Falhas em sistemas logísticos podem gerar efeito dominó e comprometer cadeias de suprimentos, alerta COO da Penso Tecnologia

A crescente dependência de tecnologia na logística trouxe ganhos relevantes de eficiência operacional, mas também ampliou a vulnerabilidade das empresas a interrupções em sistemas críticos. Plataformas responsáveis por controlar pedidos, estoques, roteirização, faturamento e rastreamento passaram a ser centrais para o funcionamento das cadeias de suprimentos. Dessa forma, quando ocorre indisponibilidade tecnológica, o impacto pode se espalhar rapidamente por toda a operação.

Centros de Distribuição, transportadoras, operadores portuários e empresas de e-commerce operam atualmente com sistemas integrados que conectam diferentes etapas da cadeia logística. Nesse contexto, a resiliência tecnológica tornou-se um fator estratégico. Uma falha em sistemas logísticos pode ultrapassar o âmbito operacional e atingir diretamente prazos de entrega, contratos comerciais, receitas e até a conformidade regulatória das empresas.

Nos últimos anos, incidentes no setor evidenciaram os riscos associados à dependência tecnológica. Em 2021, por exemplo, um ataque de ransomware contra uma grande operadora global de transporte marítimo interrompeu sistemas de reserva e rastreamento, afetando embarques internacionais e gerando prejuízos estimados em centenas de milhões de dólares. Além disso, em outro caso amplamente divulgado, uma empresa brasileira de logística rodoviária enfrentou paralisação temporária após indisponibilidade em seus sistemas de gestão de carga, impactando prazos de entrega e contratos com grandes varejistas.

Por outro lado, não são apenas ataques cibernéticos que provocam interrupções. Falhas estruturais ou atualizações mal planejadas também podem gerar impactos significativos. Em alguns casos, atualizações em sistemas de gestão de armazéns resultaram no bloqueio temporário de centros de distribuição, exigindo operação manual emergencial e provocando atrasos em entregas em escala nacional.

Segundo Erik de Lopes Morais, COO da Penso Tecnologia, o principal problema está relacionado à ausência de planejamento estruturado para continuidade de negócios. “A logística moderna é uma engrenagem digital. Um sistema de roteirização fora do ar não afeta apenas uma rota. Ele compromete toda a cadeia, desde o carregamento até a entrega final. E, muitas vezes, o impacto financeiro é sentido por semanas”, afirma.

Falhas em sistemas logísticos e impactos financeiros

Outro ponto sensível envolve o alto grau de integração entre plataformas digitais. Sistemas de gestão de estoque, por exemplo, se comunicam diretamente com sistemas fiscais, que alimentam relatórios financeiros e portais de clientes. Assim, uma falha em apenas um desses componentes pode interromper a emissão de documentos fiscais, travar embarques e provocar descumprimento de acordos de nível de serviço (SLAs).

O impacto financeiro dessas interrupções pode ser significativo. Em operações logísticas de grande volume, multas por atraso costumam variar entre 2% e 10% do valor da operação afetada, além de cláusulas contratuais de penalidade por reincidência. Em cadeias que operam com margens reduzidas, esse tipo de ocorrência pode comprometer diretamente o resultado financeiro de um trimestre.

Além disso, há implicações jurídicas relevantes. Com a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o aumento das exigências de rastreabilidade das operações logísticas, uma falha que envolva perda ou exposição de informações pode resultar em sanções administrativas e investigações regulatórias. Esse cenário tende a ser ainda mais rigoroso em operações que atendem o setor público ou segmentos regulados, como farmacêutico e alimentício.

“O setor logístico trabalha com previsibilidade e confiança. Quando há indisponibilidade tecnológica, não estamos falando apenas de atraso. Estamos falando de quebra de confiança contratual e exposição a passivos jurídicos”, explica Morais.

Outro aspecto relevante é o chamado efeito dominó nas cadeias de suprimentos. Uma paralisação em um centro de distribuição pode gerar congestionamento em portarias, atrasar caminhões, comprometer janelas de entrega e afetar operações de clientes em diferentes regiões do país. Dessa forma, o impacto tende a se acumular e, em alguns casos, alcançar escala nacional.

Entre as causas mais recorrentes estão infraestrutura sem redundância, ausência de monitoramento proativo, falhas de integração entre sistemas legados e ambientes em nuvem, além do crescimento de ataques de ransomware direcionados a empresas com alta dependência operacional.

Para mitigar esses riscos, especialistas defendem investimentos estruturados em cloud computing com alta disponibilidade, soluções robustas de backup e disaster recovery, além de monitoramento contínuo 24 horas por dia e testes periódicos de contingência. O objetivo, segundo especialistas, é garantir que o tempo de recuperação seja compatível com a criticidade das operações logísticas.

Para o COO da Penso Tecnologia, a resiliência tecnológica precisa ser tratada como parte da estratégia corporativa das empresas. “Empresas que integram proteção de dados, segurança cibernética e monitoramento contínuo reduzem drasticamente a probabilidade de interrupções graves. No setor logístico, disponibilidade não é diferencial. É requisito de sobrevivência”, conclui.

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