Da fazenda ao destino: integração logística se torna decisiva para a competitividade do agronegócio

O agronegócio brasileiro segue ampliando sua relevância econômica e produtiva. Em 2025, o setor respondeu por 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, segundo dados do Cepea/CNA. Para a safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção de 361,7 milhões de toneladas de grãos, o que representa um crescimento de 2,6% em relação ao ciclo anterior.

Entretanto, esse avanço produtivo impõe um desafio logístico complexo: garantir que volumes crescentes sejam movimentados com eficiência entre regiões produtoras, unidades de armazenagem, indústrias, terminais portuários e mercados consumidores. Em um país continental, marcado pela sazonalidade e por longas distâncias, a infraestrutura rodoviária ainda apresenta gargalos — como apontado pela Pesquisa CNT de Rodovias 2025, que indica que pavimentos inadequados elevam em média 31,2% os custos operacionais do transporte.

Para Thiago Cardoso, executivo responsável pelo segmento de Agronegócio na nstech — maior empresa de software para supply chain da América Latina —, a chave para a competitividade não reside apenas na expansão física da infraestrutura, mas no uso inteligente dos recursos existentes.

“O agronegócio brasileiro avançou muito em produtividade dentro da porteira, mas ainda existe um potencial importante de eficiência na conexão entre os diferentes elos da cadeia. Não basta uma transportadora ter tecnologia ou uma indústria ter visibilidade da sua operação. O ganho acontece quando essas informações se conectam e permitem decisões coordenadas, desde a origem até o destino”, afirma Cardoso.

Três pilares da transformação tecnológica na logística agrícola

A nstech aponta três frentes fundamentais impulsionadas pela tecnologia para superar as barreiras logísticas do setor:

  1. Integração entre elos da cadeia: A fragmentação de dados entre produtores, cooperativas, tradings, transportadoras e terminais compromete a visibilidade. Soluções integradas compartilham informações em tempo real, otimizando o agendamento e o planejamento do transporte por meio de ecossistemas como o Transportation Network System (TNS).
  2. Previsibilidade em grande escala: A concentração de volumes durante os períodos de safra exige coordenação avançada. A expansão dos corredores do Arco Norte — cuja movimentação de soja e milho alcançou 106,5 milhões de toneladas em 2025 (alta de 12,5%) — reforça a urgência de integrar modais rodoviários, ferroviários e hidroviários com o uso de torres de controle e gestão de pátios.
  3. Segurança e rastreabilidade: A digitalização permite monitorar em tempo real cargas sensíveis (como fertilizantes, defensivos e produtos perecíveis), transformando a gestão de riscos em uma estratégia preventiva de segurança para motoristas e operações.

O poder do “Efeito de Rede”

O diferencial competitivo do agronegócio brasileiro passa a depender da capacidade de unir os agentes logísticos em um único ecossistema. Ao contrário de ferramentas isoladas, uma rede integrada potencializa os ganhos à medida que novos participantes se conectam, gerando inteligência compartilhada, colaboração e eficiência para toda a cadeia de suprimentos.

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