Amazon preocupada com o final do ano

05/11/2021

*Por Vivaldo José Breternitz

Vivemos tempos esquizofrênicos: em alguns casos, faltam profissionais, em outros, o desemprego atinge níveis trágicos. Empresas fecham por falta de clientes; outras tem dificuldades em atendê-los, quer por problemas nas cadeias de suprimentos, quer pelo volume que vendem – esse é o caso da Amazon, que afirma incorrer em custos adicionais da ordem de vários bilhões de dólares a fim de garantir que seus clientes recebam seus pedidos dentro do prazo neste final de ano.

Andy Jassy, ​​que substituiu o fundador da Amazon, Jeff Bezos, como CEO da empresa em julho desse ano, disse recentemente que esses custos adicionais são decorrentes da escassez e aumento do custo de mão de obra, problemas nas cadeias globais de suprimentos e aumento dos preços de fretes.

Seus comentários foram feitos no momento em que a empresa divulgou dados financeiros para o terceiro trimestre, que mostram uma receita de US﹩ 110,8 bilhões, marcando o quarto trimestre consecutivo de receitas acima de US﹩ 100 bilhões. O número também marcou um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas foi significativamente menor do que o aumento de 27% registrado no segundo trimestre.

O lucro foi de US﹩ 3,2 bilhões, cerca da metade do mesmo período do ano anterior. No geral, os números não atenderam às expectativas de Wall Street, fazendo com que as ações da Amazon caíssem mais de 4% no pregão de 27 de outubro, data em que os números vieram a público.

Como parte dos esforços para garantir uma operação de entrega tranquila durante a temporada de férias, a Amazon está contratando 150 mil trabalhadores temporários, apenas nos Estados Unidos, com uma remuneração média inicial de US﹩ 18 por hora, bônus de até US﹩ 3 mil na contratação, um adicional de US﹩ 3 por hora para trabalho em alguns turnos e locais, bem como a oportunidade de efetivação.

Outras medidas já foram tomadas para melhorar a logística; a Amazon abriu recentemente seu novo hub de carga aérea baseado no aeroporto internacional de Cincinnati, local onde são processados milhões de pacotes todas as semanas.

Além das compras de Natal, a Amazon está preocupada com as entregas decorrentes das milhões de compras efetuadas na Cyber ​​Monday e Black Friday, que acontecerão em novembro.

O que parece tornar a situação um pouco menos caótica é o fato de que muitos clientes anteciparam suas compras de Natal, preocupados com atrasos na entrega.

*Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor do Programa de Mestrado em Computação Aplicada da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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