Há algum tempo vimos uma série de protestos feitos por caminhoneiros em várias partes do Brasil. Entre os motivos das manifestações estavam as transportadoras que atuam de maneira irregular. O assunto chamou atenção pela pertinência e por percebermos que os próprios motoristas estão sendo prejudicados com empresas que agem de forma ilegal e comprometem a logística de maneira geral.
O fato é que o Brasil experimenta um bom momento econômico, que permitiu o crescimento de vários setores. Isso fez com que houvesse a ampliação na oferta de cargas. E o que parecia ser uma “oportunidade de ouro” para caminhoneiros e candidatos a exercer esta profissão, se tornou um pesadelo para os contratantes. A falta de preparo dos profissionais, a documentação fora das normas e leis são alguns dos problemas mais comuns.
Boas transportadoras investem em frotas novas – de acordo com estudo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os caminhões velhos elevam os custos do frete, pois são mais poluidores do que os novos, provocam mais congestionamentos, quebram e exigem mais manutenção. Além disso, os veículos antigos são mais propícios a causar acidentes. Com tecnologia obsoleta, eles também são menos produtivos e consomem mais combustível do que os novos. Se o preço for muito menor que o de outras empresas, é para desconfiar.
Outro ponto crítico é o pagamento de fornecedores e funcionários. Se a transportadora contratada não o fizer, esta demanda pode recair sobre o contratante, que é corresponsável por isso.
Apesar de parecer simples, transportar exige algumas medidas fundamentais para que a transportadora se mantenha no mercado e tenha competitividade, conquiste novos clientes e possa crescer. Uma delas é o planejamento, que deve abranger todo o processo, desde a programação das paradas para manutenção, passando pelas planilhas de custos, estudo de viabilidade de negócios, gestão com constante busca de melhorias operacionais, boa estrutura de atendimento.
O mercado hoje é extremamente exigente e pede empresas que tenham recursos tecnológicos para gerar informação em tempo real, além de motoristas habilitados para transportar a sua carga. Neste caso destaco a importância de cursos de direção defensiva e direção econômica. Por isso, se “aventurar” neste negócio sem preparo e sem formação é inviável.
Às empresas que contratam transporte fica a sugestão de avaliar bem o seu fornecedor. Conhecer a transportadora e seus processos pode evitar muita dor de cabeça. Mesmo que os preços baixos pareçam tentadores, nem sempre a solução está aí, pois a segurança da sua carga e a garantia da entrega são muito mais importantes que alguns reais economizados.
Entendo que aos poucos o mercado caminha na direção da profissionalização do transporte, eliminando os maus prestadores. As exigências do setor pedem empresas bem estruturadas. A própria Lei do Motorista vai contribuir muito para esta profissionalização do setor. A permanência no mercado será daqueles que tiverem estrutura para dar conta das demandas.
Josana Teruchkin – Diretora Executiva da Transportadora Sulista








