Cabotagem: um futuro promissor, atuando com os mais variados tipos de carga e embarcadores

05/04/2017

Fatores como sustentabilidade, otimização de custos para distâncias acima de cerca de 1.000 km, menos manuseio da carga e menores riscos de roubos e avarias da carga garantem o futuro deste modal. Isto está sendo provado neste momento de crise.

Em um país com mais de 7.400 km de litoral e 80% da população vivendo a 200 km da costa, é natural que o modal marítimo tenha um papel preeminente na cadeia logística. Muitas empresas que achavam que a cabotagem era um modelo inacessível descobriram na crise que o modal é competitivo e aderente a todos os tipos e tamanhos de negócios.

“Só em 2016 conquistamos mais de 120 clientes de pequeno e médio portes. A tendência é que mais empresas descubram as vantagens da cabotagem e ampliem a utilização do serviço.” Assim, Marcus Voloch, gerente geral de Mercosul e Cabotagem da Aliança Navegação e Logística (Fone: 11 5185.3100), fala sobre o futuro da cabotagem no Brasil.

Ricardo Caruí, diretor do produto Marítimo da DHL Global Forwarding (Fone: 11 5042.5500), também usa a mudança do cenário econômico para falar que a cabotagem vem se consolidando como uma alternativa competitiva para o transporte nacional de cargas.

Isso porque, diz Caruí, apresenta custos mais interessantes e maior segurança frente ao modal rodoviário, por exemplo. “Essa modalidade vem sendo aplicada, especialmente, na movimentação de cargas de polos industriais, como o de Manaus, AM, para centros consumidores e distribuidores, como São Paulo. A reanálise dos modais de uma cadeia de suprimentos se intensificou devido ao cenário econômico atual e, quando feito com planejamento, critério e processos sólidos, pode proporcionar ganhos de escala e eficiência. A cabotagem continuará crescendo significativamente nos próximos anos, proporcionando o desafogamento da concentração do transporte rodoviário para distâncias mais longas e representando uma alternativa mais eficaz à otimização das cadeias de suprimentos dos clientes”, profetiza o diretor do produto Marítimo da DHL Global Forwarding.

Ele é complementado por Marco Aurélio Dias, diretor comercial da Frette Logística & Multimodal (Fone: 11 3051.7088), para quem, em um cenário de redução de custos, busca de eficiência e rentabilidade, a cabotagem é um dos melhores modelos de transporte e logística para os próximos anos.

“A cabotagem, aos poucos, vem ganhando destaque nos terminais brasileiros. No Tecon Salvador, os números cresceram 3,7% em 2016, em relação a igual período de 2015. Já no Tecon Rio Grande, o crescimento foi de 9,7% no mesmo período. O cenário econômico atual faz com que as empresas busquem continuamente eficiência em custos e melhor produtividade. A cabotagem é uma ótima resposta a essa necessidade. É o que temos visto com o crescimento de movimentação de segmentos não tradicionais na cabotagem”, explanam, agora, Demir Lourenço Júnior, diretor executivo do Tecon Salvador, e Paulo Bertinetti, diretor presidente do Tecon Rio Grande, ambos administrados pelo Grupo Wilson Sons (Fone: 21 3504.4222).

“Sem dúvida nenhuma, o futuro da cabotagem é ser o principal modal na matriz de transportes. Porém, a estruturação dos serviços que este modal pode oferecer será fundamental para garantir um futuro que todos os participantes deste mercado esperam”, acrescenta Adilson Gomes dos Santos, CEO do Grupo TGA (Fone: 11 3464.8181).

Marcio Arany, diretor comercial da Log-In Logística Intermodal (Fone: 21 2111.6500), também acredita que a cabotagem é um segmento que vai continuar em expansão e o maior potencial de crescimento está em ser uma opção segura, eficiente, sustentável e economicamente vantajosa.

“Embora o volume da cabotagem venha crescendo, o modal ainda tem baixa representatividade na matriz de transporte brasileira, cerca de 9,6%, o que evidencia seu grande potencial. E se considerarmos que existe, hoje, cerca de 6,5 contêineres transportados pelo modal rodoviário que tem perfeita aderência à navegação, fica evidente a margem de crescimento”, revela Arany.

Outro ponto é a conscientização dos clientes em relação às vantagens e facilidades da cabotagem. “Aqui, a Log-In realiza um forte trabalho, via encontros por todo o Brasil com potenciais clientes e ferramentas como o Espaço do Cliente, no nosso site – área dedicada aos clientes e interessados em entender melhor os procedimentos para o transporte via cabotagem.”

Juarez Moraes e Silva, diretor superintendente e comercial do TCP – Terminal de Contêineres de Paranaguá (Fone: 41 2152.5999), aponta que o futuro que se espera da cabotagem no Brasil é o aumento do volume de cargas transportadas, a redução da burocracia, aumento na oferta do serviço (novos armadores) e a conscientização das empresas em relação à redução de poluentes utilizando o modal.

Segundo ele, a cabotagem é uma alternativa viável e promissora quando pensamos a extensão da costa brasileira. Além de ligar as principais cidades brasileiras, o modal oferece vantagens se comparado ao modal rodoviário, já que é uma opção ecologicamente correta e mais segura.

Muito a ser feito
Mas, a despeito destas previsões otimistas, muito ainda precisa ser feito para incrementar o uso da cabotagem.

Voloch, da Aliança Navegação e Logística, diz ser preciso desmistificar a ideia de que a cabotagem é um modal apenas para grandes empresas. “A nossa ideia é justamente mostrar como o serviço é simples e oferece uma série de vantagens, permitindo mais competitividade para algumas empresas que sequer imaginavam levar seus produtos a localidades distantes e com preço competitivo.”

Lourenço Júnior, do Tecon Salvador, também fala que, além do sempre exposto, que é a redução nas barreiras/burocracias e do elevado custo, como por exemplo, do bunker (que não possui incentivo como o diesel), é necessário quebrar a barreira cultural. A cabotagem precisa entrar na rotina das áreas de logística das empresas e deixar de ser vista como uma operação a ser estudada/desvendada. Buscar novas alternativas logísticas e confiar em modalidades distintas de transporte trará mais segurança e eficiência à cadeia.

Por seu lado, Caruí, da DHL Global Forwarding, alega que melhorar a infraestrutura portuária e promover simplificações tributárias, certamente, poderia ajudar este setor. Além disso, o crescimento de políticas de sustentabilidade pode impactar positivamente a cabotagem, uma vez que esse modal emite menos gases de efeito estufa que os outros, como o rodoviário e ferroviário.

A lista de necessidades para o incremento do setor feita por Dias, da Frette Logística & Multimodal, é maior. E envolve: maior apoio governamental, fazendo uma isonomia da legislação quanto à navegação de longo curso com a cabotagem; maior frequência de navios, reduzindo os intervalos de saída; apoio mais intensivo aos agentes de cargas, com melhores negociações de tarifas; divulgação e treinamento para os embarcadores, do quesito planejamento e programação. “A maior parte de origem dos profissionais de transporte e logística das indústrias é do rodoviário, a ‘cabeça’ ainda é rodoviarista, que faz um telefonema e daqui a um ou dois dias a carreta encosta para carregar e já segue viagem ao destino. A cabotagem não é assim, há necessidade de maior programação, de melhor planejamento, para redução de frustração de prazos de entrega”, explica o diretor comercial da Frette Logística & Multimodal.

Por sua vez, Santos, do Grupo TGA, alega que o aumento do uso da cabotagem passa por diversos aspectos. “Mas podemos ressaltar, entre os principais, a modernização dos portos – isto tem ocorrido de maneira efetiva a partir da privatização de vários terminais ao longo da costa –, o aumento da oferta de espaço nos navios – hoje apenas três armadores operam na cabotagem e, embora consigam atender à demanda, este cenário mudará a partir do momento em que novos usuários começarem a usar este modal.”

Estima-se que para cada contêiner embarcado hoje na cabotagem, existam seis caminhões nas estradas, ou seja, o tamanho do mercado é enorme. “Apenas considerando as cargas fracionadas, que hoje têm uma participação ínfima na cabotagem, se migrarem para este modal, simplesmente duplicariam o movimento de contêineres dos armadores”, continua o CEO do Grupo TGA.

Ele também reforça que, principal concorrente da cabotagem, o rodoviário, no segmento da carga fracionada, domina este mercado há mais de 70 anos. E a cabotagem tem aí o desafio de reproduzir a estrutura que o rodoviário desenvolveu neste período e, principalmente, quebrar uma tradição do mercado na utilização do tradicional modal. “Falamos aqui das cargas consolidadas, que é o segmento com maior potencial de crescimento na cabotagem.”

Santos prossegue: a concentração em poucos armadores das operações da cabotagem é preocupante, na medida em que restrições à participação de agentes de cargas e transportadores de outros modais podem ser implantadas para “garantir o mercado” dos armadores. O incremento da cabotagem passa, necessariamente, pela estruturação de um serviço eficiente na primeira e última milha – coleta e distribuição –, instalações para consolidação (origem) e desconsolidação (destino).

“O incentivo por parte do Governo Federal é um fator que pode incrementar o uso da cabotagem e que, também, impede o crescimento das operações por meio deste modal. Hoje, os portos estão aparelhados para operar em alto nível, com ganhos de eficiência e competitividade, com padrão internacional, porém são pouco utilizados no fluxo interno brasileiro”, aponta Silva, do TCP.

E ele continua: a cabotagem tem uma oneração de custos que o longo curso não tem, o que acaba tornando a operação dentro da costa brasileira mais cara. Uma operação de Curitiba para a região Norte do país, por exemplo, custa dez vezes mais que a operação para a Ásia. Isso se deve, principalmente, ao preço do combustível utilizado pelos navios – que é onerado com tributos agressivos –, e também à mão de obra. Em um serviço marítimo, esses custos impactam em mais de 2/3 dos custos.

Além disso – continua o diretor superintendente e comercial do TCP –, existe a reserva de mercado que privilegia um setor em detrimento de outro: é necessário ter bandeira brasileira para operar. Liberar o mercado e aumentar o número de ofertas seriam soluções para incrementar o uso da cabotagem no Brasil, tornando o modal uma prioridade de Estado, e não de governo.

“Outro ponto seria a entrada de mais competidores nesse mercado. Atualmente existem apenas três. Quando comparamos com o longo curso, o grau de competição acaba reduzindo custos de frete, além de aumentar a qualidade, número de escalas semanais e criatividade dos armadores por novos produtos. Com um número maior de players, o modal seria ainda mais atrativo”, completa Silva.

Vantagens
Já que foi feita uma comparação da cabotagem com os outros modais, quais seriam as vantagens desta sobre estes outros modais?

Voloch, da Aliança Navegação e Logística, diz que, em comparação com o transporte rodoviário de longa distância, a cabotagem apresenta diversas vantagens: sustentabilidade: a cada semana, a Cabotagem Aliança elimina cerca de 2500 viagens de caminhão nas estradas brasileiras, reduzindo consideravelmente a emissão de gases causadores do efeito estufa; efeito ‘Social’: ao invés de um caminhão – e seus motoristas – efetuarem um transporte por vários dias e milhares de quilômetros, a cabotagem requer dois transportes curtos, entre a fábrica do embarcador e o porto mais próximo e, no destino, entre o porto de descarga e o recebedor. Com isso, evita-se o deslocamento por longas distâncias e longos períodos de tempo, fazendo com que os motoristas possam passar mais tempo perto de suas famílias e o caminhão faça mais viagens, porém mais curtas; economia: o transporte por cabotagem é cerca de 15% mais econômico do que o transporte rodoviário para médias e longas distâncias; segurança: praticamente inexistem roubos de carga no transporte por cabotagem. Além dessa vantagem, a incidência de avarias é substancialmente menor do que o transporte terrestre.

Na lista de vantagens apresentada pelo diretor superintendente e comercial do TCP também está o fato de a cabotagem ser um modal mais barato que o rodoviário – chegando a até 40%, em alguns casos –, apresentando um número inferior de avarias por quantidade de carga transportada e índice de roubo (piratas) nulo. Além disso, continua Silva, a opção do transporte marítimo retira da estrada um número grande de caminhões, diminuindo a poluição e a emissão de gás carbônico, além de reduzir a possibilidade de acidentes.

“Os modais são complementares, o importante é a diversificação. A cabotagem traz maior segurança para as cargas e menor incidência de avarias de trajeto. Com a cabotagem, podemos atingir novos mercados e ter custos mais competitivos na cadeia”, completa Bertinetti, do Tecon Rio Grande.

Arany, da Log-In Logística Intermodal, também destaca que o modal possibilita um maior alcance de entregas para que o cliente possa levar seus produtos para lugares ainda mais distantes de forma eficiente, segura e competitiva – “ela permite otimização de custos para distâncias acima de cerca de 1.000 km”.

Além das vantagens já citadas, Santos, do Grupo TGA, aponta outra do serviço consolidado com o uso de cabotagem: o seguro cai para menos a metade. Enquanto o cálculo de seguros para a carga rodoviária gira em torno dos 1,2%, no modal marítimo não passa de 0,35% do valor da carga.

“Mas, a principal vantagem está na segurança do modal e na capacidade de embarques de grandes volumes de contêineres em um único navio, compensando a menor frequência comparada com o modal rodoviário”, completa o CEO do Grupo TGA.

2017: maiores usuários e desafios
Quanto a este ano de 2017, são dois os tópicos colocados: quais os setores que mais deverão usar a cabotagem e os fatores que podem influenciar, positiva ou negativamente, o desempenho da cabotagem.

Primeiramente, vamos ver o que os representantes do segmento que participam desta matéria especial falam sobre os setores que mais deverão usar a cabotagem. E por quê.

Voloch, da Aliança Navegação e Logística, lembra que, em 2016, os setores que mais cresceram foram os de alimentos, químicos e resinas, produtos de limpeza, papelaria, embalagens e material de construção. A tendência é que os clientes desses segmentos ampliem a utilização do modal marítimo, com base na experiência que tiveram anteriormente.

Caruí, da DHL Global Forwarding, diz que a base atual de clientes da empresa que trabalham com cabotagem está concentrada nos segmentos automotivo e de eletroeletrônicos, embora estejam observando uma demanda crescente nos segmentos de bens de consumo e supermercadista.

Santos, do Grupo TGA, lembra que a cabotagem é um modal ideal para transportar produtos de maior valor agregado, embora hoje se transporte mais commodities de baixo valor agregado. Mas, praticamente, todo e qualquer tipo de produto pode ser transportado por cabotagem. “Podemos destacar para este ano, principalmente, os segmentos de eletroeletrônico, além de setores que necessitem de serviço de distribuição no last mile, como o alimentício, cosméticos e até farmacêuticos”, completa.

Silva, do TCP, é mais específico e diz que, no fluxo Sul-Norte, seria o mercado de commodities, por exemplo: milho, feijão, arroz, carne, celulose, etc. No fluxo Norte-Sul, os eletrônicos produzidos na zona franca de Manaus.

“Acredito que não se trata de uma questão de segmentação, mas sim de posicionamento geográfico. Quanto mais distante o destino, mais competitiva é a cabotagem”, aponta Arany, da Log-In Logística Intermodal.

De acordo com o movimento que o Grupo Wilson Sons teve ao longo de 2016, Lourenço Júnior e Bertinetti acreditam que o setor de cargas de projeto para a construção de parques eólicos e solares no país vá representar uma boa parcela do modal. Outras cargas que se destacaram em 2016 e que devem seguir em alta são os produtos de varejo, além de bebidas, alimentos, químicos e petroquímicos.

Agora, vamos ver quais fatores, ainda em 2017, podem influenciar, positiva ou negativamente, o desempenho da cabotagem.

Voloch, da Aliança Navegação e Logística, acredita que haja uma retomada da economia esse ano, o que acaba estimulando o setor de serviços, inclusive da cabotagem. A atual crise acabou gerando novas oportunidades, com as empresas procurando otimizar suas cadeias logísticas e a migração de volumes para a cabotagem acabou ocorrendo de forma natural.

“Feitas as contas, estamos otimistas quanto ao fato de as empresas continuarem esse movimento de migração”, comemora o gerente geral de Mercosul e Cabotagem da Aliança Navegação e Logística.

Pelo mesmo caminho vai a análise de Caruí, da DHL Global Forwarding, para quem a melhora do ambiente macroeconômico, associada à demanda de maior eficiência, pode aumentar o volume de carga transportada via cabotagem, impulsionando este modal como um todo. “Entendemos que há uma predisposição maior dos clientes em considerar o modal cabotagem em suas malhas de transporte e distribuição, devido à necessidade de tirar mais valor dos processos logísticos. Esse movimento tem aquecido o setor e incentivado um desenho mais preciso das cadeias logísticas, crescendo, assim, o papel do Operador Logístico enquanto especialista e consultor no segmento.”

Arany, da Log-In Logística Intermodal, diz que a situação econômica atual criou um cenário onde as empresas estão mais receptivas a buscar novas soluções logísticas. Isso inclui fazer testes com outros modais, como a cabotagem, que pode se tornar uma alternativa ao custo do frete rodoviário, por exemplo. “Identificamos que muitas empresas estão migrando o transporte parcial ou total de suas mercadorias do modal rodoviário para a cabotagem. No ano passado, o interesse de empresas de diversos setores se manteve: entre cinco a dez clientes fizeram testes com a cabotagem toda semana. Já em 2015, entre novas rotas e clientes, a Log-In registrou 600 operações. Nossos principais clientes estão nos segmentos de eletroeletrônicos, alimentos, bebidas, químicos e petroquímicos”, comenta Arany.

O diretor comercial da Frette Logística & Multimodal divide os fatores em positivos e negativos. De positivo seria uma melhor negociação entre armadores e agentes de cargas – mantendo a rentabilidade para o armador em termos de tarifas, e deixando o agente de carga fazer a gestão de atendimento ao cliente. De negativo seria a permanência da recessão, o que faz a redução dos estoques e aumenta o giro. A cabotagem não tem condição de atender a mercados com alto giro, isso trará mais dificuldades para o setor, alerta Dias.

Pelo seu lado, Silva, do TCP, aponta como fatores positivos o fato de o modal ser competitivo em relação aos custos, se comparado ao modal rodoviário. “Exemplo disso é o feijão trazido por importadores do Paraná e Santa Catarina que chega ao nordeste brasileiro, por cabotagem, com custos logísticos reduzidos em até 40%. O feijão que chega ao Brasil pelo Porto de Paranaguá tem origem na Argentina e na China e como destino os portos de Suape, Fortaleza, Manaus e Salvador.”

Como fator negativo, o diretor superintendente e comercial do TCP diz que, hoje, 80% do transporte interestadual é realizado por rodovia – apesar de não ter uma boa infraestrutura para isso. A falta de políticas públicas de incentivo para o uso da cabotagem é ainda um fator negativo.

“Um fator que pode influenciar significativamente será como se comportará o mercado com a aquisição da Hamburg Sud pela Maersk. Como ficará a cabotagem? Como ficarão a Mercosul Line e a Aliança Navegação, que são os operadores da cabotagem desses dois armadores? Acredito que esse é o principal fator que vai influenciar o desempenho da cabotagem”, registra Santos, do Grupo TGA.

“No Tecon Salvador, um dos fatores a influenciar o desempenho da cabotagem é que a continuidade de um ambiente economicamente negativo, com recessão, também prejudica a cabotagem. Sentimos em 2016 uma redução nas trocas com o porto de Manaus e uma redução significativa na movimentação de produtos de cobre para Santa Catarina. Torcemos muito por uma rápida recuperação do ambiente econômico”, diz Lourenço Júnior, do Tecon Salvador.

Locar: um serviço diferenciado
“Nosso modal é diferenciado e voltado para a indústria de óleo e gás e em cabotagem realizamos transporte de peças e equipamentos indivisíveis de grande porte e peso.”

Assim Ricardo Alves, diretor da área marítima da Locar Guindastes e Transportes Intermodais (Fone: 0800 770.0618), define a atuação da empresa.

Ele complementa dizendo que a Locar é uma prestadora de serviços voltada para a realização de projetos e transportes especiais na área de óleo e energia.

“Nossa frota marítima é composta por 38 embarcações, como balsas de carga de grande porte, balsas-guindastes, balsa para lançamento de dutos submarinos em águas rasas e rebocadores .Contamos ainda com uma divisão de engenharia adequada para as nossas necessidades de projeto. Com essa estrutura realizamos obras importantes e transportes especiais apresentando uma solução verticalizada para os nossos clientes”, diz Alves.

Ele conclui afirmando que a cabotagem no Brasil tem tudo para dar certo, porém precisa de uma atuação eficaz no futuro, no sentido de redução de tarifas e impostos para se tornar uma alternativa competitiva.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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