Nova face do Operador Logístico exige tecnologia, integração e papel estratégico na cadeia de suprimentos

De executor operacional a agente estratégico, o Operador Logístico amplia funções com tecnologia, dados e integração, respondendo a exigências crescentes de eficiência, prazos mais curtos e maior competitividade nas cadeias.

O papel do Operador Logístico passa por uma transformação estrutural impulsionada pela digitalização, pela integração de tecnologias e pela crescente complexidade das cadeias de suprimentos. Antes focado na execução operacional, esse agente ganha protagonismo estratégico ao incorporar análise de dados, automação e gestão integrada de fluxos.

Ao mesmo tempo, pressões por eficiência, prazos mais curtos e redução de custos têm redefinido a relação com embarcadores e clientes. Nesse cenário, competências técnicas e gerenciais tornam-se essenciais, enquanto temas como logística urbana e last mile passam a influenciar diretamente decisões operacionais e investimentos no setor.

Mudanças estruturais

Mas, quais mudanças estruturais estão redefinindo o papel do Operador Logístico nos últimos anos?

Carlos Cesar Meireles Vieira Filho, socio-diretor da Talentlog – Consultoria e Planejamento Empresarial, destaca que, ao longo dos últimos anos, o Operador Logístico deixou o papel de mero executor das funções básicas de transporte e armazenagem para se tornar um ator imprescindível e estratégico de recursos, de dados e inteligência que arquiteta novos modelos solucionadores de problemas complexos, entregando, com eficiência, eficácia e a custos previsíveis, operações com os resultados esperados pelos clientes.

“Vivemos a escalada da Logística 4.0 para a Logística 5.0, onde o conceito da eficiência é substituído pela capacidade de adaptação dos processos e dos sistemas em tempo real, pela necessidade da flexibilidade, economicidade e sustentabilidade”, diz Meireles que, a seguir, elenca alguns dos expedientes inovadores, notadamente aqueles que mais efeitos práticos têm sido evidenciados.

Previsibilidade, através da IA e do Big Data: Através da Inteligência Artificial (IA), o planejamento ocorre com maior precisão e previsibilidade, dado a possibilidade de ter um mecanismo capaz de agir, configurar e dispor de vasta base de dados que venham a impedir entropias, perdas, impedâncias e falhas ao longo dos processos.

Torre de Controle na logística (ou Logistics Control Tower): Funcionam como um “cérebro ativo”, onde se tem a visão estendida de toda a operação, desde a localização dos veículos de transporte e movimentação, como se deslocam, oferecendo informações sobre as condições climáticas, as quais otimizam as alternativas de rotas que venham permitir a melhor tomada de decisão, evitando-se perda de tempo e recursos, acidentes, avarias, dentre outras previsões, em tempo real.

Gestão preditiva de estoque: Esse é um dos avanços fundamentalmente estratégicos no mundo dos OLs, quando o preventivo dá lugar para o preditivo, melhor estabelecendo a sazonalidade dos segmentos de mercado, como picos de demanda (ex. Black Friday, Dia das Mães, Natal etc.) com precisão, reduzindo o custo do estoque e capital imobilizado.

Digitalização dos processos como Infraestrutura: A integração de sistemas (ex. ERP, WMS, TMS) via API (Application Programming Interface), que se resume em um conjunto de regras, padrões e ferramentas, permitindo que diferentes softwares se comuniquem entre si.

Automação expressiva das operações: Recursos cada vez mais usados pelos OLs de porte. O uso de AMRs (Autonomous Mobile Robot), de AGV (Automated Guided Vehicle), de LGV (Laser-Guided Vehicle), são tendências irreversíveis. Alie-se a isso tudo, o upgrade que vem sendo incorporado aos processos de picking automatizado e de inventário de estoques por drones.

Sustentabilidade na logística: A “Logística Verde” é uma mudança estrutural e irreversível. A sustentabilidade deixou de ser um argumento ou certificação para se tornar uma métrica de contrato e um compromisso ético com os muitos stakeholders envolvidos.

Descarbonização da frota: Passa desde a mudança estratégica de modais, substituindo racionalmente o rodoviário por cabotagem e/ou pelo ferroviário, até a descarbonização do last mile, utilizando-se de veículos elétricos em centros urbanos, bem como o uso de biocombustíveis.

Gerenciamento do ciclo de vida dos produtos: O OL passa a ser co-gerenciador do ciclo de vida dos produtos, incluindo gestão de embalagens reutilizáveis e devoluções inteligentes. Assim sendo, a Logística Reversa e a Economia Circular tornam-se instrumentos importantes nesse processo.

Regionalização e redesenho das estratégias de localização: Após dois anos de pandemia (Covid-19) e de eventos globais, a exemplo do encalhe do navio conteineiro EverGiven, em 23/03/2021, que paralisou o comércio global por 6 dias, e das incertezas geopolíticas globais, há sinalização da necessidade da mudança estrutural nas cadeias de suprimentos, revendo o Just-in-Time absoluto, para uma abordagem no Just-in-Case, com o aumento de estoques de segurança e a criação de Centros de Distribuição regionais mais próximos do consumidor final.

Participantes desta matéria especial

Também em relação à questão das mudanças estruturais, Marcos Landisoi, gerente de Operações da IBL Logística, concorda com o fato de o Operador Logístico, hoje, atuar em um ambiente caracterizado por cadeias de suprimentos mais complexas, utilizando uma estratégia de negócios que integra todos os canais de venda e atendimento (físicos, online, aplicativos, redes sociais). A ideia é oferecer ao consumidor desses serviços uma experiência de compra consistente, volátil, fluída e, principalmente, unificada, denominada “omnicanalidade”.

“A globalização, combinada com movimentos de regionalização (nearshoring), o crescimento do e-commerce, a necessidade de rastreabilidade ponta a ponta e a agenda ESG de ‘boas práticas ambientais, sociais e de governança’ são fatores que alteraram profundamente o papel do Operador Logístico. Além disso, a digitalização da economia e a necessidade de integração sistêmica entre embarcadores, fornecedores e clientes finais vêm deslocando o Operador de uma função predominantemente operacional para um papel mais integrado à estratégia da cadeia”, detalha Landisoi.

Já Marcelo Zeferino, CCO da Prestex, lembra que o comportamento de compra do consumidor mudou muito rápido, começando em 2018/2019, e deu um salto com a pandemia. Este consumidor passou a exigir uma velocidade que a logística até então não tinha, pois ficou muito tempo estagnada e vista apenas como custo. Sem dúvida, isso teve de mudar, redefinindo o papel dos Operadores Logísticos.

Nos últimos anos, continua Zeferino, a logística deixou de ser apenas suporte e se tornou estratégica para a competitividade das empresas. “O crescimento do e-commerce, a complexidade das cadeias globais e a necessidade de integração tecnológica exigem que os Operadores Logísticos ofereçam soluções cada vez mais ágeis e personalizadas.”

Marcos Lima, gerente Administrativo-Financeiro da Unicargo, também destaca que a crescente complexidade das cadeias globais, a volatilidade econômica, os eventos climáticos extremos, o avanço tecnológico e o aumento das exigências regulatórias redefiniram profundamente o papel do Operador Logístico.

Hoje, não basta executar transporte ou armazenagem. O Operador precisa oferecer visão sistêmica da cadeia, capacidade de antecipação de riscos e flexibilidade comercial e operacional. A resiliência tornou-se um atributo estratégico. “O mercado demanda parceiros capazes de garantir continuidade operacional mesmo diante de rupturas e instabilidades, preservando eficiência, compliance e nível de serviço.”

Digitalização e automação

A digitalização está formulando novos conceitos e modelos, de reativos e isolados, para preditivos e integrados. “Vimos que se eleva o plano de observação de operacional para estratégico, quando o foco deixa de ser apenas em um picking e packing meramente manual e de chão de armazém, para se tornar a gestão inteligente do fluxo sistêmico de informações.”

Ainda segundo Meireles, da Telentlog, a tecnologia desenvolveu picking ainda mais dinâmico e eficaz, como o picking by light ou picking by voice, e quando isso tudo está conectado, gera um conteúdo de dados fantástico.

Outro valor de elevada relevância é a mudança da dimensão de gestão, de visibilidade apenas para antecipação dos processos, permitindo ao Operador que não somente faça o tracking correto da carga, como possa, com precisão, prever os problemas do processo, como atrasos, quebras, avarias, picos de demanda etc., e que possa agir antes mesmo dos seus acontecimentos.

Também respondendo sobre de que forma a digitalização, o uso de dados e a automação estão alterando o modelo tradicional de prestação de serviços logísticos, Landisoi, da IBL Logística, aponta que a digitalização transformou o modelo tradicional, baseado em execução física e controle manual de informações, para um modelo orientado “por dados”.

Sistemas como WMS, TMS, algumas plataformas de visibilidade, analytics preditivo e integrações via API permitem decisões mais rápidas e baseadas em indicadores de performance e em “tempo real”. A automação em armazéns (sorters, picking automatizado, RFID, esteiras inteligentes, etc.) aumenta a produtividade e reduz erros, enquanto a análise de dados permite prever demanda, otimizar rotas, reduzir estoques, etc. O Operador passa a entregar não apenas movimentação, mas inteligência operacional e mais previsibilidade do negócio como um todo, observa Landisoi.

“Não só na logística, mas de forma geral, o mercado aprendeu que não é a quantidade de dados que importa, mas, sim, o que você faz com eles. Na logística se tinha muito controle, informação, muitos especialistas em dados, mas pouca prática. Quando isso foi entendido e otimizado, foi possível melhorar muito a performance, transformando dados em decisões rápidas e precisas. Antigamente era difícil você se posicionar só em uma etapa do processo, hoje é totalmente viável e a indústria vê isso com bons olhos. Dessa forma, fica mais fácil focar nos dados que são específicos à sua ponta de atuação, e assim automatizar e dar mais velocidade ao uso desses dados.”

Ainda segundo Zeferino, da Prestex, o uso de dados e automação permite prever demandas, otimizar rotas e reduzir custos. Plataformas digitais garantem visibilidade em tempo real para rastreamento das cargas. Tudo isso traz um ganho de competitividade aos clientes.

De fato, a digitalização mudou o eixo da logística, acrescenta Lima, da Unicargo, também lembrando que o modelo tradicional, baseado em execução reativa, vem sendo substituído por uma gestão orientada por dados e previsibilidade.

Sistemas integrados, rastreabilidade em tempo real, torres de controle e ferramentas analíticas ampliam a transparência e elevam o nível de governança operacional. A automação reduz falhas, aumenta eficiência e melhora o cumprimento de SLAs. “O Operador Logístico moderno atua como integrador de informações, oferecendo inteligência operacional ao embarcador e contribuindo diretamente para decisões estratégicas”, completa.

Novas responsabilidades

A disrupção do processo resultou na grande metamorfose do setor. E, assim, o OL deixou de ser um mero braço operacional para se tornar o cérebro estrutural dos processos da cadeia de suprimentos e distribuição.

Dito isso, Meireles, da Talentlog, resume as responsabilidades que redefinem o papel do novo OL:

Gestão e Análise de Dados (Data Analytics): O OL é um verdadeiro “depositário” de dados e informações estratégicas do cliente. Além de operar a cadeia de suprimentos e de distribuição, com o transporte, armazenamento e movimentação de carga, ele coleta, trata e gerencia dados ao longo de toda o processo, manipulando dados relevantes, como identificar qual produto está com baixo giro em determinada região e sugerir o remanejamento antes que o estoque vença ou perca valor.

Operational Risk Management (ORM): Em um mundo de incertezas, como crises climáticas, greves, gargalos globais, guerras, riscos com acidentes graves e outros eventos, o OL é o responsável por garantir a integridade das operações, evitando a solução de continuidade dos processos.

Landisoi, da IBL Logística, também lembra que, hoje, o Operador Logístico assume responsabilidades como: gestão integrada de estoques e níveis de serviço; planejamento colaborativo com embarcadores; gestão de riscos e contingências; indicadores estratégicos (OTIF, nível de ruptura, lead time); conformidade regulatória e sustentabilidade; governança de dados e segurança da informação. O papel evolui de executor para integrador, e gestor de performance da cadeia logística, aponta.

“Passamos a atuar como consultores, desenhando estratégias de Supply Chain e apoiando os clientes em decisões críticas. É um papel de orquestrador, que exige visão ampla e capacidade de integrar diferentes processos de forma ágil e estratégica”, completa Zeferino, da Prestex.

Lima, da Unicargo, também atesta que o Operador Logístico evoluiu para um papel estratégico na cadeia de suprimentos. Hoje, participa da gestão de indicadores críticos, contribui para o redesenho de fluxos logísticos, atua na mitigação de riscos e assume responsabilidades relacionadas à sustentabilidade e governança. Em muitos casos, é chamado a colaborar no planejamento logístico do cliente, influenciando decisões de malha, modais e estrutura de estoques. A logística deixou de ser apenas operacional e passou a ser elemento central de competitividade, destaca o gerente Administrativo-Financeiro da Unicargo.

Pressões e impacto na relação OL e embarcadores

A pressão extrema por eficiência, redução de custos e cumprimento de prazos está transformando a relação entre o OL e embarcadores de um modelo transacional de parceria estratégica, de risco compartilhado. Há, contudo, continua Meireles, da Talentlog, por força da disputa acirrada por preços, um quadro de concorrência desleal e/ou assimetria entre os players, o que obriga aos embarcadores a realizarem o correto e justo tradeoff dos seus contratos.

“Ao exigir maior qualidade técnica e capacitação de efetivos, aporte de tecnologia e componentes de inovação e gestão de risco, o embarcador precisa entender que todos esses fatores significam mais investimentos e custos maiores, e o OL entregará uma operação mais previsível e de maior qualidade de compliance.”

De acordo com o sócio-diretor da Talentlog, essa dinâmica impacta a relação em cinco frentes principais:

Mudança no Formato dos Contratos (SLA e KPI): É mister compreender que a relação com base em preço de frete, de handling ou diária de armazenagem não mais pode prosperar como únicos e principais formadores de pricing. Fatores de qualidade, de responsabilidade ambiental, social, de governança, dentre outros, chaves para uma operação logística de excelência, baseiam-se na atualidade nos SLA (Service Level Agreement) negociados e acordados com o cliente.

Sistema Bônus (recompensas) x Malus (penalidades): O Sistema Bônus-Malus é uma ferramenta oriunda do mercado de seguros que alinha interesses de segurados seguradoras e resseguradoras. Ao equilibrar recompensas e penalidades, o sistema promove um ambiente mais seguro e sustentável para todos os envolvidos. Esse sistema prevê bonificações se o OL superar metas de produtividade, avarias, níveis de acidentes ou falhas operacionais e de entregas, por um lado, e multas, por outro, caso os SLAs não forem cumpridos, a exemplo do prazo de entrega OTIF (On Time In Full).

Transparência de Custos: As novas relações exigem transparência. A precificação e a operação em si exigem open book, ou “livro aberto”, onde o OL mostra seus custos reais e a margem é negociada sobre a eficiência gerada.

O OL como Consultor Logístico: O embarcador busca um OL que transcenda a operação em si. Ele quer que o OL seja como um consultor que lhe assessore como melhorar a performance de suas operações, que aponte onde otimizar e melhorar a relação de custo de suas operações.

Sincronicidade e integração de sistemas do OL e embarcador: A pressão por eficiência operacional, por prazos curtos, exige que os sistemas do embarcador e do OL caminhem sincronizados e integrados como se um só fossem, permitindo, em tempo real, que todo o seu processo seja visualizado e rastreado de forma analítica.

Também se referindo a como a pressão por eficiência, redução de custos e cumprimento de prazos impacta a relação entre Operadores Logísticos e embarcadores, Landisoi, da IBL Logística, destaca que a relação tornou-se mais orientada por performance e contratos com SLAs muito mais rigorosos – “premiações por execução, porém, penalizações extremamente agravantes a cada round não cumprido”, como já citado.

Há maior compartilhamento de riscos e exigência de transparência de indicadores. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de colaboração, pois eficiência logística depende de planejamento conjunto, previsibilidade de demanda e alinhamento operacional de ambas as partes! Modelos baseados apenas em menor preço tendem a ser substituídos por modelos baseados em custo total da cadeia e nível de serviço mais seguro para ambos os lados, apregoa o gerente de Operações da IBL Logística.

“Na minha visão, essa redução de custos e essa pseudo pressão que a indústria exerce em cima de Operadores é muito mais quando você não tem mais nada para entregar. E aí, o que resta é o preço”, diz, agora Zeferino, da Prestex.

Ele continua: “cabe aos Operadores Logísticos entender na sua cadeia de valor qual é o seu posicionamento. E tudo bem se você quer trabalhar com um ambiente de commodity, onde só o que você tem é o preço. Mas, se você consegue entregar informação em tempo real, entregar performance, entregar velocidade de dados, entregar possibilidades e discutir com todos os envolvidos na cadeia melhorias para esse processo, você sai dessa seara só de preço e redução de custo.” 

A partir do momento que vira só preço, a cadeia enfraquece e vira um “moedor de empresa” sem fim, onde o que troca é o CNPJ, mas a próxima empresa que vier vai entrar nesse ciclo também. Isso não é saudável, pois a empresa que promove essa “carnificina” de fornecedor, lá na frente vai pagar o preço com o produto, com a entrega, com a insatisfação do cliente, adverte o CCO da Prestex. 

E tem mais: ele destaca que, preservar a cadeia, olhando não só para o preço, mas para relações mais colaborativas, que várias mãos ao mesmo tempo podem construir juntos, é fundamental.

O fato é que, como também explica Lima, da Unicargo, a pressão por eficiência transformou a relação em uma parceria mais estratégica e orientada a resultados estruturais. Reduzir custos não significa apenas negociar tarifas, mas otimizar processos, integrar modais, consolidar cargas e redesenhar fluxos. O embarcador busca Operadores capazes de propor ganhos sistêmicos e visão de longo prazo. Transparência, compartilhamento de dados e alinhamento de indicadores tornaram-se pilares dessa relação. O Operador estratégico é aquele que antecipa soluções, e não apenas responde às demandas, comenta o gerente Administrativo-Financeiro da Unicargo.

Agenda ESG

É de se esperar que a agenda ESG influencie as decisões estratégicas e os investimentos dos OLs. Mas, de que forma isso se materializa na operação?

Para Meireles, da Talentlog, a agenda ESG é uma coletânea de boas práticas em questões de responsabilidade social, ambiental e de governança, mas não significa, contudo, que as organizações tenham verdadeiro compromisso com essa política.

Ser rigoroso com esses valores é o que garante a uma organização estar alinhada a esses princípios. De qualquer forma, essa agenda tem influenciado de forma crescente as decisões estratégicas, operacionais e de investimento dos OLs em todo o mundo. Isso ocorre porque clientes, investidores, reguladores e financiadores passaram a exigir maior transparência ambiental, responsabilidade e inclusão social e boas práticas de governança na cadeia de suprimentos.

“Quando discuto essa agenda com meus clientes, prefiro sempre adotar as boas práticas das Organizações das Nações Unidas (ONU) no que concerne aos 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), os quais têm compromisso com as metas globais para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade até 2030.”

No entendimento do sócio-diretor da Talentlog, os ODS são mais efetivos, e as principais ações que se alinham aos 17 ODS precisam também estar na agenda ESG das companhias.

Descarbonização das operações logísticas: O compromisso aqui é com a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas operações. Isso ocorre por meio da renovação da frota com veículos mais novos com melhor tecnologia embarcada, utilizando-se de biocombustível e/ou com veículos elétricos e híbridos; otimização de rotas com sistemas de IA para reduzir consumo de combustível; programas de neutralização ou compensação de carbono. Grandes OLs globais estabeleceram metas de Net Zero até 2040 ou 2050.

Eficiência energética em centros logísticos: Armazéns, Centros de Distribuição e terminais de carga, portuários e retroportuários passaram a incorporar tecnologias voltadas à eficiência energética e sustentabilidade operacional, utilizando-se de instalação de painéis solares em armazéns e terminais logísticos; uso de iluminação LED inteligente e sensores de presença; sistemas de gestão energética e monitoramento de consumo, assim como focar em certificações ambientais de edifícios, como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) ou WELL (Well Building Standard), que são sistemas de avaliação e certificação de sustentabilidade para edifícios e medem o seu desempenho em diferentes aspectos ambientais, sociais e econômicos.

Logística verde e economia circular: Outra materialização dessa agenda global é a implementação de modelos logísticos mais sustentáveis, e isso inclui uma logística reversa para recolhimento de embalagens, equipamentos ou resíduos, o uso de embalagens recicláveis ou reutilizáveis, redução de desperdícios no transporte e armazenamento, na integração com programas de economia circular de clientes industriais.

Monitoramento e transparência da cadeia de suprimentos: Adoção de sistemas de rastreabilidade e relatórios de sustentabilidade para monitorar impactos socioambientais em toda a cadeia operacional da logística. Isso envolve relatórios de sustentabilidade baseados em padrões como o GRI (Global Reporting Initiative) e o SASB (Sustainability Accounting Standards Board), que são frameworks importantes para relatórios de sustentabilidade.

Outro aspecto que demonstra maior alinhamento da organização com os aspectos de sustentabilidade é o compromisso com o GHG Protocol, quanto à medição de emissões de GEE. Nessa mesma linha de compromissos está a obtenção de certificação EcoVadis, cuja avaliação se estende a montante e jusante das atividades dos OLs.

Condições de trabalho e responsabilidade social: “A dimensão ‘S’(Social) da agenda ESG é a que mais me preocupa enquanto consultor, pois os desafios aqui são gigantes. Investimentos nessa área são vultosos e não podem ser descontinuados. Aqui, programas de ORM (Gestão Operacional de Risco) e cumprimento rigoroso das Normas Regulamentadoras (NRS) do Ministério do Trabalho são muito importantes.”

Nessa direção, prossegue Meireles, deve-se estabelecer programas de capacitação, treinamento e qualificação profissional nos vários níveis da empresa e de forma continuada e consistente. Ademais, é de fundamental importância que as empresas disponham de sérias políticas e programas de diversidade e inclusão, bem como desenvolvam e promovam programas de apoio a comunidades próximas a centros logísticos e portos, a exemplo do Programa Formare desenvolvido pela Fundação Iochpe.

Governança e gestão de riscos: A governança nas organizações passou a ganhar maior importância na estratégia logística, como códigos de conduta ética, compliance e compromisso com políticas anticorrupção; sistemas de gestão de risco socioambiental, a exemplo dos programas de ORM; monitoramento de atitudes responsáveis de fornecedores e parceiros. “É importante estar alerta, pois, no âmbito dos financiamentos multilaterais, a exemplo dos realizados com o BID, CAF e Banco Mundial, são exigidas práticas e critérios ESG.”

Landisoi, da IBL Logística, também relaciona que agenda ESG vem influenciando investimentos em: frota com menor emissão; otimização de rotas para redução de custo de distribuição, risco e CO₂; uso de energia renovável em armazéns; gestão de resíduos e logística reversa; programas de segurança; controle, gestão e transparência de indicadores ambientais. Além de atender exigências contratuais, a sustentabilidade tornou-se critério competitivo, ressalta o gerente de Operações da IBL Logística.

Também para Lima, da Unicargo, a agenda ESG deixou de ser tendência e passou a ser requisito competitivo. De acordo com ele, grandes embarcadores já incorporam metas ambientais e critérios de governança em seus contratos logísticos. Na prática, isso se materializa por meio de inventários de emissões, otimização de rotas para redução de CO₂, renovação e eletrificação de frotas, uso de combustíveis alternativos e investimentos em eficiência energética.

“A sustentabilidade, portanto, está integrada ao modelo de negócio e às decisões estratégicas dos operadores”, completa o gerente Administrativo-Financeiro da Unicargo.

Integração

Também é interessante saber como a integração entre transporte, armazenagem, tecnologia e gestão de informações mudou a forma de atuação dos OLs, lembrando, como coloca Meireles, da Talentlog, que estes são, por fundamento, integradores da cadeia logística de valor. “Essa convergência entre transporte, armazenagem, tecnologia, gestão de informações e estoques criou um novo modelo de operação logística, caracterizado por integração, visibilidade, flexibilidade, automação e tomada de decisão baseada em dados.”

Como resultado, diz o consultor, os OLs passaram a desempenhar um papel central na eficiência e na resiliência das cadeias de suprimento e de distribuição modernas. “Como vimos, o OL transformou-se em um verdadeiro agente estratégico para as empresas, um consultor que precisa estar, inclusive e principalmente, antenado em questões fiscais, tributárias, previdenciárias, trabalhistas e sindicais dos processos dos seus clientes. Estamos na iminência de mudança tributária, e isso deve impactar e interferir nos processos das empresas e de seus clientes”, acrescenta Meireles. (Veja, nesta edição, a matéria especial “Reforma Tributária – Aspectos que impactam nas operações logísticas e no mercado frigorificado”)

Sob a ótica de Landisoi, da IBL Logística, com esta integração, a atuação do OL deixou de ser segmentada por modal ou atividade e passou a ser integrada por processos e sistemas. “A visibilidade do negócio de ponta a ponta nos permite sincronizar melhor e com mais eficiência transporte e armazenagem. Com isso, os Operadores Logísticos têm mais segurança quanto a reduzir estoques, criar regras mais flexíveis de ‘estoque de segurança’ e melhorar o planejamento. A gestão da informação tornou-se o eixo central da operação, conectando todos os elos da cadeia logística.”

Também para Lima, da Unicargo, a fragmentação operacional deu lugar à integração sistêmica. Transporte, armazenagem e tecnologia passaram a atuar de forma coordenada, com visibilidade de ponta a ponta. Isso permite antecipar gargalos, reconfigurar rotas diante de eventos climáticos e manter a continuidade da cadeia com maior previsibilidade. O Operador Logístico assume o papel de orquestrador da cadeia, integrando modais, informações e indicadores em uma gestão centralizada de performance.

No passado se exigia muito que um Operador, que fosse detentor de toda essa gama de serviços e entregasse, da maneira que fosse, tudo isso. Hoje já se sabe que é praticamente impossível ser competitivo em tudo isso. Abriram-se possibilidades para especialistas em cada área, que conversam entre si e se retroalimentam desse conhecimento que essa cadeia oferece, evoluindo dentro da sua atuação,do seu pedaço. 

“Então – prossegue Zeferino, da Prestex –, se eu sou um especialista em armazenagem e consigo levar para o meu cliente diferencial competitivo para que ele possa levar isso ao mercado dele para que o cliente final esteja bem atendido e satisfeito com o seu trabalho, sem dúvida isso é muito produtivo. É o contrário daquele ‘especialista em tudo’, que faz um pouquinho de tudo, mas no final não entrega nada bem feito. Na minha opinião, se especializar naquilo que você já é bom e ter parceiros para aquilo que você não é tão bom se torna um diferencial competitivo muito importante na cadeia.”

Desafios

Considerando o fundamento conceitual dos OLs como integradores de atividades logísticas – como já apontado –, essas empresas enfrentam um grande elenco de desafios, sejam regulatórios, trabalhistas e tributários que afetam a sua evolução.

Meireles, da Talentlog, aponta alguns deles:

Fragmentação institucional: O setor logístico brasileiro é regulado por múltiplas agências e órgãos, o que gera complexidade e sobreposição de regras, a exemplo da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres); ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários); ANAC (Agência Nacional do Transporte Aéreo); RFB (Receita Federal do Brasil); ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária), dentre outros, o que termina por impor consequências que resultam em verdadeiros ofensores para o desenvolvimento do setor, como processos de autorização e de licenciamento bastante demorados, custos administrativos elevados e insegurança jurídica.

Regulação de transporte multimodal pouco consolidada: A Lei nº. 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, que dispõe sobra o Transporte Multimodal de Cargas, ainda é limitada e poucos conseguiram avançar. “O resultado é desastroso, pois além de não se conseguir emitir os conhecimentos OTM, as dificuldades tributárias entre modais são mais um ofensor ao sistema, fazendo com que a exigência de um cipoal de documentos, separados por modal, torne-se ainda mais prejudicial, mesmo com a instituição do DT-e (Documento de Transporte Eletrônico), através da Medida Provisória nº. 1.051, de 18 de maio de 2021, com o objetivo de unificar, reduzir e simplificar dados sobre cadastros, registros, licenças e outras informações de identificação relacionadas ao transporte de carga, servindo como uma plataforma tecnológica que permite a integração de diversos documentos e obrigações administrativas”, completa o sócio-diretor da Talentlog.

Também para Landisoi, da IBL Logística, os principais desafios incluem: complexidade tributária e obrigações acessórias; regras específicas do transporte rodoviário reguladas pela ANTT; exigências da ANVISA para armazenagem de produtos regulados; instabilidade/insegurança jurídica trabalhista; e infraestrutura logística ainda desigual entre as regiões. Esses fatores impactam custos e prazos e impõem a necessidade de compliance mais rigoroso por parte dos Operadores Logísticos, diz Landisoi.

“Sem sombra de dúvida, o grande desafio é a questão tributária. As movimentações dos últimos anos cada vez mais enfraquecem o empreendedor, o proprietário de empresa e a empresa como um todo no Brasil. O cenário que se desenha em curto espaço de tempo é pior ainda. Além da reforma tributária, que, se por um lado, vem para tentar regulamentar, por outro lado sangra muito as médias empresas. O que se desenha de tentativa de impostos em médio prazo pode enfraquecer ainda mais essa cadeia. É assustador”, coloca, agora, Zeferino, da Prestex.

Recentemente, continua ele, “tivemos uma tentativa de impostos que levariam o Brasil para o TOP 3 de maior arrecadador de impostos do mundo, e não discutimos sobre como reduzir custos, como buscar recursos em outras áreas. Essa questão político-tributária é um dos principais desafios”. 

O regulatório, quando bem feito, preserva o cliente final, preserva a sociedade. “Isso não discutimos, a gente acata. Isso é do jogo, faz parte. Agora, quando a gente vem nessa seara de imposto em cima de imposto, e só um lado da corrente ajudando, é muito difícil se manter vivo e saudável para conseguir evoluir e investir cada vez mais”, desabafa o CCO da Prestex.

Lima, da Unicargo, também destaca que o ambiente regulatório brasileiro exige elevada maturidade de governança. A complexidade tributária, as diferenças estaduais, as exigências trabalhistas e as regulamentações específicas por segmento demandam estrutura técnica robusta e constante atualização.

A reforma tributária, iniciada sua implantação esse ano, representa uma transformação relevante para todo o mercado logístico. “Embora traga a perspectiva de simplificação e maior racionalidade no longo prazo, o período de transição será particularmente desafiador. A convivência entre modelos tributários, a necessidade de ajustes sistêmicos, revisão contratual e readequação de processos operacionais exigirão planejamento estratégico e capacidade de adaptação dos operadores.”

Nesse cenário, completa o gerente Administrativo-Financeiro da Unicargo, previsibilidade, compliance e inteligência fiscal passam a ser fatores críticos de competitividade.

Logística urbana

O crescimento do e-commerce elevou significativamente o padrão de exigência em relação a prazos, rastreabilidade e flexibilidade. A logística urbana enfrenta restrições de circulação, desafios ambientais e necessidade de maior agilidade, impulsionando modelos como micro-hubs, consolidação de cargas e roteirização inteligente.

“O last mile tornou-se estratégico porque influencia diretamente a experiência do consumidor final e a reputação das marcas, exigindo Operadores mais tecnológicos e integrados”, aponta Lima, focado na questão de que maneira a logística urbana, o crescimento do e-commerce e as operações de last mile estão moldando novos modelos de serviço.

Já Landisoi, da IBL Logística, destaca que o crescimento do e-commerce ampliou a necessidade de entregas fracionadas, rápidas e com rastreabilidade em tempo real. Isso fez com que os modelos como Cross Docking urbano, pequenos hubs, lockers inteligentes e entregas agendadas, entre outros aspectos e modelo de negócios, adquirissem tamanha relevância.

As operações com foco last mile passaram a ser elemento crítico e de diferenciação, exigindo maior flexibilidade operacional e integração tecnológica. A logística urbana também enfrenta restrições de circulação, exigindo planejamento mais sofisticado, softwares de roteirização extremamente críticos e flexíveis, para comportar o nível de exigências e detalhes da atualidade e de um futuro próximo, pontua o gerente de Operações da IBL Logística.

“O last mile e esse novo modelo de entregas rápidas dentro das cidades urbanas foi o que remodelou esse novo comportamento e atenção para a logística industrial. Tempos atrás você não fazia uma compra de itens essenciais pela internet, você ainda tinha o comportamento de ir até o estabelecimento realizar a compra. Hoje não. E essas pessoas que fazem compras on-line pessoais em sua rotina também negociam insumos e materiais para sua empresa, como pessoa jurídica. Ou seja, as pessoas não aceitam mais aquele comportamento antigo de aguardar sem saber o que está acontecendo.”

Ainda segundo Zeferino, da Prestex, tudo isso começou a pressionar a cadeia e, certamente, trouxe mais critério na escolha do fornecedor. Os Operadores Logísticos que já entregavam isso (agilidade, informação, rastreabilidade em tempo real) ficaram em evidência e tiveram cada vez mais espaço reconhecido dentro do mercado. Toda vez que a régua da qualidade sobe, é bom, pois elimina uma fatia que se beneficia de brechas do mercado e atrapalha quem quer fazer um bom trabalho, diz o CCO.

E Meireles, da Talentlog, completa esta questão lembrando que o last mile representa, em média, 41% do custo total de transporte. Por isso, a eficiência aqui não é apenas sobre satisfação, mas sobre a viabilidade financeira de todo o ecossistema de e-commerce.

A interseção entre o crescimento explosivo do e-commerce e a complexidade das cidades promoveu a logística a um diferencial competitivo estratégico. O desafio não é mais apenas entregar, mas entregar com precisão cirúrgica no last mile.

A seguir, o sócio-diretor da Talentlog elenca alguns novos modelos para atender aos processos de e-commerce, dos Centros de Distribuição de fullfilment nessa linha de atendimento direto ao consumidor (D2C).

Hiperlocalismo e Microfulfillment Centers (MFCs): O modelo tradicional de grandes Centros de Distribuição afastados das cidades está sendo complementado por estruturas menores e urbanas.

A seguir, Meireles cita mais alguns exemplos.

Dark Stores: Lojas fechadas ao público que servem exclusivamente como centros de separação e envio para pedidos online, permitindo entregas em minutos (q-commerce). O q-commerce, ou quick commerce, é um modelo de comércio eletrônico que se caracteriza pela entrega rápida de produtos, geralmente em menos de uma hora após a realização do pedido, diferentemente do e-commerce tradicional, onde as entregas podem levar dias. O q-commerce está focado na agilidade e na conveniência, atendendo à demanda crescente dos consumidores por entregas imediatas.

Micro-hubs: Pontos de apoio em bairros densos para reduzir o deslocamento de veículos grandes e facilitar o uso de modais alternativos.

Diversificação de Modais e Sustentabilidade: A pressão por redução de emissões de GEE e o trânsito urbano saturado forçaram a adoção de veículos mais ágeis, mais compactos e menos poluentes.

Logística Verde: Crescimento do uso de bicicletas elétricas e veículos elétricos leves (VUCs) que circulam melhor em zonas de restrição.

Entregas Autônomas: Testes com drones e robôs terrestres (droids) para curtas distâncias, eliminando o custo e ganhando agilidade em trechos curtos e repetitivos, vêm sendo experimentados. A operação é complexa, demanda licenciamentos e muita expertise dos OLs.

Conveniência e a “Economia da Escolha”: O consumidor não quer apenas receber em casa, ele quer decidir onde e quando. Isso gerou a necessidade de novos modelos, como os que Meireles relaciona a seguir: PUDOs (Pick-up & Drop-off): Redes de pontos de retirada em comércios locais (ex. padarias, farmácias etc.); Smart Lockers: Armários inteligentes em postos de gasolina, lojas, aeroportos, rodoviárias e estações de metrô, permitindo a retirada do produto 24/7 sem interação humana; Logística Reversa Facilitada: O last mile agora também é o “first mile” da devolução, com serviços que coletam o produto na porta do cliente sem necessidade de embalagem.

Tecnologia de Visibilidade em Tempo Real: O cliente quer previsibilidade, e a incerteza é a sua maior inimiga em qualquer experiência com o cliente. Novos serviços focam em:

Rastreamento Preditivo: Algoritmos que avisam o horário exato da entrega com margens de erro de poucos minutos.

Crowdsourcing Logístico: Plataformas que conectam entregadores autônomos à demanda imediata (modelo “Uber” para cargas), dando elasticidade à frota conforme os picos de venda.

OL tradicional x OL estratégico

“Aquele Operador Logístico como era no passado, que só realizava o transporte ou apenas executava algum tipo de operação, aparecia uma vez no ano com um brinde de Natal, desejando um próspero ano novo, está fadado ao fracasso.”

A observação é de Zeferino, da Prestex, quando indagado sobre o que diferencia hoje um OL tradicional de um OL considerado estratégico para a cadeia de suprimentos.

Ainda segundo ele, há uma taxa de mortalidade altíssima em empresas, Operadores de logística, de transporte como um todo, acima de 50% nos primeiros anos. Não basta mais só entregar, não basta mais só fazer o básico. “O mercado exige mais, nós exigimos mais, como consumidores, como pessoa física. E muitas empresas não levam isso em conta na hora de prestar serviço. Hoje, olhar para a tecnologia, olhar para pessoas, olhar para tudo que engloba uma cadeia logística, sem dúvida é um diferencial mandatório para que você possa sobreviver como empresa e evoluir na sua cadeia para levar transformação e outras possibilidades ao cliente final.”

O CCO da Prestex também destaca que o OL tradicional tem como foco principal a execução das atividades de transporte e armazenagem. Já o OL considerado estratégico evoluiu para assumir um papel mais amplo na cadeia de suprimentos, oferecendo gestão integrada, inovação, previsibilidade e visão de longo prazo. Essa mudança reflete a necessidade das empresas contarem com parceiros que não apenas executem, mas que contribuam para a eficiência e competitividade do negócio.

“Em um cenário cada vez mais complexo, o Operador estratégico atua como facilitador de processos, integrando tecnologia, dados e gestão para gerar valor além da operação física. Essa diferença é o que tem redefinido o setor e moldado novos modelos de relacionamento entre operadores e embarcadores”, conclui Zeferino.

De fato, como coloca Meireles, da Talentlog, a transição de um OL tradicional para um OL estratégico é a diferença entre ser um mero executor de tarefas e ser um piloto de projetos e executor de plataformas integradas. No cenário atual, o asset heavy não mais é um diferencial, e sim a inteligência de gestão. Ser asset light ou non asset significa ser flexível e ágil ao ponto de desenhar alternativas capazes de gerar valor e inteligência competitiva.

“O Operador tradicional executa atividades contratadas com foco em custo e cumprimento básico de prazos. Já o Operador com visão estratégica do negócio atua integrado ao planejamento da cadeia, controla, faz gestão e entrega visibilidade e inteligência de dados, participa da definição de estoques e malha logística, compartilha riscos e metas de performance e contribui para decisões de expansão e sustentabilidade.”

Ao relacionar estas atividades, Landisoi, da IBL Logística, entende que a principal diferença está na capacidade de esse Operador gerar valor, além apenas da execução física, por meio de informação, previsibilidade e integração!

Também na ótica de Lima, da Unicargo, o Operador tradicional executa atividades previamente contratadas. Já o estratégico participa do planejamento, integra tecnologia, analisa dados, propõe melhorias estruturais e contribui para a competitividade da cadeia como um todo.

“A diferença está na capacidade de gerar inteligência, previsibilidade, eficiência e sustentabilidade. O Operador estratégico posiciona-se como parceiro de negócios, atuando de forma integrada à estratégia do cliente e assumindo papel relevante na construção de cadeias de suprimentos mais resilientes, eficientes e responsáveis”, finaliza o gerente Administrativo-Financeiro da Unicargo.

Participantes desta matéria

Carlos Cesar Meireles Vieira Filho – Além de sócio-diretor da Talentlog, é mestre em Administração de Empresas pela UFBA/BA; tem MBA em Economia e Relações Governamentais pela FGV/SP; Certificação em Conselho de Administração pela FDC/MG; pós-graduado em Marketing; e bacharel em Administração de Empresas pela UPE/PE. Tem trinta e nove anos de experiência ocupando posições executivas de gestão (“c-Level”), tendo atuado como trader para a América Latina na indústria petroquímica de Camaçari/BA e metalúrgica do cobre, em Dias D’Ávila/BA; como CEO no Centro Internacional de Negócios (PROMO-BA) e diretor de Avaliação de Políticas Públicas da Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia (Seplantec) do Governo do Estado da Bahia; diretor executivo em operadores logísticos e portuários, como a Columbia Nordeste/BA, Grupo Lachmann/SP e RJ, Grupo TPC (vários estados), Santos-Brasil, Guarujá/SP, Multilog, Itajaí/SC e Katoen Natie/SP. Também é cofundador e ex-presidente da ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos) – 2012 a 2021.

Grupo IBL – É um Operador Logístico que oferece soluções integradas para diferentes setores da economia. Presente em todos os modais, atua com operações inbound e outbound em pontos estratégicos do país e com foco nos segmentos farmacêutico, eletrônico, alimentício e no mercado internacional, por meio de soluções em transporte aéreo, rodoviário, fluvial e cabotagem.

Prestex – Solução B2B para carga aérea em todo o Brasil. Oferece operações expressas, monitoramento em tempo real e gestão dedicada, garantindo velocidade, segurança e total controle do início ao destino, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Unicargo – É um Operador Logístico multimodal que oferece serviços em modais aéreo e rodoviário e em comércio exterior, com atuação especializada nos segmentos farma, eletrônico e automotivo.

OL tradicional x OL estratégico
Pontos mais relevantes para essa comparação

Reatividade vs. Proatividade (Predição)

OL Tradicional: Mais passivo, espera o pedido do cliente para iniciar a operação. Atua na resolução de problemas após eles ocorrerem, como nos combates a incêndios.

OL Estratégico: Age como um estrategista, um verdadeiro cientista de dados e utiliza Análise de Dados e IA para prever picos de demanda. Ele avisa ao cliente que o estoque está baixo ou que haverá um gargalo logístico antes mesmo de o problema afetar o consumidor final.

Visibilidade da cadeia logística (Torre de Controle)

OL Tradicional: Oferece rastreamento básico – traking do veículo de carga.

OL Estratégico: O OL estratégico enxerga toda a malha. Oferece Torre de Controle com visibilidade de ponta a ponta, integrando dados de fornecedores, transporte e estoques em tempo real, permitindo ajustes dinâmicos nas rotas e nos fluxos de carga.

Integração Tecnológica e Ecossistema

OL Tradicional: Possui sistemas isolados que exigem processos manuais de troca de informações (ex. planilhas, e-mails).

OL Estratégico: Atua como um hub tecnológico, oferecendo uma plataforma customizada ao cliente. Ele se integra via API diretamente ao ERP e ao e-commerce do cliente. Utiliza tecnologias como IA e IoT para monitorar a integridade da carga e automação robótica (como braços mecânicos ou AGVs) nos armazéns.

Gestão de Ativos (Asset Light vs. Asset Heavy)

OL Tradicional: Foca na ocupação de seus próprios ativos, utilizando-se prioritariamente dos seus veículos e dos seus armazéns.

OL Estratégico: Prioriza a eficiência da rede, do ecossistema, e irá utilizar ativos próprios ou de terceiros para garantir que o cliente tenha o menor custo e o melhor prazo, independentemente de quem exerce a propriedade dos ativos.

Flexibilidade e Gestão de Riscos

OL Tradicional: Possui processos menos flexíveis. Qualquer mudança de rota ou volume gera ineficiência e custos extras elevados.

OL Estratégico: O OL estratégico é resiliente e adaptável a crises (como, gerras ou greves). Implementa a logística elástica, by demand e no modelo Taylor Made (alfaiataria). Ele consegue escalar ou reduzir a operação rapidamente e possui planos de contingência (rotas alternativas, Centros de Distribuição temporários) mapeados para mitigar riscos.

Fonte: Talentlog

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