No seu novo artigo, o colunista do Portal Logweb Ozoni Argenton analisa o mercado frigorificado brasileiro diante dos desafios previstos para 2026, destacando pressões crescentes sobre custos energéticos, exigências ESG, infraestrutura logística e escassez de mão de obra especializada. O autor também aponta a digitalização, as mudanças no perfil da demanda e o avanço E evidencia que eficiência, tecnologia e sustentabilidade tendem a definir a competitividade dos operadores frigorificados no próximo ciclo do setor.

O Mercado Frigorificado no Brasil (armazenagem e logística de produtos congelados e refrigerados) deverá enfrentar, em 2026, um conjunto de desafios estruturais, regulatórios, econômicos e tecnológicos.
Abaixo destacamos os principais pontos, sob nossa visão, que serão focados e organizados para o desenvolvimento estratégico deste segmento.
1. Custos Operacionais e Energéticos
– Energia elétrica como principal insumo – câmaras frias são altamente intensivas em energia, e a volatilidade tarifária continuará pressionando margens.
– Dependência de fontes não renováveis em parte da matriz energética das operações, elevando custos e exposição a riscos regulatórios.
– Manutenção de equipamentos com custos crescentes, especialmente em instalações e sistemas de refrigeração industrial mais antigos, ainda utilizados por grande parte dos Operadores Logísticos Frigorificados.
Impacto – Redução de margens operacionais e necessidade do repasse de custos ao cliente, o que pode afetar competitividade.
2. Sustentabilidade e Pressão ESG
– Redução de emissões de carbono e adequação às metas ESG impostas por grandes indústrias alimentícias e varejistas.
– Substituição de gases refrigerantes (como HFCs) por alternativas de menor impacto ambiental, exigindo investimentos elevados e retrofit em instalações com maior tempo de utilização.
– Gestão de resíduos e eficiência energética cada vez mais auditadas por clientes e investidores, e pelos órgãos certificadores e fiscalizadores.
Impacto – Necessidade de CAPEX relevante para modernização e risco de exclusão de cadeias globais de fornecimento.
3. Infraestrutura e Logística Nacional
– Deficiências estruturais no transporte rodoviário, principal modal do país, com impactos diretos em prazos e custos.
– Baixa integração multimodal (rodoviário, ferroviário e portuário), limitando eficiência na exportação de carnes, pescados e congelados (proteínas).
– Concentração geográfica das câmaras frigorificadas em polos específicos, como nas Regiões Sul (22,9%) e Sudeste (53,1%), gerando gargalos regionais.
Impacto – Aumento do custo logístico total e perda de eficiência na distribuição nacional e internacional.
4. Mão de Obra Especializada
– Escassez de profissionais técnicos qualificados em refrigeração industrial, automação e manutenção de sistemas complexos.
– Alta rotatividade em funções operacionais, agravada por condições de trabalho e capacitação específica em ambientes refrigerados.
– Custos trabalhistas elevados, incluindo adicionais de insalubridade, produtividade e exigências normativas.
Impacto – Risco operacional, aumento de falhas técnicas e elevação do custo fixo.
5. Digitalização e Tecnologia
– Baixo nível de automação em muitos operadores médios e pequenos.
– Necessidade de sistemas avançados de ERP, CRM, WMS, IoT e rastreabilidade em tempo real, exigidos por grandes clientes.
– Cibersegurança como novo risco operacional em armazéns cada vez mais conectados.
Impacto – Desvantagem competitiva para operadores que não investirem em tecnologia.
6. Mudanças no Perfil da Demanda
– Crescimento do e-commerce alimentar e do foodservice, exigindo maior flexibilidade, fracionamento de cargas, agilidade operacional e rapidez da distribuição do last mile.
– Aumento da demanda por produtos de maior valor agregado (prontos, porcionados, premium).
– Pressão por níveis de serviço mais altos (SLA rigoroso, menor lead time).
Impacto – Necessidade de reconfiguração operacional e investimentos em layout e processos e definição de uma nova estratégia operacional e de serviços.
7. Ambiente Regulatório e Sanitário
– Fiscalizações sanitárias mais rigorosas, especialmente para exportação.
– Complexidade tributária, com possíveis impactos da reforma tributária sobre serviços logísticos e armazenagem.
– Necessidade de conformidade simultânea com normas nacionais e internacionais (MAPA, Anvisa, clientes globais).
Impacto – Aumento do custo de compliance e risco de interrupções operacionais.
8. Competição e Consolidação do Setor
– Entrada de grandes Operadores Logísticos integrados e fundos de investimento no segmento, direcionados a rentabilidade atual do segmento.
– Pressão sobre operadores regionais e familiares (Modernização).
– Tendência de fusões e aquisições, elevando a exigência de escala e eficiência.
Impacto – Risco de perda de mercado para empresas menos capitalizadas e menos profissionalizadas.
Síntese Executiva
Em 2026, o Mercado Frigorificado brasileiro enfrentará um cenário de alta pressão por eficiência, sustentabilidade e tecnologia, com margens mais apertadas e maior exigência dos clientes. Empresas que não avançarem em seus processos de modernização, gestão energética, automação e governança corporativa tendem a perder competitividade frente a operadores mais estruturados e integrados.
Isto fará com que o Mercado Frigorificado novamente tenha seu lugar de destaque na Logística Brasileira, baseado no seu constante crescimento e capacidade de se reposicionar junto ao mercado e clientes










