Tradicionalmente tratado como um item obrigatório de custo, o seguro embarcado começa a assumir um novo papel no setor de transporte e logística: o de indutor de eficiência operacional, confiança entre os elos da cadeia e geração de receita. Essa é a principal constatação apresentada pela 88i, insurtech especializada no ecossistema de mobilidade, logística e e-commerce, a partir da estruturação de soluções de seguro integradas diretamente à operação das transportadoras.
Em muitos casos, a contratação de seguros é uma exigência legal ou uma condição imposta por grandes embarcadores. Empresas de maior porte, por exemplo, tendem a operar apenas com transportadores que apresentem cobertura adequada. Nesse contexto, o seguro deixa de ser apenas um requisito regulatório e passa a funcionar como fator de acesso a novos contratos e volumes mais elevados de carga. “Quando o embarcador confia no transportador, ele amplia a operação. O seguro funciona como um elemento de credibilidade”, aponta a empresa.

Ao redesenhar a lógica tradicional do setor, a 88i afirma ser possível reduzir em até 30% o custo do seguro, dependendo do histórico de sinistros da transportadora. Essa diminuição, quando combinada ao aumento do volume transportado, altera diretamente a equação financeira do negócio. Assim, em vez de pressionar as margens, a proteção passa a apoiar o crescimento das operações.
Um dos diferenciais destacados está na possibilidade de a própria transportadora repassar seguros a diferentes elos da cadeia. É o caso do seguro de renda voltado a entregadores autônomos, que garante indenização temporária em caso de afastamento, calculada com base na média de rendimentos dos últimos 28 dias. Segundo a empresa, o engajamento voluntário desses profissionais cresce cerca de 15% quando o benefício está disponível.
“O entregador costuma operar em mais de uma plataforma, com valores de diária semelhantes. O seguro de renda cria um vínculo adicional. Ele tende a se dedicar mais à empresa que oferece essa proteção, o que aumenta produtividade e fidelização”, explica o CEO da 88i, Rodrigo Ventura. Como o valor da indenização está atrelado à renda média, o modelo também incentiva o aumento da produção.
Outro eixo relevante é o seguro de proteção de mercadorias, que pode ser contratado de forma flexível — por carga, por CNPJ ou por parte da operação — e revendido ao cliente final ou ao embarcador. Em operações de e-commerce e drop shipping, nas quais a pressão por redução de custos logísticos é constante, oferecer uma cobertura mais acessível do que a disponível no mercado torna-se um diferencial competitivo.
Na última milha, marcada por modelos mais flexíveis e uso de veículos terceirizados, como carros de passeio e motocicletas, a empresa desenvolveu coberturas específicas para roubo, furto e danos à carga. A Uber figura entre as principais parceiras nessa modalidade, e a 88i afirma já ter alcançado 10,1 milhões de clientes protegidos nesse segmento.
Redução de fraudes com seguro embarcado
A digitalização do seguro embarcado também impacta diretamente a redução de fraudes. Ao cruzar dados da operação em tempo real, provenientes de TMS, aplicativos, geradores de etiquetas e do próprio consumidor final, cria-se o que a empresa define como “duas fontes da verdade”. Dessa forma, a redução da incerteza permite que o risco não seja integralmente embutido no preço, tornando o serviço mais competitivo. O pagamento das indenizações ocorre de forma digital, diretamente em carteiras eletrônicas.
Segundo a 88i, o foco em um nicho ainda pouco atendido explica o ritmo acelerado de crescimento. Entre 2021 e 2025, a insurtech contabilizou 30 milhões de apólices emitidas, com taxas de crescimento de 1.500% em 2021, 450% em 2022, 440% em 2024 e 193% em 2025. “As soluções tradicionais são engessadas e, muitas vezes, apenas impõe custos ao transportador. A proposta aqui é diferente: olhar a cadeia inteira e usar o seguro como ferramenta de eficiência”, afirma Ventura.
Ao integrar embarcadores, marketplaces, transportadoras, sistemas de gestão e o consumidor final, o seguro deixa de ser um item isolado e passa a compor estratégias mais amplas de negócio, ampliando a capacidade de fechamento de contratos e sustentação do crescimento em um setor cada vez mais competitivo.








