o processo.

Já outros produtos representam muito mais que o prejuízo financeiro, como é o caso de vacinas e sangue. Este último, quando exposto a temperaturas mais baixas do que às necessárias, tende a ter uma significativa alteração na sua cor, o que tornaria a detecção de seu estado deteriorado mais fácil. Entretanto, no caso das altas temperaturas, o sangue não apresenta nenhuma alteração visual: o que acarretaria em sérios riscos na sua utilização.

Algumas estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam que apenas no mercado estadunidense, considerado um dos mais profissionalizados no que se refere à cadeia fria, cerca de 2% de todo o sangue transportado tem de ser descartado. Usando a enorme quantidade descartada de sangue no nosso País como exemplo, podemos concluir que, infelizmente, o cuidado que deveria ser compreendido como determinante para o sucesso do processo é ainda no Brasil, encarado apenas como uma obrigação para o cumprimento de uma norma técnica da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Devido ao processo que envolve desde a produção até a venda dos produtos, muitas vezes se torna impossível apontar os responsáveis por qualquer dano, o que pode gerar uma crise de apontamento entre fornecedoras, transportadoras e até mesmo nas empresas responsáveis pela  fabricação das embalagens.

A melhor forma de contribuir no aprimoramento dos processos na cadeia fria é apostar na reeducação dos profissionais envolvidos nos setor. Pode-se averiguar os resultados por meio de sensores e equipamentos que podem avaliar de maneira precisa e clara a necessidade ou não do descarte dos produtos transportados e que servem também para averiguar o desempenho alcançado pelos profissionais envolvidos na cadeia fria. A ideia é fornecer subsídios para um auto-aprimoramento e consequentemente numa maior integração dentro e com os objetivos das empresas.

Entre outras ferramentas importantes que podem ser utilizadas como instrumento de segurança estão os indicadores de temperatura ambiente. Estes equipamentos são ideais para a averiguação da exposição do produto a temperaturas hostis à sua respectiva integridade. De arquitetura simples e eficaz, os dispositivos possuem formato de filamento de vidro e carregam um corante que reage de acordo com a alteração da temperatura adequada pré-estabelecida para o ambiente.

Em outros países, essas soluções já estão em uso e possuem eficácia comprovada. Por aqui, a adoção de novas tecnologias associada a uma mudança de mentalidade, trará não só segurança para os produtos, como também para todos os envolvidos. Então teremos uma situação que estará mais próxima do que podemos chamar, realmente, de ideal.

Afonso Moreira – sócio-diretor da AHM Solution
daniela@evcom.com.br

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