Pedágios free flow: CNH do Brasil passa a avisar motoristas sobre cobranças

A expansão dos pedágios free flow pelas rodovias brasileiras começa a provocar mudanças que vão além da instalação de pórticos e sistemas de identificação de veículos. A adoção do modelo sem cancelas também exige novas formas de informar os motoristas, processar cobranças e integrar diferentes canais de pagamento.

A partir desta segunda-feira (24), o aplicativo CNH do Brasil passa a oferecer uma nova funcionalidade para ajudar os motoristas a identificar cobranças relacionadas a passagens por rodovias que utilizam o sistema free flow. A iniciativa ocorre em um momento de ampliação do modelo no país e busca reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas pelos usuários: saber onde ocorreu a passagem e como realizar o pagamento da tarifa.

No sistema free flow, pórticos equipados com câmeras e sensores identificam os veículos durante a passagem, sem a necessidade de praças, cabines ou cancelas. Para os motoristas que não utilizam tag, porém, a cobrança é realizada posteriormente, criando uma etapa adicional após a viagem.

Nesse cenário, o usuário pode precisar identificar qual concessionária administra o trecho percorrido, verificar se há um débito registrado e localizar o canal correto para efetuar o pagamento. A situação se torna mais complexa à medida que diferentes formas de pagamento continuam coexistindo, como tag, Pix, cartão e boleto.

A nova funcionalidade da CNH do Brasil busca reduzir essa dispersão na etapa de consulta. Pelo aplicativo, o motorista poderá verificar as passagens registradas e identificar cobranças associadas ao veículo. O pagamento, no entanto, não é realizado diretamente no aplicativo: o usuário é direcionado a um ambiente externo para concluir a operação.

Consulta e pagamento

É nesse ponto que plataformas especializadas em pagamento de pedágio passam a ter um papel complementar. O Pedágio Eletrônico, por exemplo, permite consultar, pela placa, passagens registradas em concessionárias integradas e realizar o pagamento por Pix, cartão de crédito ou carteira digital, sem obrigatoriedade de utilização de tag.

Para Pedro Hermano, CEO do Pedágio Eletrônico, a existência de um canal centralizado para consulta pode facilitar a adaptação dos motoristas ao novo modelo. Ele ressalta, entretanto, que é importante diferenciar o papel de cada agente envolvido no processo.

“É uma notícia positiva o motorista ter um lugar único para saber se passou por um pedágio eletrônico. Mas é importante que ele saiba: quem avisa é a CNH Digital, quem cobra e recebe o pagamento é a concessionária ou um portal como o nosso. Separar consulta de pagamento também é uma proteção contra fraude”, afirma Hermano.

A declaração chama atenção para uma questão que acompanha a expansão do free flow: a necessidade de organizar não apenas a cobrança, mas também a jornada de informação do motorista. Enquanto a CNH do Brasil amplia a disponibilidade de informações sobre as passagens, concessionárias e plataformas de pagamento continuam responsáveis por etapas distintas da operação.

Free flow cria nova jornada para o motorista

A dificuldade de adaptação ao modelo já produziu impactos relevantes. Em abril, o Conselho Nacional de Trânsito suspendeu 3,4 milhões de multas relacionadas ao sistema e concedeu prazo de até 200 dias para que os usuários regularizassem tarifas pendentes sem receber a penalidade.

A evasão de pedágio é considerada infração grave, sujeita a multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. O episódio evidenciou uma das dificuldades da transição para o pedágio sem cancelas: a implantação da infraestrutura física precisa ser acompanhada por mecanismos que permitam ao motorista identificar, conferir e quitar a cobrança dentro do prazo.

Para as concessionárias e empresas que atuam no processamento de pagamentos, o desafio envolve diferentes etapas. Além da detecção do veículo e da identificação da passagem, é necessário administrar autorização, processamento da cobrança, baixa financeira, conciliação e integração com sistemas de diferentes operadores.

A existência de múltiplos canais também acrescenta complexidade à experiência do usuário. Um motorista pode utilizar uma tag em determinadas viagens e, em outras, depender da identificação pela placa e do pagamento posterior. A consulta, por sua vez, pode ocorrer em um canal diferente daquele utilizado para efetivar a quitação.

No Pedágio Eletrônico, o motorista informa a placa para consultar débitos de concessionárias que já estão integradas à plataforma. O pagamento pode ser feito por Pix ou cartão. Usuários cadastrados também podem utilizar uma carteira digital e receber alertas sobre novas passagens.

A plataforma não substitui os canais próprios das concessionárias e ainda não reúne todas as rodovias brasileiras que operam com free flow. A proposta é concentrar, em um mesmo ambiente, as operações das concessionárias parceiras à medida que novas integrações são realizadas.

Integração ganha importância

Com a expansão dos pedágios free flow, a experiência digital posterior à passagem tende a ganhar importância semelhante à tecnologia empregada nos próprios pórticos. O modelo elimina a necessidade de parar o veículo para pagar a tarifa, mas cria uma etapa posterior de identificação e regularização para quem não utiliza sistemas de cobrança automática.

Por isso, o avanço do free flow depende também da integração entre os diferentes participantes dessa jornada. Concessionárias, plataformas de pagamento e sistemas públicos precisam manter seus papéis claramente definidos, ao mesmo tempo em que oferecem ao motorista informações suficientes para localizar a cobrança e evitar pagamentos em canais inadequados.

Para o usuário, a expectativa é que a mesma simplicidade proporcionada pela passagem sem cancelas se estenda às etapas seguintes: saber onde ocorreu a cobrança, conferir o valor, identificar o responsável pelo recebimento e efetuar o pagamento dentro do prazo.

Nesse contexto, a discussão sobre o futuro do free flow deixa de estar restrita à infraestrutura instalada nas rodovias e passa a envolver também a infraestrutura de pagamento, a integração de dados e a experiência digital do motorista.

Compartilhe:
Veja também em Rodovias
Infraestrutura rodoviária avança com duplicação da SP-333, nova fase da Rota Verde Goiás e expansão do free flow nas rodovias brasileiras
Infraestrutura rodoviária avança com duplicação da SP-333, nova fase da Rota Verde Goiás e expansão do free flow nas rodovias brasileiras
SWOT Global alerta que concessões rodoviárias no Brasil podem ampliar riscos de desequilíbrio contratual
SWOT Global alerta que concessões rodoviárias no Brasil podem ampliar riscos de desequilíbrio contratual
Tráfego de veículos pesados recua 4,1% e puxa queda nas rodovias de São Paulo em maio, mostra Veloe/Fipe
Tráfego de veículos pesados recua 4,1% e puxa queda nas rodovias de São Paulo em maio, mostra Veloe/Fipe
Estudo da CNT mostra que metade das rodovias públicas brasileiras tem baixo índice de segurança viária
Estudo da CNT mostra que metade das rodovias públicas brasileiras tem baixo índice de segurança viária
Corpus Christi deve registrar um dos maiores movimentos do ano nas rodovias paulistas
Corpus Christi deve registrar um dos maiores movimentos do ano nas rodovias paulistas
Leilão da Rota dos Sertões é vencido pelo Consórcio 116 Sertões para concessão das BR-116 e BR-324
Leilão da Rota dos Sertões é vencido pelo Consórcio 116 Sertões para concessão das BR-116 e BR-324

As mais lidas

01

Insights Logweb - O movimento da semana de 17 a 21 de agosto
Insights Logweb – O movimento da semana de 17 a 21 de agosto

02

DHL Supply Chain inova com embalagens térmicas retornáveis no transporte de saúde
DHL Supply Chain inova com embalagens térmicas retornáveis no transporte de saúde

03

LATAM MRO de São Carlos, SP, reduz em mais de 96% o tempo de entrega de materiais com uso de drones
LATAM MRO de São Carlos, SP, reduz em mais de 96% o tempo de entrega de materiais com uso de drones