A demanda por carga aérea manteve um ritmo consistente de crescimento em novembro de 2025, conforme dados divulgados pela Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA). Segundo o levantamento, a demanda total, medida em toneladas-quilômetro de carga (CTK), avançou 5,5% na comparação com novembro de 2024. Nas operações internacionais, o crescimento foi ainda mais expressivo, alcançando 6,9%.
Ao mesmo tempo, a capacidade global, mensurada em toneladas-quilômetro de carga disponíveis (ACTK), aumentou 4,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já a capacidade internacional registrou expansão de 6,5%, refletindo ajustes operacionais das companhias aéreas diante de um cenário de demanda aquecida em determinados mercados.

De acordo com Willie Walsh, diretor-geral da IATA, “A demanda por carga aérea cresceu 5,5% na comparação anual em novembro de 2025, impulsionada por embarcadores que priorizaram entregas mais rápidas na preparação para a temporada de festas de fim de ano. A forte demanda em mercados emergentes e o crescimento seletivo no Oriente Médio mais do que compensaram a fraqueza observada nas Américas, em meio ao ajuste contínuo ao novo regime tarifário dos Estados Unidos. Globalmente, o quarto trimestre da carga aérea mostrou resiliência, à medida que o redirecionamento estratégico do comércio moldou o desempenho nos principais mercados. O bom encerramento de 2025 é um sinal positivo para o setor de carga aérea ao entrar no novo ano”.
Além disso, o ambiente operacional apresentou fatores relevantes que influenciaram o desempenho do setor. O comércio global de bens cresceu 3,2% na comparação anual em outubro, enquanto os preços do combustível de aviação subiram 5,9% em novembro. Esse aumento ocorreu apesar da queda nos preços do petróleo bruto, impulsionado por interrupções em refinarias, restrições da União Europeia a produtos derivados da Rússia e limitações na capacidade de refino disponível, o que elevou os crack spreads para níveis próximos ao dobro dos registrados no ano anterior.
Paralelamente, o sentimento global da indústria manufatureira mostrou fortalecimento. O índice PMI subiu pelo quarto mês consecutivo, alcançando 51,17 pontos em novembro. Ainda assim, os novos pedidos de exportação permaneceram abaixo do patamar de expansão, ao atingir 49,87 pontos, sinalizando cautela diante das incertezas tarifárias.
Desempenho regional da carga aérea
Na análise regional, as transportadoras da América do Norte registraram queda de 1,6% na demanda por carga aérea em novembro, acompanhada de retração de 2,3% na capacidade. Em contrapartida, as companhias aéreas da Europa apresentaram crescimento de 5,8% na demanda e aumento de 4,1% na capacidade, na comparação anual.
No Oriente Médio, o avanço foi mais significativo, com alta de 7,4% na demanda e expansão de 11% na capacidade. Já as companhias aéreas da América Latina e Caribe tiveram retração de 4,8% na demanda, o desempenho mais fraco entre todas as regiões, enquanto a capacidade caiu 3,0%. Por fim, as transportadoras africanas registraram o maior crescimento percentual, com aumento de 15,6% na demanda e elevação de 18,1% na capacidade.
Por outro lado, os volumes de carga aérea cresceram em todos os principais corredores de comércio em novembro de 2025, indicando resiliência do setor mesmo diante de ajustes tarifários e de um ambiente econômico ainda marcado por incertezas globais.









