A crise e os desafios de uma logística flexível e resiliente

26/07/2017

Em tempos de crise só são nichos de oportunidades para aqueles que tem a capacidade de gerir toda a cadeia logística. Este artigo tem como objetivo principal alertar e assegurar que a flexibilidade é uma palavra-chave no mundo moderno. Sem ela, fica muito mais difícil gerenciar qualquer negócio. Metodologias rígidas de controle não são muito adequadas às constantes transformações do mercado e às contínuas inovações disruptivas –( ID) e tecnológicas. As operações logística envolvem processos, estratégias, recursos, materiais, procedimentos, informações e sistemas. Se existem tantas variáveis mutantes e flutuantes inerentes à logística, é preciso que implementemos uma logística resiliente. Mas, afinal diante desse atual momento de crise qual melhor comportamento da logística? Em tempos de crise, estimular a ID e o desenvolvimento do pensamento criativo deve estar entre os objetivos estratégicos de uma gestão da logística resiliente.

Homeostase: Com influência do meio externo (crise), manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes internos. – Resiliência: A capacidade de se recuperar ou se adaptar a mudanças, nesse caso oriundas da crise. – Crise: Evolução, distúrbio ou retrocesso econômico. Não existe formula mágica, as Organizações se adaptam a tudo a sua volta e a todo momento, as vezes de forma lenta quase imperceptível e as vezes de forma drástica. A Logística não foge a isso, assim como outros setores das Organizações irá se adaptar. Sua forma de agir, pensar e enxergar processos, métodos, novas tecnologias e até mesmo a próprio medo generalizado, onde é proporcional ao tamanho da crise ou do problema, gera uma reflexão profunda de toda a cadeia de Supply Chain e consequentemente mudará a realidade, mudando paradigmas, porém Organizações medíocres se resumem apenas em demissões e reduções de custos, o que não está errado, mais pouco significativo no que diz respeito a conceitos e mudanças profundas.

Torna-se imprescindível cuidar bem da logística, justamente pela vantagem competitiva diante deste ambiente de total incerteza! Levando-se em consideração que a base de tudo é a ciência da Administração e sua essência é a adaptação, certamente quem não se adequar estará comprometendo sua permanência no mercado. Além, da parte técnica a situação exige integração econômica. A maximização da utilização, sempre atendera o interesse do empresário.

Novaes (2001) define quatro fases explicitas na evolução do conceito de logística. São elas atuação segmentada, atuação rígida, integração flexível e integração estratégica SCM (Supply Chain Management). A terceira fase (integração flexível) que o autor define, iniciou-se ao final dos anos 80. Os recursos tecnológicos já permitiam a integração dinâmica e flexível entre os elos da cadeia de abastecimento, mas somente em dois níveis e par a par, ou seja, dentro da empresa entre cliente e fornecedor, no chamado dois a dois.

Executar os processos com extrema eficácia em ambiente e escassez de recursos mantendo o nível de serviço e reduzindo custos. É algo que em alguns processos pode ser muito perigoso, mas muitas vezes as empresas não tem alternativa. Veja que em muitas empresas gasta-se muito tempo para corrigir erros, ajustar inventário, acertar cadastros mal feitos. Então se fizessem certo da primeira vez muitos custos seriam eliminados ou até flexibilizados. A logística pressupõe flexibilidade com ou sem crise, pois as variáveis (mutantes e flutuantes) que a definem estão sempre mudando.

A gestão da cadeia logística e a resposta rápida (Aliando homeostase e resiliência)

Se por um lado, a palavra crise está estampada todos os dias nas principais páginas de notícias da internet, de jornal, na televisão, no rádio. Os números apresentados sobre a economia são cada vez mais alarmantes e desanimadores. Diante de tal cenário, uma característica essencial para não se deixar abater e seguir em frente é a resiliência. No campo da física, esse termo é utilizado para calcular o quanto de energia pode ser absorvido por um material que ao sofrer um determinado impacto é capaz de se regenerar e voltar a sua forma original, mesmo depois de deformado. E justamente por conta disso a palavra resiliência foi apropriada por pesquisadores que passaram a se interessar em estudar pessoas que permaneciam saudáveis mesmo sendo expostas a severas adversidades.

Por outro, o termo resiliência pode ser entendida como a capacidade do indivíduo de “segurar as pontas” em situações de pressão e situações adversas (que pode ser de situação problemática mal definida ou de situação problema explícita onde se requer mudanças sistematicamente desejáveis e culturalmente viáveis com vistas para uma ação para melhorar a situação problema, usando suas habilidades para crescer e aprender com os desafios. A cadeia de abastecimento é composta por vários setores, representando um conjunto de processos necessários para obter materiais, agregar-lhes valor dentro da concepção dos seus clientes e disponibiliza-los onde e quando os clientes desejarem. Enfim, é um setor dinâmico, cheio de desafios e muito propenso a conflitos. Quem decide trabalhar nas áreas que envolvem o abastecimento e obter sucesso, precisam ser profissionais resilientes e não resistentes. Em períodos de crise, onde as empresas precisam ser rápidas para acompanhar as mudanças do mercado, é comum o profissional resistente atrapalhar o ritmo do processo, pois ele resiste em sair da zona de conforto, onde normalmente não existem riscos e ele não terá aborrecimentos. Diferente do profissional resiliente, que sempre é flexível e contribui com a empresa de forma positiva.

Segundo o Council of logistics Management (CLM, já em 1995), a definição de uma cadeia logística ideal é dada pela demanda do cliente por um fluxo de entrega eficiente. Cada vez mais as empresas de classe mundial direcionam seus esforços no sentido de usar velocidade e rapidez nas entregas como estratégias competitivas. Para Filho (2011) soluções com base no tempo exigem que sejam cuidadosamente analisadas as cadeias logísticas, tendo em vista e considerando três fatores essenciais: o primeiro são os sistemas puxados, o segundo é a compressão do tempo e o terceiro é a velocidade, cada um dos fatores exige mudanças na forma como se negocia nas empresas. A velocidade é o principal mandado da logística contemporânea, e seu objetivo consiste em executar as atividades essenciais mais rapidamente e com maior precisão. Com isso você já pode ter percebido que o foco principal da velocidade é aumentar o giro de estoques, uma vez que existe uma relação direta entre a estrutura da cadeia logística e a redução do tempo de entrega. Em essência, o que se deseja é criar uma cadeia logística responsável que possa substituir estoques por informações, com base na união dos recursos disponibilizados pela tecnologia da informação com a necessária flexibilidade e resiliência operacional. (Filho apud Christopher, 2011, p.41).

Nesse momento de crise atual eu arrisco, conforme o propósito inicial, à alertar e assegura que a gestão resiliente da cadeia logística pode ser a principal protagonista nas empresas, pois entendo que ela além de dar resposta nas operações e se adaptar as mudanças, ela pode antecipar movimentos e estudos que impactarão diretamente no resultado. Aplicando técnicas de supply as empresas vão planejar melhor, comprar melhor, produzir melhor e vender melhor, ou seja, reduz desperdícios e aumenta o lucro, sonho dos empresários, Não existe receita mágica no mundo dos negócios e, diante desse cenário, é mandatório e imperativo oferecer aos clientes a maior flexibilidade possível dos processos logísticos para atender suas necessidades (prazos de entrega reduzidos, competividade nos preços através da racionalização dos custos de produção, disponibilidade de estoque, etc.). Flexibilidade é tudo, pois processos rígidos não respondem a mudanças constantes que nosso país necessita e vive. A flexibilidade logística fará a diferença entre o sucesso e o fracasso. Teríamos mais ainda se políticas públicas fossem realmente aplicadas e cumpridas no prazo. Estamos muito atrás de outras realidades. O maior caos que temos no Brasil é logística atual, em detrimento da nossa crítica infraestrutura (malha logística) precisamos criar alternativas estratégicas. não somente a Logística, mas sim todas as áreas das corporações tem que se lançar em projetos de readequação de demanda e certamente ter a flexibilidade em se ajustar num cenário aparentemente “pós-recessivo”, há indícios de que a economia esteja tendo uma leve retomada, sendo assim necessitará novamente de flexibilidade nas readequações das demandas.Flexibilidade é o caminho.

Adm. Gilvam Vieira da Silva (CRA – 1- 5243)
Mestrando em Ciências Empresarias com ênfase em Logística e Supply Chain Management
Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Professor, Servidor Público e Pesquisador acadêmico. Formado em Administração de Empresas. admgilvan@yahoo.com.br

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