*Anderson Ozawa
Prevenção eficaz é aquela realizada periodicamente, e não a que ocorre de forma situacional. Deve ser continua porque funciona como uma dieta, em que a atenção é constante para que as rotinas disciplinadas possibilitem o resultado desejado, em todas as operações do varejo. Por esse motivo, esta frente de trabalho atua como um órgão de governança.
Quando se faz no sentido de “ apagar um incêndio” ocorre o relaxamento, causando um prejuízo em maior escala. Infelizmente, esse comportamento é facilmente identificado em gestões amadoras, que ainda se questionam o porquê de não conseguirem o resultado esperado.
Há também empresas que ainda realizam muitas formas de mensuração incorretas (metodologia, entendimento ou qualidade) feitas por sentimento, onde é possível identificar a total falta de profissionalização. Ou, adotam procedimentos que julgam ser eficientes, mas vale lembrar que somente uma auditoria especializada poderá qualificados. Essas, atribuíram números insatisfatórios, gerados ao longo de 2015, a atual crise.
O que comprova este cenário é a 15ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) em parceria com o Programa de Administração do Varejo (Provar), divulgada ano passado. O estudo aponta que as perdas associadas a roubos, furtos e problemas operacionais foram de 2,89% do faturamento líquido das empresas varejistas do Brasil em 2014. O ano de 2015 marcou o maior índice desde 2002, quando o estudo começou a ser desenvolvido. Em 2013, já havia atingido o ápice de 2,31%.
Mesmo com a profissionalização dos últimos anos, a maior parte do varejo ainda não despertou para a importância de uma área estratégica de prevenção de perdas e encara a implantação de rotinas, controles no negócio e capacitação como custo e não investimento. Se todo o processo de gestão de perdas for realizado corretamente, uma perda de 3%, por exemplo, cairia para 2% aumentando o lucro para 1%. Com essa margem, é possível seguir investindo, gerar empregos, oferecer preços competitivos e fazer a economia girar.
A boa notícia, porém, é que o varejo brasileiro possui todas as condições para alcançar patamares de índices do exterior, que são de 1,4 %, transformando a prevenção de perdas na base da estratégia do negócio. A adoção desta prática pode ser aplicada em empresas de diferentes tamanhos e segmentos.
Em questão de tecnologia, o segmento tem praticamente tudo o que existe a disposição, mas já pode esperar por novidades como é o caso das soluções de vídeo analytics. Com regras bem definidas, reduzem o impacto decorrente de riscos causados por erros humanos, além de aumentarem a probabilidade de acerto nas decisões.
A novidade é capaz de fazer a contagem dos itens passados pelo operador via processamento de imagem. Um de seus diferenciais é a contagem cruzada com o que foi efetivamente registrado, fazendo com que o sistema possa gerar alertas em tempo real no caso de inconformidades. Caso o operador de caixa passe um produto, mas não o registra, um sinal é emitido. O sistema também foi desenvolvido para identificar a remoção da etiqueta magnética pelo operador. Se o produto não for registrado, há também a emissão de alerta.
Uma tecnologia que no curto e médio prazo também será impactante nas estratégias de prevenção de perdas é a solução de revenue assurance, um sistema que trabalha com dados de gestão da empresa. De acordo com as regras de negócio estabelecidas, consegue monitorar e antecipar perdas no estoque, financeiras e produtividade. Através de um dashboard, é possível ter todos os principais indicadores do negócio e as análises de perdas incorridas, recuperadas e as que poderão acontecer.








