Portos: um bom momento

Apesar do cenário econômico carregado e das medidas drásticas, os portos registraram aumento na movimentação de cargas no primeiro quadrimestre do ano.

01/06/2015

Apesar do cenário econômico carregado e das medidas drásticas que o governo Dilma Rousseff foi obrigado a tomar para gerir a “herança maldita” que recebeu de si mesmo, os portos registraram aumento na movimentação de cargas no primeiro quadrimestre do ano. Só o porto de Santos, por onde passam 27% do comércio exterior brasileiro, movimentou no período 35,8 milhões de toneladas, resultado 3,5% superior à melhor marca até então (34,5 milhões), obtida em 2013.

É de se ressaltar que o resultado poderia ter sido maior, não fosse o incêndio que ocorreu em seis tanques da Ultracargo, de 2 a 10 abril, período em que os embarques e desembarques de granéis líquidos no Píer da Alemoa foram interrompidos e o tráfego na área de acesso à Margem Direita ficou restrito, reduzindo em 50% a movimentação de veículos.

Segundo relatório divulgado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), as operações de contêineres também registraram evolução: foram 1,19 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), com um crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2014. Em unidades, foram movimentados 767,9 mil contêineres, com um aumento de 10,5%. A principal carga embarcada foi soja em grãos e farelo, seguida por açúcar. Já as importações responderam por menos de um terço da tonelagem de cargas movimentadas no quadrimestre: foram 10,8 milhões de toneladas, com um crescimento de 3,8% no período.

Esse crescimento foi registrado também em outros complexos marítimos. Em Paranaguá-PR, por exemplo, houve um recorde histórico de movimentação em abril, quando os terminais escoaram 1,4 milhão de toneladas de soja. Em Natal-RN, o aumento foi de 15%, especialmente nas operações de frutas, trigo e equipamentos eólicos. Nos complexos do Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Barra do Riacho e Praia Mole), houve alta de 17%, atingindo-se a marca de 9,5 milhões de toneladas. Em Ilhéus-BA, o crescimento foi de 50%, impulsionado pela exportação de minério de ferro e minério de magnesita.

Como se vê, os portos nacionais hoje vivem, praticamente, um boom nas exportações de commodities, enquanto os produtos manufaturados perdem competitividade, o que tem resultado em redução de empregos na indústria. Para piorar, o governo, a pretexto de resolver o problema das contas públicas, só pensa em aumentar impostos. Hoje, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), paga-se 37% do Produto Interno Bruto (PIB) em impostos. E não se vê a contrapartida em benefícios para a economia e para a população.

Seja como for, o governo decidiu deixar de lado muitos cortes previstos para obras de infraestrutura no setor portuário, contentando-se em cortar R$ 177 milhões, ou seja, 17,7%, indo o orçamento de R$ 995 milhões para R$ 818 milhões. Em compensação, o Ministério dos Transportes perdeu 36% dos recursos previstos, indo o seu orçamento de R$ 15,8 milhões para R$ 10,1 milhões. Como a pasta, tradicionalmente, não consegue gastar 50% das verbas orçamentárias, isso significa que menos obras de infraestrutura viária serão executadas, o que fazer prever uma piora no sistema logístico do País.

Milton Lourenço

Presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

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