Logística 4.0: o produto tem que “chegar na alma” do consumidor

25/08/2021

*Por Antonio Carlos Brito

A pandemia impactou a economia de forma heterogênea. Enquanto vários setores sofreram perdas, o e-commerce brilhou. Uma pesquisa realizada pela Neotrust, mostra que o segmento continua em um ritmo de crescimento no Brasil. O levantamento indica que foram realizadas 78,5 milhões de compras online no primeiro trimestre de 2021, representando um aumento de 57,4% em comparação ao mesmo período de 2020. Em termos de receitas, o comércio eletrônico registrou um faturamento de R$ 35,2 bilhões entre janeiro e março de 2021, aumento de 72,2% na comparação com o ano passado.

A necessidade do isolamento social como medida para evitar o contágio do novo coronavírus promoveu uma procura ainda maior pelas compras virtuais. Mas essa não é a única explicação para o crescimento dessa modalidade de compra.

Os consumidores têm buscado atendimento personalizado, instantâneo, previsível, livre de obstáculos e claro, que tudo seja “bom, bonito e barato”. Eles querem entregas no mesmo dia e em poucas horas. É natural que seja assim para quem está habituado a ler e receber filmes com apenas um clique. Aliás, esse comportamento foi identificado pelos bastiões do comércio eletrônico brasileiro. Não à toa, temos visto uma corrida no mercado para ver quem é o melhor na estratégia “entrego no mesmo dia e sem custo”.

Essa mudança de hábito dos clientes vem obrigando as empresas a se reinventarem, a fim de garantir um nível maior de eficiência do e-commerce, assegurando assim, a satisfação do usuário. Mais do que colocar o produto na vitrine (mesmo que no ambiente virtual), as companhias precisam criar meios para que o produto chegue até a alma do consumidor. Para atingir esse objetivo, as organizações podem seguir os princípios presentes na Logística 4.0, fazendo da tecnologia o centro das suas estratégias de negócios para otimizar os processos logísticos: rede, capacidade analítica e inteligência artificial, integração, IoT, gêmeos digitais, entre outras.

Maior agilidade e eficiência operacional

Dentre os principais objetivos de implementar os conceitos de Logística 4.0, posso destacar o uso de big data para análise e predição de demanda e IoT para rastreamento de cargas dentro e fora dos armazéns, do momento que a mercadoria deixa o fornecedor até o instante em que o produto chega na mão do consumidor.

A gestão dos armazéns é um ponto crítico do processo logístico e graças à tecnologia, os gestores agora podem ser mais ágeis na execução das suas tarefas. Por exemplo, eles podem usar leitores de RFID para identificar, contar ou separar produtos. Podem também fazer uso de Digital Twin (conceito que consiste na representação virtual de um objeto, produto ou processo) para realizar simulações de armazenamento nas dependências da empresa, no embarque e despacho, além de cenários de entregas para as transportadoras.

De olho da logística reversa

Quem, nessa pandemia, não recebeu um produto errado ou com defeito em casa? Com recomendação para que a população não saia de casa, trocar um produto que não agradou se tornou um desafio extra para clientes e empresas. Neste contexto, a cadeia logística adaptou-se para receber itens de volta.

Enquanto a logística possibilita que produtos e mercadorias sejam enviados aos consumidores em qualquer parte do mundo, a logística reversa faz o caminho inverso: leva da casa do consumidor ao centro de distribuição aquele produto que não corresponda com a aquisição, ou que tivesse sofrido avaria no transporte, ou ainda, que o consumidor não queira mais. Os centros de distribuição, por sua vez, também precisam de reformulação e o primeiro passo é ceder espaço para centros menores e mais próximos aos consumidores, promovendo entregas mais ágeis, feitas por entregadores a pé, em bicicleta, motocicleta ou por veículos menores (VUCs) e integrados com a estratégia de logística reversa para coletar produtos e objetos.

Por fim, não é uma jornada simples. Há obstáculos nesse caminho, mas a evolução está sendo construída. O digital e o físico convergem no novo Varejo. A tríade processo-organização-sistemas é o ponto de partida. A tecnologia embarcada na Logística 4.0 habilitará um novo e mais elevado nível de eficiência, produtividade e serviço para atender as mutantes demandas dos clientes inseridos neste novo Varejo.

*Antonio Carlos Brito é Sr. Principal, Digital & Value Engineering Latam na Infor

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