A inteligência artificial no comércio exterior avança no Brasil com o lançamento da Logcomex.AI, plataforma desenvolvida pela Logcomex para executar operações logísticas de ponta a ponta. A empresa brasileira, especializada em soluções de tecnologia para o setor, completa 10 anos em 2026 apresentando uma nova abordagem baseada na automação operacional.
O lançamento ocorre em um cenário de baixa digitalização no comércio exterior, considerado um dos grandes desafios do setor. Atualmente, o fluxo brasileiro movimenta cerca de US$ 628 bilhões por ano. Segundo a empresa, aproximadamente 26% das importações do país passam por clientes que utilizam suas soluções, o equivalente a cerca de um em cada quatro dólares importados.
A proposta da nova plataforma é substituir a lógica fragmentada de sistemas por uma camada única de inteligência artificial, capaz de integrar e executar processos logísticos. Nesse modelo, denominado “Comex by Command”, o usuário fornece comandos simples, enquanto agentes autônomos executam as operações e o profissional passa a atuar na validação e na tomada de decisões estratégicas.
“Durante décadas, o comércio exterior operou no escuro. Empresas tomavam decisões com baixa visibilidade e reagiam a problemas depois que eles já tinham causado impacto financeiro. O que estamos construindo agora é uma infraestrutura em que a IA não apenas recomenda, ela executa”, afirma Helmuth Hofstatter, CEO e cofundador da Logcomex.

IA amplia automação e reduz tempo operacional
Na prática, a plataforma integra diferentes etapas da operação logística. A tecnologia cruza documentos como invoice, packing list e bill of lading para identificar inconsistências, monitora embarques em tempo real, antecipa riscos e apoia decisões relacionadas a sourcing e compras internacionais. Além disso, permite estruturar processos aduaneiros e executar rotinas contínuas, 24 horas por dia.
Com isso, tarefas que antes demandavam cerca de 20 horas podem ser concluídas em aproximadamente quatro horas, segundo a empresa, representando uma redução de até 80% no tempo operacional. Também há diminuição de 50% a 60% das atividades manuais e execução de até 70% dos processos documentais com revisão contínua.
Esses ganhos operacionais impactam diretamente os custos. A estimativa é de redução média de 15% nas despesas operacionais de importadores e exportadores, além de ganhos de até 7% nas condições de compra internacional, impulsionados pela maior previsibilidade e pela antecipação de riscos.
“O profissional deixa de operar planilhas e passa a atuar como um maestro estratégico. Nossos agentes antecipam gargalos, cruzam documentações e executam o fluxo complexo; o humano apenas valida as ações críticas e direciona o negócio com base em evidências”, afirma Rafael Castelli, CTO da Logcomex.
A empresa também destaca que o avanço da tecnologia ocorre em um contexto de alta complexidade no comércio exterior da América Latina, que movimenta mais de US$ 5,3 trilhões, mas ainda enfrenta barreiras relacionadas à burocracia e à incerteza operacional. No Brasil, menos de 0,5% das empresas atuam no comércio internacional.
“Quando você reduz incerteza, você aumenta confiança. E quando aumenta a confiança, o comércio cresce. O papel da inteligência artificial é justamente criar essa camada de previsibilidade que hoje não existe”, afirma Hofstatter.








