Mais do que acomodar estoque, o layout do armazém deve garantir fluxo, eficiência e evolução contínua da operação, diz Felipe Montini de Abreu, autor deste artigo para a Coluna do Portal Logweb.
Durante muitos anos, o desenho de armazéns no Brasil foi orientado quase exclusivamente pela capacidade estática: quantos paletes cabem, quantas posições podem ser criadas, qual a altura máxima permitida. Essa lógica, embora ainda comum, já não atende às exigências atuais da Supply Chain, cada vez mais pressionada por custos, prazos curtos e mudanças frequentes no perfil da demanda.
Hoje, o layout de um armazém deve ser encarado como uma decisão estratégica. Mais do que armazenar, ele precisa organizar fluxos, sustentar processos e permitir ganhos de produtividade sem depender apenas da adição de pessoas, mais espaço ou mais equipamentos.
A pergunta é direta: um armazém eficiente é o que tem mais posições ou o que movimenta melhor seus produtos?

Layout não é apenas estrutura física. É fluxo
Layout não se resume a paredes, prateleiras e docas. Ele é, antes de tudo, o fluxo integrado de pessoas, equipamentos e produtos.
Um erro recorrente em projetos logísticos é começar pelo desenho físico antes de entender profundamente os processos. No mercado brasileiro, isso ocorre com frequência, especialmente em expansões aceleradas motivadas pela urgência de colocar a operação em funcionamento, o que acaba criando gargalos permanentes.
Armazéns existem para movimentar produtos. Cada deslocamento desnecessário representa custo operacional, tempo perdido e maior risco de erro. Em operações expressas, farmacêuticas ou de e-commerce, por exemplo, layouts com cruzamento de fluxos entre recebimento, separação e expedição impactam diretamente o nível de serviço.
E não estamos falando apenas de armazéns com docas em ambos os lados, no tradicional modelo em “I”. É possível organizar operações logísticas eficientes em diferentes configurações, como layouts em “U” ou em “L”, utilizando, eventualmente, até mesmo as mesmas docas para recebimento e expedição, desde que em horários distintos e bem definidos. A forma do armazém é menos relevante do que a fluidez do fluxo que nele transita. Quando o processo é bem desenhado, o layout se adapta e não o contrário.
Projetos bem-sucedidos partem do fluxo: entrada, armazenagem, separação e saída devem seguir um caminho lógico, linear e com o mínimo de interferências e desvios possível.
O posicionamento estratégico dos SKUs
Outro ponto crítico é tratar todos os produtos da mesma forma. Na prática, poucos SKUs respondem pela maior parte da movimentação. Ainda assim, é comum encontrar operações onde itens de alta rotatividade estão mal posicionados, obrigando operadores a percorrer longas distâncias ou realizar inúmeras movimentações verticais diariamente.
Quando produtos de giro rápido são alocados próximos às áreas de picking e expedição, os ganhos aparecem rapidamente: aumento de produtividade, redução de esforço operacional e menor necessidade de mão de obra adicional. Já itens de baixa movimentação podem ocupar áreas menos nobres, sem impacto relevante no desempenho.
O layout precisa refletir o fluxo real da operação e não apenas acomodar o que está cadastrado no sistema.
O custo invisível do layout ruim
Poucos KPIs mostram claramente o impacto de um layout mal planejado. O custo aparece diluído em horas extras, aumento de equipes, baixa produtividade e retrabalho. Não é raro encontrar operações com WMS robusto e algum nível de automação, mas com um layout que limita o retorno desses investimentos e não utiliza toda a sua capacidade.
Tecnologia potencializa processos bem desenhados. Quando o layout é ruim, ela apenas torna o problema mais evidente.
Layout também precisa evoluir
Tratar o layout como definitivo é outro erro comum. Mudanças no mix de produtos, crescimento do e-commerce, operações omnichannel e aumento de pedidos fracionados exigem revisões constantes. Bons projetos já nascem com flexibilidade, permitindo ajustes sem ruptura operacional.
Conclusão
O layout de um armazém não é apenas uma solução de espaço. Ele é uma alavanca de eficiência de toda a Cadeia de Suprimentos. Em um mercado cada vez mais competitivo, vence quem movimenta melhor, com menos desperdício e maior previsibilidade.










