Inovar para empreender

18/02/2008

Os empreendedores inovam. Inovar faz parte do espírito empreendedor. A inovação, de fato, cria um recurso inexistente, até o momento em que o homem encontra um uso para alguma coisa qualquer da natureza, dando a ela também um valor econômico.

Enquanto isso não acontece, cada planta é uma erva qualquer, e cada mineral é apenas uma rocha.

São as novas percepções que modificam o que já existe, que dão um significado novo e importante ao que já era útil. Por exemplo, é o caso do ‘navio cargueiro’ que se transformou em ‘contêineres’ e praticamente quadruplicou a produtividade das embarcações e salvou a marinha mercante.

Como mostram os exemplos, a inovação não é, necessariamente, algo técnico. Ela não precisa ser uma "coisa-material". Poucas inovações técnicas podem competir, em tempos de impacto, com inovações sociais.

Um dos casos mais interessantes de inovação social e de sua importância pode ser visto no Japão moderno, que abriu suas portas para o mundo moderno em 1867 e desde então tem sido constantemente subestimado pelos ocidentais, apesar de suas vitórias triunfantes sobre a China, e depois sobre a Rússia, em 1894 e 1905; e apesar de Pearl Harbor.

O país tem mostrado um domínio seguro de estratégias empreendedoras.

Embora com extensa abrangência, a inovação é mais que um termo técnico, é também econômico e social, e por isso não podemos ainda elaborar uma teoria geral da inovação. Por enquanto, isso não é possível. Contudo, já sabemos o suficiente para dizer quando, onde e como se buscam sistematicamente oportunidades inovadoras, e como se avaliam as chances de seu sucesso ou os riscos de seu fracasso. Sabemos o bastante para desenvolver, embora, ainda em poucas linhas, a prática da inovação nos negócios.

Para os empreendedores bem-sucedidos, a prática da inovação está no trabalho. Isso porque eles não esperam até que tenham o insight para ter a "idéia brilhante". Não buscam a "sorte grande", a inovação que irá "revolucionar a indústria", criar um "negócio de bilhões", ou "tornar alguém rico da noite para o dia".

Já para empreendedores que começam com a idéia de que irão conseguir grandes realizações e fazer proezas rapidamente, o fracasso está assegurado. Eles estarão quase que destinados a fazer coisas erradas.

Uma inovação que parece sensacional pode resultar em nada mais do que um virtuosismo técnico; e inovações com modestas pretensões intelectuais, como o McDonald´s, por exemplo, podem resultar em negócios gigantescos, em empresas globais e lucrativas.

A maioria esmagadora das inovações bem-sucedidas explora a mudança. Por certo, existem inovações que em si constituem uma importante mudança, mas elas são exceções razoavelmente incomuns.

A maior parte das inovações que deram certo são mais prosaicas. Portanto, a disciplina de inovação (a base do conhecimento do empreendedorismo) é uma disciplina de diagnóstico: um exame sistemático das áreas de mudança que tipicamente oferecem oportunidades empreendedoras.

Luiz Fernando Garcia é consultor de empreendedorismo e negócios, e autor dos livros Pessoas de Resultado e Gente que Faz , da Editora Gente.

 

Fonte: www.dcomercio.com.br

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