Pernambuco tem números promissores

23/10/2009

Pernambuco foi uma das primeiras áreas brasileiras ocupadas pelos portugueses. No período colonial, tornou-se um grande produtor de açúcar e durante muitos anos foi res­pon­sá­vel por mais da metade das expor­tações brasileiras. No sé­culo XVII, os holandeses se estabelecem no Estado, e entre 1630 e 1654, Pernambuco foi administrado pela Companhia das Índias Oci­dentais. Um dos seus representantes, o príncipe João Maurício de Nassau, apresentou uma forma de administrar renovadora e tolerante. Realizou inúmeras obras de urbanização no Recife, ampliou a lavoura da cana e assegurou a liberdade de culto.

Com a República, Pernambuco procurou ampliar sua rede indus­trial, mas continuou marcado pela tradicional exploração do açúcar. O Estado modernizou suas relações trabalhistas e liderou movimentos para o desenvolvimento do Nordeste, como no momento da criação da Sudene. A partir de meados da década de 60, Pernambuco começou a re­estruturar sua economia, ampliando a rede rodoviária até o sertão e investindo em polos de investimento no interior. Na última década, consolidaram-se os setores de ponta da eco­no­mia pernambucana, sobretudo aqueles atrelados ao setor de serviços (turismo, informática, medicina) e estabeleceu-se uma tendência constante de modernização da administração pública.

Este resumo prepara o leitor para a entrevista que a Logweb publica nesta edição, com Wagner Augusto de Godoy Maciel, ge­ren­te geral de Articu­la­ção Empresarial e Institucional da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Fone: 81 3182.1736), gerente do Núcleo de Agrone­gó­cios e Derivados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e membro da Câmara Setorial da Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de Pernambuco.

Ele também é membro do Comitê Estadual de Qualificação Profissional, conselheiro do Con­se­lho Gestor da Agência Pernam­bucana de Meio Ambiente e Re­cursos Hídricos – CPRH, con­se­lheiro da Câmara Setorial do Leite do Estado e membro do Conselho Estadual de Aquicultura e Pesca.

Advogado, Maciel é gradua­do pela Universidade Católica de Pernambuco, especialista em Direito Público pela Escola Supe­rior de Magistratura de Pernam­buco, assessor jurídico do Fórum Nacional de Secretários de Agricultura e advogado Associado ao M. Oliveira & Mendes Bezerra Advogados Associados.

Logweb: Quais as ações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco para melhorar a logística no Estado?

Maciel: Objetivamente, temos duas ações concretas: a Transnordestina e a Plataforma Logística Multimodal de Salguei­ro. A primeira será fundamental para integrar e desenvolver a Região Nordeste, pois irá escoar toda a produção de grãos e minérios aos portos de Suape, em Recife, PE, e de Pecém, em Fortaleza, CE. Também servirá para transportar a produção do polo gesseiro do Sertão do Araripe, PE, e de frutas, vinhos e sucos do Vale do São Francisco, PE, entre outras. Já a Plataforma Logística Multimodal de Sal­gueiro tem como base o conceito de central de inteligência logís­ti­ca, combi­nando multimoda­lidade, telemá­tica e otimização de fretes.

Logweb: Qual a ­importância do Porto de Suape para a ­economia do Estado?

Maciel: Não se pode falar da economia pernambucana sem falar de Suape. O Complexo vem se tornando o maior polo de investimentos da atualidade, com US$ 13 bilhões sendo aplicados na implantação de 17 novas indústrias, enquanto que cerca de 100 já operam no lugar, movimentando 40% do PIB pernambucano. Graças a isso, o Brasil começa a enxergar nosso Estado com outros olhos. Recursos da ordem de R$ 1,2 bilhão estão sendo investidos na construção de cais, estradas e acessos, na reestruturação de píeres, na reforma do centro administrativo e na duplicação de rodovias internas. Os investimentos em infraestrutura ampliam a capacidade de Suape para receber novos empreendimentos e dão suporte às necessidades dos que já operam no Complexo. O Porto de Suape recebeu a nota mais alta entre os portos públi­cos brasileiros e a classificação de “Excelente” no diagnóstico realizado pelo Centro de Estudos em Logística – Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dentre os fatores que fizeram de Suape o melhor porto entre os públicos estão a loca­li­zação estratégica em relação às principais rotas marítimas de navegação, já que o porto fica a oito dias da costa europeia e da costa leste norte-americana; a agilidade no despacho cargas; a operação de navios nos 365 dias do ano, sem restrições de horá­rios de marés; os quatro berços internos, dois píeres de granéis líquidos com quatro terminais, um cais de múltiplos usos e uma tancagem flutuante de GLP. Sua profundidade de 15,5 m no porto interno e externo é um diferencial. Destaca-se ainda em Suape o 2° lugar em Gestão Ambiental em estudo da Antaq – Agência Nacional de Transportes Aquaviá­rios realizado em dezembro de 2007. Suape atendeu a 91% dos pré-requisitos estabelecidos pela Antaq. Profissionais qualificados e a existência de um núcleo ambiental atuante e especializado foram determinantes para sua excelente colocação. Desde sua concepção, há 30 anos, o Com­ple­xo de Suape foi planejado desti­nando cerca de 6.000 hectares à preservação ecológica e cultural, um total 45%
de sua área total.

O complexo emprega, hoje, 12 mil pessoas e, com a chegada dos novos empreendimentos, outras 10 mil vagas diretas serão geradas, enquanto que na cons­trução deles, 45 mil empregos temporários estão previstos. Em empregos indiretos, o número atinge a casa dos 150 mil postos de trabalho.

Logweb: Como Pernambuco tem se adequado à crise ­econômica mundial? Que ações têm sido tomadas para amenizar os problemas que ela tem causado?

Maciel: O Governo de Pernambuco tem enfrentado o período de turbulência econômica de forma bastante ativa, com a manutenção dos investimentos previstos, de R$ 1,3 bilhão, não obstante a queda da receita, além da consolidação de diver­sos projetos estruturadores para o Estado, a exemplo de obras pú­bli­cas e investimento privados em Suape, no polo farmaco­quí­mi­co de Goiânia e no interior. Acrescente-se a isso um conjunto de obras do PAC, como as da Transposição, a Transnordestina e a duplicação de rodovias estratégicas para o escoamento da produção local, como as BRs 101, 104 e 408. A despeito do cenário de crise, os números são bastante promissores. Enquanto que o mundo deve apresentar sinais de retração econômica, Pernambuco tende a apresentar um crescimento do PIB para este ano na ordem de 2,5%.

Logweb: Qual a ­importância dos polos gesseiro, de infor­má­ti­ca, petroquímico e têxtil para o desenvolvimento de Pernambuco?

Maciel: A importância é fundamental por diversos aspectos. Em primeiro lugar, esses polos di­ver­sificam a matriz econômica do Estado, com a geração de novos ativos. Por outro lado, fortalecem nossa reconhecida expertise téc­nica, acumulada em nossas uni­ver­sidades e centros de pes­qui­sa. Destaque-se, por oportuno, a co­mu­nicação existente entre os novos polos, o que é fantástico. O polo petroquímico, em construção no Porto de Suape, vai forta­le­cer e revigorar nosso polo têxtil. Ou seja, é a nova economia pernam­bu­cana dialogando com um setor tra­di­cional, que ressurgiu com bas­tan­te força nos últimos anos, mere­cen­­do atenção total do Governo de Pernambuco. O polo gesseiro, que responde por 95% da produção de gesso do país, destaca-se por ter o menor custo de produção global e será bastante fortalecido com a Ferrovia Transnordestina. Por se tratar de um polo regional, con­cen­trado na região do Araripe, diver­sos benefícios são verificados na região, como faculdades, centros tecnológicos e escolas técnicas, o que contribui para o seu desenvolvimento. Por sua vez, quanto ao polo de tecnologia da informação, é importante destacar os impactos desse setor na economia local. A participação do setor no PIB do Estado passou de 1,6% em 1999 para 3,6% no ano de 2005. Um desses projetos exitosos é o Porto Digital, conjunto de 103 empresas em operação no Bairro do Recife, que ocupa 40.000 m2, tem mais de 3,6 mil colaboradores diretos e uma taxa média de crescimento superior a 16% ao ano. O fatu­ra­men­to em 2006 foi de US$ 400 milhões. O Porto Digital tornou-se referência nacional de política pública de fomento à inovação e  ao fortalecimento de um setor produtivo de base tecnológica. Graças a ele, Pernambuco conseguiu atrair empresas líderes do mercado mundial, como Nokia, Samsung, Motorola, Microsoft, Dell e LG. Pernambuco possui 17 instituições de formação de informática em nível de graduação que estão aptas para desenvolver ferramentas para o setor.

Logweb: Qual o ­diferencial logístico de Pernambuco?

Maciel: Constituído como uma das principais portas de entrada e saída do país do fluxo de mercadorias desde o período colonial, Pernambuco fez da sua posição geográfica um atrativo para a logística de distribuição nacional. Isso se traduz não só como um fator de competitivi­dade para as diversas cadeias produtivas que aqui funcionam, como também numa oportunidade de negócio autônomo para prestação de serviços em toda a Região Nordeste. Pernambuco possui pelo menos 550 empresas de transporte de cargas registradas. Graças aos incentivos fiscais específicos para o setor, através do Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe), o Estado tornou-se ainda mais atraente para este setor e conta hoje com mais de 125 centrais de distribuição instaladas, a maioria no Grande Recife.

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