
A promulgação da Emenda Constitucional nº 141/2026, que estabelece o fim da escala 6×1 e prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho, coloca os impactos sobre custos, dimensionamento de equipes e eficiência operacional no centro das discussões do setor de logística e transporte.
Promulgada em 16 de outubro, a emenda prevê dois dias de descanso semanal remunerado e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A implementação será gradual: após dois meses, a jornada máxima passa a 42 horas semanais; 12 meses depois, chega a 40 horas.
Para empresas que operam continuamente, como transportadoras, centros de distribuição e operadores logísticos, a mudança pode exigir a revisão das escalas de trabalho, do dimensionamento das equipes e do planejamento das atividades. A necessidade de manter a operação em funcionamento com jornadas menores também pode pressionar a contratação de profissionais e os custos de pessoal.
Estudo da CNT estima aumento nos custos do transporte
Um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, pode elevar em cerca de 8,66% os custos com pessoal do setor transportador. O impacto financeiro estimado é de aproximadamente R$ 11,9 bilhões por ano.
A estimativa reforça a discussão sobre como absorver eventuais despesas adicionais em um setor que depende da disponibilidade de mão de obra para manter o fluxo de mercadorias. Entre os pontos que podem exigir ajustes estão a distribuição das jornadas, a cobertura de turnos, a contratação de trabalhadores e a renegociação de contratos.
Os possíveis efeitos sobre o valor dos fretes e os prazos de entrega dependerão das características de cada operação, da capacidade de reorganização das equipes e das condições contratuais entre transportadores, operadores logísticos e embarcadores.
Planejamento será importante para manter as operações
A adaptação às novas regras deve envolver a análise das escalas atuais, dos horários de maior demanda e das atividades que exigem cobertura contínua. Empresas que trabalham em turnos ou mantêm operações durante fins de semana e feriados precisarão avaliar como distribuir as folgas sem comprometer o atendimento.
O tema também abre espaço para discutir produtividade, automação e revisão de processos como alternativas para lidar com a mudança. Os resultados, porém, dependerão do perfil de cada operação e dos investimentos necessários para adequar a estrutura de trabalho.
Nesse contexto, o Grupo IBL Logística disponibiliza para entrevistas e comentários sobre os possíveis impactos da nova jornada no setor Fernando Balbino, diretor internacional de Comércio Exterior, e Marcos Landiosi, gerente de Projetos.








