O prioritário desafio de melhorar a malha rodoviária brasileira 

Por Gabriel Nunes*

A necessidade de investir nas rodovias brasileiras vai muito além da perspectiva da infraestrutura e da logística. Trata-se de um fator essencial para a mobilidade e o desenvolvimento econômico. O Brasil depende massivamente desse modal: cerca de 60% das cargas e 90% dos passageiros são transportados por estradas, um índice elevado em comparação com outras grandes economias, nas quais ferrovias e hidrovias têm participação mais expressiva. Tal cenário exige que a malha rodoviária seja não apenas extensa, mas também de alta qualidade e segura.

A Pesquisa CNT de Rodovias de 2024 revelou avanços, mas também desafios significativos. Apenas 7,5% das estradas pavimentadas do País foram classificadas como “ótimas”, enquanto 26,6% estão em condições “ruins” ou “péssimas”. Além disso, 84,8% das vias são pistas simples, o que limita a capacidade de tráfego. Estima-se que sejam necessários cerca de R$ 100 bilhões para recuperar a infraestrutura existente e adequá-la às demandas nacionais.​

O prioritário desafio de melhorar a malha rodoviária brasileira

Os investimentos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) são uma esperança para a reversão desse cenário, mas precisam ser agilizados. Em uma de suas vertentes, o programa prevê o fortalecimento de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões. Estas são uma estratégia que apresenta bons resultados, pois rodovias sob concessão têm índices de qualidade muito superiores às de gestão pública, com 21,4% em estado “ótimo”, contra apenas 2,7% das públicas​, aponta o estudo da CNT.

Exemplo disso é a Régis Bittencourt (BR-116) no trecho entre São Paulo e Curitiba, que desempenha papel estratégico no transporte de pessoas e cargas no Brasil. Conhecemos bem essa estrada, pois ela atende a uma das principais linhas da Santa Maria, entre as capitais paulista e paranaense. Com 402 quilômetros de extensão, é administrada desde 2008 sob regime de concessão, está totalmente duplicada e tem boa manutenção, fatores importantes para a segurança e fluidez do trânsito.

A modernização e melhoria das estradas têm impactos econômicos e sociais. Vias ruins geram maiores ônus logísticos, aumento de acidentes e perda de competitividade. Cada real investido em infraestrutura rodoviária não só melhora a segurança e a eficiência do transporte, mas também estimula o nível de atividade, reduzindo custos operacionais e criando empregos. Malha rodoviária de qualidade é um fator de crescimento do PIB e integração deste Brasil continental.

*Gabriel Nunes é diretor da Transportes Santa Maria

Compartilhe:
Scania anuncia cobertura estendida de trem de força por até cinco anos na Fenatran e detalha investimentos na rede
Abralog alerta para impactos logísticos e econômicos com a aprovação do fim da escala 6×1 no Senado
Garagem010 estreia na Fenatran 2026 com ecossistema digital voltado ao mercado de pesados
Exportações em alta e gargalos operacionais aceleram transição para o Comex 3.0 no Brasil
Motz anuncia Marcos Garcia como novo Diretor de Produto e Inovação
Correios passam a aceitar descarte gratuito de lixo eletrônico em mais de 6 mil agências

As mais lidas

01

CENTRONAVE alerta para riscos no transporte marítimo em Manaus e defende adoção da sobretaxa de seca

02

Tecnologia semiautônoma da VLI economiza mais de 4 milhões de litros de diesel e evita emissão de 9,3 mil toneladas de CO₂

03

Fulwood anuncia expansão do Infinity Business Park em Extrema (MG) com novos galpões e mais de 800 vagas de emprego