*por Alisson Sousa
A logística sempre foi um dos pilares mais relevantes do atacado distribuidor. Durante décadas, a capacidade de entregar rapidamente era suficiente para diferenciar uma empresa da concorrência. Hoje, no entanto, em um mercado cada vez mais conectado, digital e orientado pela experiência do cliente, a velocidade continua sendo importante, mas já não basta.
O diferencial competitivo passou a ser a entrega inteligente,um modelo logístico que combina agilidade, precisão e transparência para garantir que o pedido seja entregue no prazo acordado, com os produtos corretos, sem avarias, e com visibilidade de toda a operação. Mais do que uma atividade operacional, a logística passou a influenciar diretamente indicadores estratégicos, como nível de serviço, rentabilidade, fidelização de clientes e crescimento do negócio.

Esse modelo ganha ainda mais relevância quando observamos a importância do atacado distribuidor para a economia brasileira. O setor representa mais de 55% do mercado mercearil brasileiro, movimentando R$ 443,4 bilhões, segundo o Ranking ABAD/NielsenIQ 2026. Em uma cadeia dessa dimensão, qualquer ganho de eficiência logística impacta diretamente a disponibilidade de produtos nas lojas, a redução de custos operacionais e a experiência do consumidor final.
Mas, muitas empresas ainda trabalham de forma reativa, descobrindo atrasos apenas quando o cliente entra em contato ou quando o problema já gerou impactos financeiros e reputacionais. Em vez de atuar estrategicamente, a equipe passa a dedicar seus esforços a resolver problemas que poderiam ter sido evitados. Por isso, o monitoramento em tempo real se tornou um requisito operacional.
Ferramentas de Torre de Controle, por exemplo, permitem acompanhar cada entrega, visualizar a localização dos motoristas, registrar ocorrências e compartilhar informações atualizadas com clientes e equipes internas. Essa capacidade de monitoramento aumenta a previsibilidade da operação e permite decisões mais rápidas diante de imprevistos.
Essa visibilidade também contribui diretamente para indicadores como o OTIF (On Time In Full),métrica que avalia se a entrega foi realizada no prazo acordado, na quantidade correta e sem falhas. O acompanhamento desse indicador permite identificar gargalos, medir a qualidade da operação e orientar ações de melhoria contínua.
Outro ponto importante é a integração entre vendas, estoque e logística. Quando essas áreas trabalham de forma isolada, a operação fica sujeita a problemas como ruptura de produtos, erros no planejamento, excesso de estoque e dificuldades para atender rapidamente às mudanças do mercado.
Por isso,a evolução da logística também passa pela adoção de sistemas especializados, como plataformas de gestão de transporte (TMS), que simplificam o controle das atividades relacionadas à frota, auxiliando na gestão da manutenção de veículos, acompanhamento de troca de óleos, peças e pneus, além de análise de orçamentos e multas. Essas soluções proporcionam maior controle operacional, previsibilidade e capacidade analítica, permitindo que gestores tomem decisões baseadas em dados e não apenas em experiências anteriores.
Essa integração torna-se ainda mais importante considerando o perfil do varejo brasileiro. Grande parte dos pequenos varejistas opera com estoques mínimos, mantendo apenas os produtos expostos nas prateleiras. Nesse contexto, o distribuidor assume um papel decisivo para garantir o abastecimento contínuo das lojas.
Não podemos esquecer também que uma comunicação eficiente entre equipes comerciais e logística permite antecipar demandas, analisar históricos de consumo, prever sazonalidades e planejar melhor as reposições. Dessa forma, reduz-se o risco de ruptura, melhora-se o nível de serviço e fortalece-se o relacionamento com o cliente, fornecendo uma venda mais consultiva e mais assertividade operacional.
Além disso, a agenda ESG (Environmental, Social and Governance) também vem redefinindo as prioridades das operações logísticas. A otimização de rotas deixou de ser apenas uma ferramenta para economizar tempo. Hoje, ela representa uma importante estratégia para reduzir custos e minimizar impactos ambientais. Segundo a International Energy Agency (IEA), a emissão de CO2 no mercado de logística cresce 30% por ano, o que reforça que iniciativas voltadas à eficiência logística também contribuem diretamente para os compromissos ambientais das empresas.
Nesse sentido, ferramentas de roteirização conseguem calcular trajetos mais eficientes considerando distância, trânsito, janelas de entrega e capacidade dos veículos. O resultado é a redução da quilometragem percorrida, do consumo de combustível e das emissões de gases de efeito estufa. Esse fator somado ao aumento de caminhões elétricos, que podem chegar a ser 6–8% da frota brasileira em 2030, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Anfavea, contribuem para redução do impacto ambiental no setor da logística.
Na nova realidade do setor, vencer a corrida logística não significa simplesmente entregar primeiro. Significa entregar melhor, com previsibilidade, integração, inteligência e transparência. É essa combinação que reduz custos, fortalece a confiança dos clientes e transforma a logística em um dos principais diferenciais competitivos do atacado distribuidor.
*Alisson Sousa é PO (Product Owner) da MáximaTech, líder em soluções de força de vendas, trade marketing e logística para a cadeia de abastecimento.









