A expectativa da montadora chinesa BYD de elevar para 50% o conteúdo local dos automóveis produzidos em sua fábrica na Bahia tende a pressionar ainda mais a vacância de galpões logísticos na Bahia, especialmente nos empreendimentos dos padrões A e A+. A avaliação é da consultoria imobiliária Binswanger Brazil, que acompanha de perto a dinâmica de oferta e demanda na região formada por Salvador, Camaçari e Simões Filho.
De acordo com a consultoria, o avanço da nacionalização de componentes na cadeia automotiva estimula a instalação de novos fornecedores e operadores logísticos próximos à planta industrial, intensificando a busca por áreas bem localizadas e com especificações técnicas mais elevadas. Nesse contexto, a pressão sobre a disponibilidade de condomínios industriais e logísticos tende a se acentuar.
“A BYD ressuscitou Camaçari: a demanda por terrenos para desenvolvimento de condomínios logísticos e industriais quadruplicou”, afirma Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger. Segundo ela, o movimento reforça uma tendência já observada desde a retomada do polo industrial da região, agora impulsionada por um projeto de grande escala e com forte integração local.

Galpões logísticos na Bahia e níveis de vacância
No encerramento de 2025, a vacância de galpões logísticos e industriais na região analisada atingiu o menor patamar histórico, de 2,2%, uma queda expressiva em relação aos 11,6% registrados ao final de 2024. Ao mesmo tempo, o preço médio pedido por metro quadrado chegou a R$ 25,00, refletindo o desequilíbrio entre oferta e procura, conforme dados da Binswanger Brazil.
Ainda segundo a consultoria, o novo estoque entregue ao mercado em 2025 somou 101.936 metros quadrados, volume inferior à absorção líquida registrada no mesmo período, que alcançou 165.868 metros quadrados. Como resultado, o estoque total de galpões dos padrões A e A+ na região de Salvador, Camaçari e Simões Filho é atualmente de 806.690 metros quadrados, com ritmo de ocupação superior à capacidade de reposição no curto prazo.
Do lado da demanda, os principais ocupantes dos galpões logísticos incluem Mercado Livre, B2W Digital, Americanas, Shopee e Amazon Mundial Logistic, que respondem pelas maiores áreas ocupadas, conforme levantamento da Binswanger.
Por segmento, os empreendimentos estão majoritariamente locados para empresas de comércio e varejo, seguidas por operadores de logística e transporte, além de indústrias, companhias de TI e telecomunicações e organizações do setor de saúde. Dessa forma, a ampliação do conteúdo local da BYD surge como mais um fator de pressão estrutural sobre o mercado imobiliário logístico baiano, em um cenário já marcado por oferta restrita e demanda crescente.








