A falta de armazéns abala competitividade da cadeia agroindustrial

23/06/2013

A insuficiência de armazéns é um problema crônico que se manifesta a cada nova safra agrícola no Brasil e em Santa Catarina. As informações sobre a rede de armazenagem em Santa Catarina são incompletas e desatualizadas. Estimativas indicam que a capacidade estática de armazenagem é 4 milhões de toneladas para uma produção de 6,5  milhões de grãos, gerando um déficit superior a 50% das necessidades.

Precisamos estimular concretamente a ampliação da rede de armazéns através de linhas específicas de crédito para construção, compra de equipamentos e reforma de unidades existentes, além de incentivar a armazenagem na propriedade.  Nesse aspecto, a OCESC reivindica a abertura de uma linha de crédito através do Pronaf, no Banco do Brasil e pelo sistema troca-troca do governo do Estado para a construção de armazéns dotados de silos-secadores. O único incentivo existente vem do governo do Estado que paga 50% das despesas com juros dos financiamentos.

Este é um investimento elevado cujo retorno é muito lento e os encargos financeiros são altos em face da sua natureza operativa. Apesar de sua importância para a política nacional de segurança alimentar, o negócio de grãos não produz retorno suficiente para pagar a construção de armazéns, razão pela qual se tornam necessários prazos longos (20 anos) e juros compatíveis (3% ao ano). Isso justifica a criação de linha especial de crédito e de mecanismos compensatórios de tarifas para incentivar o investimento de implantação de estruturas de armazenamento que permitam a formação de estoques reguladores das safras que o Estado produz.

A falta de armazéns se constitui em um problema estrutural com profundos reflexos no nível de renda dos produtores. Como os armazéns disponíveis são insuficientes para receber a produção anualmente colhida, uma das alternativas para amenizar essa dificuldade é a exportação dos produtos, especialmente o milho, para posterior importação (geralmente pagando-se mais caro), pois o Estado é grande consumidor de grãos.

Precisamos neutralizar urgentemente essa deficiência que destrói a competitividade da cadeia produtiva agroindustrial barriga-verde.

Marcos Antônio Zordan – Presidente da OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de SC)

 

Compartilhe:
Gestão de Fretes: Ciência e Resiliência — O novo e-book de Adriana Bueno
Guia Salarial 2027 da Michael Page: o paradoxo da inteligência artificial e os salários no setor de supply chain
Reality show de caminhoneiros “Master Driver Brasil” chega à final com mais de 135 milhões de visualizações
Hidrovias do Brasil lança 6ª edição do Programa Aceleraê com certificação inédita em Classificação de Grãos no Pará
Scania apresenta novas soluções para coleta de resíduos e flexibilidade de eixos na Fenatran 2026
Black Friday já movimenta logística internacional com previsão de 55 milhões de pacotes até dezembro

As mais lidas

01

Loja do Mecânico expande entrega expressa para produtos de médio e grande porte

02

CMA CGM e HappyRobot expandem solução global de inteligência artificial por voz para o setor logístico

03

Consórcio investe em novos berços para ampliar eficiência na movimentação de granéis líquidos no Porto de Santos