A Copa do Mundo de 2026 deve ampliar a movimentação em setores como logística, varejo e serviços, aumentando a necessidade de mão de obra temporária em diversas regiões do país. Segundo estimativas da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (ASSERTTEM), o evento pode gerar até 200 mil vagas temporárias, pressionando processos de recrutamento, admissão e validação de profissionais.
Nesse cenário, especialistas alertam que o desafio das empresas não está apenas em contratar rapidamente, mas em garantir que as admissões ocorram com critérios adequados de controle, conformidade e gestão de riscos.
Para Dielson Haffner, head de vendas corporativas da Netrin, empresa especializada em soluções de Third-Party Risk Management (TPRM), o aumento das contratações pode expor fragilidades em etapas críticas dos processos de admissão.
“Em períodos de pico, muitas empresas acabam priorizando velocidade e disponibilidade imediata de mão de obra. O problema é que decisões tomadas sem critérios mínimos de validação aumentam significativamente a exposição a fraudes de identidade, inconsistências cadastrais, passivos trabalhistas e riscos reputacionais”, afirma.
A avaliação ganha relevância especialmente para operações de logística, que tradicionalmente registram aumento de demanda em períodos de grande movimentação econômica e sazonalidade. O setor costuma reforçar equipes em áreas como armazenagem, transporte, distribuição, centros de distribuição e operações de última milha.

Gestão de riscos em contratações temporárias na logística
Segundo Haffner, o principal desafio das organizações passou a ser a capacidade de escalar admissões sem perder controle, rastreabilidade e conformidade ao longo do processo.
“Não se trata de tornar o processo mais burocrático, mas de estruturar fluxos mínimos de diligência compatíveis com o risco da função. Nem toda contratação exige o mesmo nível de verificação, mas processos totalmente superficiais costumam gerar custos muito maiores no médio prazo”, explica.
Entre as principais vulnerabilidades observadas em processos emergenciais de contratação estão falhas na validação documental, ausência de critérios padronizados de análise, baixa integração entre áreas como Recursos Humanos, Compliance e Jurídico, além da inexistência de monitoramento posterior à admissão.
A Netrin, criada em 2020 a partir de um spin-off da Meta, consultoria de tecnologia brasileira, desenvolve soluções para gestão de riscos de clientes, fornecedores e terceiros por meio de uma plataforma de Third-Party Risk Management (TPRM). Segundo a empresa, a automação de etapas críticas pode contribuir para acelerar admissões sem comprometer os mecanismos de controle.
“A automatização das etapas críticas de validação reduz gargalos operacionais e melhora a consistência das decisões. Isso inclui confirmação de dados cadastrais, validação documental, verificação de regularidade quando aplicável e análises proporcionais ao nível de exposição da função”, afirma Haffner.
O executivo também destaca que consultas relacionadas a antecedentes criminais devem seguir os critérios estabelecidos pela legislação e pela jurisprudência trabalhista brasileira. “Existe entendimento consolidado do Tribunal Superior do Trabalho no sentido de que esse tipo de análise não pode ser aplicado de maneira genérica ou discriminatória. A avaliação precisa estar vinculada à natureza da atividade exercida e aos riscos efetivamente envolvidos”, explica.
De acordo com ele, funções ligadas à segurança patrimonial, transporte de cargas, movimentação de mercadorias de alto valor, operação de equipamentos potencialmente perigosos e atividades que envolvem elevado grau de confiança operacional costumam demandar controles adicionais.
Entre as recomendações para empresas que pretendem ampliar equipes temporárias durante a Copa do Mundo, o especialista cita a definição de políticas padronizadas de análise de risco, a integração entre RH, Compliance, Jurídico e Operações, a utilização de fontes confiáveis para validação documental e a manutenção da rastreabilidade de todas as admissões realizadas.
“A combinação entre velocidade e controle tende a se tornar um diferencial competitivo importante nos próximos anos. Empresas que conseguem escalar operações mantendo governança reduzem retrabalho, evitam exposição desnecessária e aumentam previsibilidade operacional”, finaliza Haffner.










