A segunda etapa do fim da desoneração da folha de pagamento, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, já começa a gerar efeitos mais intensos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas, responsável por mais de 65% da logística nacional. A medida restabelece de forma gradual a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de salários, alterando a estrutura de custos de um setor caracterizado pela elevada dependência de mão de obra.
Nesse contexto, o impacto da reoneração se mostra particularmente sensível. O aumento dos encargos sociais recai diretamente sobre as transportadoras, reduzindo a capacidade de absorção de custos em um segmento que já opera com margens historicamente apertadas. Além disso, o cenário ocorre em um momento de defasagem entre o valor do frete praticado e os custos reais das operações.

Levantamentos do DECOPE da NTC&Logística (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas) indicam que o impacto médio direto da nova etapa da reoneração é de aproximadamente 1,5% ao ano. Contudo, quando somado aos efeitos da primeira fase, iniciada em 1º de janeiro de 2025, o impacto acumulado atinge cerca de 3% em 2026, patamar equivalente a aproximadamente 60% do lucro médio do setor.
Entretanto, os reflexos não se limitam às transportadoras. Reajustes promovidos por fornecedores de serviços e por transportadores autônomos agregados ampliam o efeito total da medida. De acordo com as análises, o impacto indireto pode ser duas a três vezes superior ao efeito direto inicialmente estimado. Como resultado, a pressão sobre o frete rodoviário tende a se intensificar, com potenciais reflexos sobre os preços de bens essenciais e sobre a cadeia produtiva como um todo.
Em nota, a NTC&Logística reforça que o setor não dispõe de margem para absorver novos aumentos de custos. Pesquisa recente da entidade aponta uma defasagem média superior a 10% entre o frete atualmente praticado e o custo real das operações. Dessa forma, sem a devida recomposição dos valores, a rentabilidade das empresas tende a ser significativamente reduzida.
Além disso, a continuidade desse cenário pode comprometer investimentos essenciais em qualidade, segurança e eficiência operacional, ampliando riscos para a logística nacional. O impacto da reoneração, portanto, vai além do equilíbrio financeiro das empresas, alcançando a dinâmica de preços, a competitividade do setor e a sustentabilidade das operações de transporte rodoviário no país.









