Admirável mundo novo

11/07/2011

Quem já andou pelos portos de Hamburgo, Roterdã e Antuérpia sabe que lá caminhão não fica parado no pátio. Não para nem mesmo para que a nota fiscal seja checada. É tudo automático. São portos robotizados. Esse ideal é o que o Conselho de Autoridade Portuária (CAP) começa a buscar com a implantação pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) de um sistema de controle do tráfego de caminhões no Porto de Santos.

De acordo com esse sistema, que deverá estar implantado até 1º de janeiro de 2012, segundo promessa das autoridades portuárias, somente caminhões com senha de agendamento de acesso e passagem nos pátios reguladores poderão entrar na área restrita do Porto. Informa o CAP que o sistema será totalmente eletrônico, sem interferência humana, com a utilização de software semelhante aos utilizados em Hamburgo, Roterdã e Antuérpia, que reconhecem a placa do veículo e, de posse dessa informação, checam os dados da carga.

Seguindo o exemplo europeu, a verificação da carga será feita no acesso à área portuária, o que evitará que ocorram congestionamentos dentro do Porto. Se algum caminhão não estiver autorizado, seu motorista não terá outra saída a não ser conduzir o veículo de volta à rodovia.

Hoje, o controle é feito por meio de planilhas enviadas pelos terminais. Esse controle, porém, é executado de maneira empírica e não consegue impedir que o tráfego se intensifique ao longo do dia. Até porque caminhões que não estão agendados podem entrar na área portuária e congestionar o trânsito nos acessos portuários.

Até hoje, a Codesp limitou-se a ameaçar os caminhoneiros desavisados sem puni-los, o que tem estimulado o aumento do número de infratores. O que se espera é que, com o novo sistema de controle do tráfego anunciado pelo CAP, em 2012 desapareçam esses problemas.

A modernização do Porto, porém, não pode ficar por aqui. Há outros processos de mecanização e automação portuárias que o Porto precisa adotar. São processos que não envolvem atuação humana, ou seja, portêineres e shiploaders (braços para granéis de soja ou para aspirar trigo ou açúcar).

É verdade que tudo isso representará menos postos de trabalho nessas áreas, pois um trabalhador poderá fazer o serviço que hoje dez fazem a bordo. Mas essa é uma contingência dos tempos. E que já afetou, em outras épocas, carvoeiros, carroceiros, foguistas, ensacadores e outras categorias, que já desapareceram ou estão em vias de desaparecimento.

Em compensação, o Porto precisará cada vez mais de técnicos logísticos, de informática, de processos, de segurança e de meio ambiente, além de gestores de qualidade, categorias que não existiam em um passado recente. Portanto, a qualificação de empregos tende a mudar de maneira cada vez mais rápida. Esse é o admirável mundo novo que o Porto de Santos em breve estará vivendo.


Mauro Lourenço Dias – Vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas.
fiorde@fiorde.com.br

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