Cabotagem: um tema ainda desconhecido

29/09/2013

Por maior que esteja sendo o esforço dos armadores e de suas equipes comerciais e de marketing, cabotagem ainda é um tema pouco difundido.

O confronto com situações de frustração de vários anos passados ou mesmo o desconhecimento não são incomuns. Sabe-se que um exemplo negativo no passado dificulta um olhar mais positivo acerca do tema. Percebe-se mais e mais a necessidade de abrir novas fronteiras de distribuição de produtos nacionais e importados. E pelos custos, segurança e o apelo da redução de emissões, a cabotagem faz cada vez mais sentido para as longas distâncias.

No estudo elaborado para a FIESC e apresentado em junho passado ficou evidente o quanto a indústria catarinense ainda desconhece o modal. Provavelmente, o cenário não será tão distinto em outros estados brasileiros. O lado positivo é que há muita receptividade para conhecer mais e aderir ao uso deste modal mais econômico, seguro e amigo do meio ambiente.

Além disso, o investimento no aumento de capacidade tem sido relevante para pelo menos dois dos quatro operadores: a Aliança e a Log-In. A Aliança está substituindo navios menores e antigos pelos maiores navios em uso na cabotagem, com tamanho próximo dos 4.000 teus (equivalente a um contêiner de 20’). Somente em 2013, quatro embarcações do tipo têm sua operação confirmada. A Log-in, por sua vez, tem um ambicioso programa de investimentos em navios construídos em estaleiro brasileiro, de onde mais três porta-contêineres de 2.800 teus serão entregues até 2015. De 2013 a 2015, haverá uma injeção de capacidade adicional de 34% em embarcações usadas na cabotagem. Importante lembrar que esta capacidade adicional será usada na cabotagem, no feeder e também no tráfego entre o Brasil e os países do Mercosul.

O período do inverno de 2013 tem novamente trazido desafios, especialmente no porto de Santos, com atrasos, greves, esperas e acúmulos de cargas que impactam a regularidade das escalas dos serviços marítimos em Santos e, consequentemente, nos portos subsequentes de escala. Isso é verdade para as linhas internacionais e também para a cabotagem.

Enquanto o armador busca estabelecer e manter a operação financeiramente saudável, a solução para questões como a carga fracionada avançam muito lentamente. Seja através de operadores logísticos com operações pontuais ou a estruturação, pelo próprio armador, de uma solução para maiores volumes. De qualquer maneira, notam-se mais iniciativas e interesse pelo segmento. Embarcadores, que fazem a sua consolidação de cargas fracionadas, já têm a solução por meio de operação logística nas pontas, preferencialmente terceirizada.

Vale seguir no esforço de divulgação desse modal e buscar, de forma continuada, a solução para o embarque de cargas fracionadas.

Clara Rejane Scholles – especialista em logística e diretora da Pratical One. rosangela@inovacaoemercado.com.br
 

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