A realização da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, deve ampliar a pressão sobre a cadeia do frio e desafiar operações de transporte e abastecimento de alimentos, bebidas e produtos perecíveis. O cenário reforça a necessidade de maior eficiência operacional, previsibilidade e controle térmico em toda a cadeia logística.
De acordo com Lauro de Toledo, Business Development Manager Sr. da Thermo King, empresa especializada no desenvolvimento de soluções de controle de temperatura para transportes e logística de perecíveis, grandes eventos esportivos costumam provocar aumentos concentrados na demanda por diversos produtos, exigindo respostas mais rápidas e maior capacidade de coordenação entre os diferentes elos da cadeia de abastecimento.
Cadeia do frio exige mais controle e previsibilidade
O impacto tende a atingir supermercados, distribuidores, bares, restaurantes e operadores logísticos, especialmente em períodos de maior consumo. A experiência observada durante a Copa do Mundo de 2022 já demonstrou como eventos esportivos de grande porte provocam picos de demanda em categorias como carnes, bebidas, produtos congelados, gelo e itens de conveniência.
Nesse contexto, a logística refrigerada deixa de ocupar apenas uma função operacional e passa a desempenhar papel estratégico para garantir disponibilidade de produtos, segurança alimentar e redução de perdas.

“Grandes eventos da área esportiva funcionam como um grande teste de capacidade para toda a operação logística. O aumento acelerado da demanda exige respostas mais rápidas, operações mais previsíveis e maior controle sobre toda a cadeia do frio para evitar desperdícios e garantir abastecimento”, afirma Toledo.
A pressão operacional se torna ainda mais intensa nos centros urbanos, onde o aumento das entregas, os congestionamentos e as múltiplas paradas ampliam a exposição térmica das cargas e reduzem a margem para falhas.
Segundo Toledo, os impactos de uma interrupção operacional podem ir além do transporte. “Em operações de alta demanda, qualquer interrupção pode gerar impacto direto no abastecimento, na qualidade dos produtos e na experiência do consumidor. Hoje, controlar temperatura significa também proteger margem, reputação e competitividade.”
Diante desse cenário, empresas do setor vêm ampliando investimentos em tecnologias voltadas à visibilidade operacional. Soluções de monitoramento remoto, telemetria e manutenção preditiva ganham espaço como ferramentas para reduzir riscos, antecipar falhas e aumentar a confiabilidade das operações ao longo do transporte.
Além disso, a busca por maior eficiência energética também se torna prioridade. Equipamentos com menor consumo de combustível e maior disponibilidade operacional ajudam a reduzir custos, minimizar paradas não planejadas e preservar a estabilidade térmica das cargas, especialmente em operações urbanas de alta intensidade.
Especialistas avaliam ainda que os desafios impostos pela Copa do Mundo podem acelerar transformações estruturais na cadeia do frio. Entre elas estão o planejamento antecipado das operações, a integração entre operadores logísticos e o monitoramento contínuo da temperatura, práticas que tendem a permanecer como prioridades mesmo após o evento.
“A logística refrigerada passou a ter influência direta sobre qualidade, disponibilidade e experiência de consumo. Em grandes eventos esportivos, eficiência operacional e controle térmico deixam de ser diferenciais e passam a ser fatores críticos para o negócio”, conclui Toledo.










