Omni-Channel não é mais exclusivo para o varejo

06/04/2014

Quem tem acompanhado as publicações do setor nos últimos anos, sabe que o “Omni-Channel” está entre os temas mais comentados do momento. Embora os artigos sempre pareçam vincular o Omni-Channel inexoravelmente ao varejo, as ramificações deste novo paradigma de execução também afetam o design dos centros de distribuição e a funcionalidade dos sistemas de gestão de depósitos (WMS, na sigla em inglês) praticamente em todos os segmentos verticais da cadeia de suprimentos.
 
O setor de bens de consumo, no qual a distribuição é altamente integrada com a manufatura, recebe uma demanda cada vez maior por parte dos grandes varejistas para fornecer remessas diretamente ao consumidor. Isso pode levar a um processo de execução bastante complexo, sendo que o WMS não é otimizado simplesmente para conclusão dos pedidos das grandes redes varejistas, mas também para gerenciar e aumentar a eficiência da matéria-prima e da produção, bem como para separar a execução em processos de entrega direta ao consumidor e nos tradicionais processos.
 
Antes de serem denominados como centros de distribuição (CDs), os depósitos eram considerados um elo no fim da cadeia de suprimentos, um local onde se acumulava mercadorias após a manufatura e as guardava até a execução do pedido final.  Um WMS não é um sistema de gestão de centros de distribuição, pois essa solução surgiu nos primórdios da era dos depósitos e evoluíram sob o paradigma da automação e do aprimoramento das operações para uma instalação estática que, até pouco tempo atrás, ainda era considerada como um estágio independente no fim do processo de execução.

Os poucos artigos sobre o Omni-Channel que vão além e chegam a destacar a funcionalidade do WMS, acertam quando ressaltam as diferenças fundamentais entre a execução da distribuição no varejo e na manufatura/atacado. Enviar caixotes e paletes com um número relativamente pequeno de linhas no pedido para um conjunto limitado de clientes é algo muito diferente em relação ao número enorme de caixas pequenas e pedidos que exigem separação individual para entrega em conjunto limitado de pedidos apenas pelo local da residência dos usuários finais.  Acrescente a isso a necessidade maior, e cada vez mais crucial, de uma avançada funcionalidade de divisão e programação de mão de obra para aprimorar esse novo processo, assim como a demanda por um WMS robusto para comportar esse novo patamar de sofisticação.  Embora somente essas diferenças fundamentais no processo operacional já sejam suficientes para exigir uma revisão completa das operações de distribuição e, até mesmo, a avaliação da hipótese de adotar uma nova solução – ainda que o atual pacote de WMS tenha sido implementado há poucos anos – muitas empresas continuam trabalhando sob o paradigma do “WMS no fim” da execução.  Essa realidade pode resultar em critérios que tendem muito mais para as funções, seguindo o paradigma tradicional, do que para os objetivos mais amplos em termos de execução. Assim como o depósito tornou-se o centro de distribuição, ele não deve mais ser considerado como o fim do processo de execução, mas sim como um “WMS no meio” do processo.
 
Essa mudança para o meio começou há aproximadamente vinte anos, com o surgimento da execução de pedidos just-in-time (na hora certa).  Com a queda dos estoques de produtos acabados, os sistemas de gestão de pedidos passaram a ter uma integração ainda maior com os centros de distribuição, e o WMS neles executado para dar precisão, para a entrega do produto em tempo real.  A ligação mais forte entre estes dois sistemas começou a mover os centros de distribuição de sua antiga posição no fim do processo para um patamar estratégico. Hoje, o movimento Omni-Channel está forçando uma imersão ainda mais profunda nas operações de distribuição com o processo de capturar/gerenciar/executar pedidos em tempo real.
 
Diante do contínuo avanço do paradigma Omni-Channel no varejo, os fornecedores de TI para empresas de outros setores se veem cada vez mais desafiados a contemplar também esse novo modelo de execução. Os distribuidores atacadistas exigem validação da disponibilidade em estoque em tempo real em todos os seus centros de distribuição, bem como a capacidade de transferir facilmente as mercadorias entre centros de distribuição, dividir pedidos entre centros de distribuição e concluir pedidos separados diretamente para o usuário final a partir daquele com localização mais próxima. Os fabricantes exigem que não só os produtos acabados estejam disponíveis para venda e entrega, mas também a matéria prima e as mercadorias em produção.
 
Com o Omni Channel, nunca foi tão importante entender o WMS, não apenas como uma ferramenta de otimização do processo de produtos acabados no fim da cadeia de suprimentos, mas sim como parte central de uma solução de execução mista, que abrange manufatura, orquestração de pedidos distribuídos, gestão de transporte e planejamento da cadeia de suprimentos.  Um WMS “no meio”.  


Eduardo Lopez – Vice-presidente sênior de Aplicativos da Oracle para a América Latina.

 

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