Notícias - Revista Logweb Ed. 92

A tecnologia robótica a favor dos processos logísticos

20 de Outubro de 2009

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Em constante evolução, a tecnologia proporciona cada vez mais facilidades a diversos processos, como paletização, encaixotamento, empilhamento, manuseio de produtos e outros.

Características fundamentais de uma célula de paletização robotizada

- precisão de centésimos de milímetro na determinação de ponto de colocação da carga paletizada;
- velocidade constante de produção de cargas paletizadas;
- trabalho em turnos de 7 dias por semana, 24 horas por dia, com baixo custo operacional e de manutenção;
- monopolização de operadores (um operador pode atender a duas ou mais células de paletização robotizadas);
- eliminação de mão obra braçal;
- recuperação do investimento (pay-back) variando de curto a médio prazo (um a três anos, de forma geral).

Focos desta matéria especial, os robôs paletiza­dores são máquinas que garantem rapidez e precisão na finalização do processo de uma linha de produção. “Justamente onde promovem um fluxo de mercadorias paletizadas cons­tan­te e ágil, tanto para armazenar quanto para despachar em caminhões ou contêi­neres”, explica Márcio Cagnon, gerente de projetos da Filling & Pack Palletizing (Fone: 11 4419.5820).

De acordo com ele, os robôs substituem as paletizadoras universais cartesianas, apresentando vantagens como melhor desempenho e menor utilização de espaço físico na planta.

No geral, os representantes das empresas entrevistadas acreditam que a tendência é o aumento do uso da tecnologia para processos logísticos. Afinal, de acordo com Enzo Squillaro, representante da Elettric 80 na América Latina (Fone: 19 8182.4700), o Brasil ainda é muito carente destas tecnolo­gias, principalmente para linhas de alta capacidade de produção. E, agora, com o cenário econô­mico melhorando, a aposta do setor é maior ainda.

Para Milton Bonnano, da área de desenvolvimento de novos produtos da Sunnyvale (Fone: 11 3048.0147), o inves­ti­mento na automação da área de paletização se paga em curto tempo. O valor aplicado inicial­mente pode ser maior ou menor, conforme as características da linha de ensaque e paletização. “A crise pode eventualmente retardar algumas decisões, mas acreditamos que a disposição para resolver os problemas desta área através da auto­ma­ção veio para ficar”, opina.

Segundo Nestor Omar Dieguez, gerente comercial da SEE Sistemas (Fone: 11 3623.6568), com a melhora do cenário econômico, as empresas acabam buscando soluções para seus processos logísticos, sendo os robôs a melhor opção em grande parte dos casos. “Além de flexíveis, eles demandam pouca manutenção, o que reduz o tempo de máquina parada, refletindo em aumento de produtividade”, expõe.

Cagnon, da Filling & Pack Palletizing, justifica a tendência do uso destes equipamentos baseado em sua experiência. Ele já trabalhou ofertando proje­tos para grandes corpo­ra­ções, como Nestlé, Coca-Cola e Danone, e pequenas indústrias de sucos e bebidas. Todas colocaram a tecnologia de paletização robotizada em suas unidades. Algumas adiaram para um ou dois anos, mas mantêm os projetos vivos para que se concretizem, apenas se adequando ao melhor momento econômico. “Utilizar esta tecnologia é incorporar no dia a dia da empresa a mesma necessidade de se utilizar a WEB, Sistemas de Produtividade e Melhoria Contínua ou TI. Robô paletizador é um equipamento necessário”.

Na opinião de Edman Souza Gajardoni, engenheiro de Aplicação da Magnoflux (Fone: 18 3642.3899), e de Marcos Vidigal da Silveira, diretor da Pavax (Fone: 11 4789.9100), as dificuldades ergonômicas com relação aos funcionários são um ponto importante para o uso cada vez mais frequente da automação. “Em muitos casos, a economia de mão de obra somente não é sufi­ciente para justificar o inves­timento”, complementa Silveira.

Acompanhe, a seguir, os modelos de robôs paletizadores oferecidos por algumas empresas do setor.

Elettric 80

Na Elettric 80, todos os robôs são produzidos com tecnologia Fanuc (motores e transmissões), na Itália, e podem ser eventualmente providos, onde seja possível, de braços robotizados da mesma marca. “Os robôs de paletização demonstraram ser muito mais flexíveis em relação aos sistemas tradicionais. Tal flexibilidade, unida a uma elevada confiabilidade e a reduzidas despesas de manutenção, motivou a Elettric 80 a se concentrar exclusivamente nos robôs de paletização”, conta Squillaro.

Um dos principais robôs disponíveis é o Eagle 50 mono­li­nha, para baixas e médias velo­ci­­dades, com capacidade de cargas até 120 kg e velocidade até 10 ciclos/minuto. Outro destaque é o robô com portal multilinha, com duas versões de diversas alturas: uma com braço fixo e outra com braço telescópico. Possui capacidade de carga até 150 kg e é adaptável às dimensões do palete em comprimento, largura e altura. Sua velocidade varia conforme o número das estações de paletização.

Já o robô Condor oferece elevadas prestações, em termos de velocidade e capacidade. Ele também pode ser utilizado numa linha única com alta velocidade ou até quatro linhas que manipulam vários produtos ao mesmo tempo, a média velocidade. Cobre uma área de trabalho de 360° e pode ser utilizado para o ingresso de caixas, slip sheet e paletes para a saída do produto paletizado. É disponível em três modelos, com capacidades de 160, 300 e 450 kg, com, respec­ti­vamente, velocidades de 13, 10 e 7 ciclos/minuto.

Por fim, o robô serie Dragon foi concebido para linhas de alta velocidade (mais de 120 caixas/minuto), principalmente no segmento de papéis. A sua função é preparar as cabeças de pega (fileiras múltiplas ou camadas completas) para o robô de paletização situado no meio da linha produção. Sua velocidade é de até 20-25 ciclos/minuto, para cada cabeça de apanha, e a capacidade de carga em velo­ci­dade máxima é de 20 kg de produto.

Squillaro diz que os robôs paletizadores são mais indicados para os setores alimentício, de bebidas, papel, farmacêutico, etc. E, entre as suas vantagens estão: altas velocidades, elevada capacidade de carga, grande versatilidade na criação do layout e no dimensiona­mento, produto final extremamente confiável, fácil interface homem/máquina e reduzidas despesas de manutenção.

Filling & Pack

A Filling & Pack Palletizing oferece ao mercado os robôs Fanuc, em modelos paletiza­do­res para cargas unitárias de 160, 300 e 450 kg. “De uma forma generalizada, um único robô atende basicamente a 1.000 ciclos/hora. Claro que cada projeto tem suas particularidades, como tempo para se inserir um palete na linha de paletização, tempo para se colocar separa­dores de camadas (slip sheet) e o próprio tempo para se tomar o produto e adequá-lo ao empilha­mento de mercadoria, com seus mosaicos de amarração de carga”, explica Cagnon.

Em sua operação, os robôs precisam da integração de sistemas automatizados de chegada de produtos para que os tomem de forma adequada, sem danificá-los, e realizem sua movimentação obedecendo aos limites de inércia no deslocamento. No processo também são necessários esteiras transportadoras, pulmão de acumulação, grades de proteção da zona de trabalho, controladora de acesso de pessoas por sensores de luz e cabeçote tomador de produto adequado a cada produto. Os robôs trabalham movimentan­do produtos através de sistemas de vácuo com ventosas ou garras mecânicas pneumáticas.

Hoje, eles são largamente utilizados por indústrias que utilizam caixas de papelão para acondicionamento de produtos alimentícios (latoarias, cartuchos, saches), sacarias (argamassa, cimento, tintas em pó, açúcar, produtos químicos, granulados e rações) ou fardos em polietileno termoencolhível para garrafas PET ou latas (refrigerantes, energéticos, vinhos, bebidas em geral, produtos de limpeza e cosméticos).

De acordo com Cagnon, é possível se ter uma central de paletização totalmente automa­tizada, em que os robôs movi­men­tam produtos e os pale­ti­zam. Depois, seguem para uma envolvedora de paletes de alta velocidade, onde se aplica o filme stretch, e vão para seu destino interno ou externo, diretamente para o cliente.

Os principais fornecedores mundiais de robôs são Japão, Alemanha e Suécia. Para o profissional, a adaptação da tecnologia ao mercado brasileiro é uma questão financeira, já que as empresas pioneiras que iniciaram a utilização do robô paletizador foram as grandes multinacionais que já utilizavam o sistema em seus países-sede e os produtos são parecidos: caixas de papelão, sacarias e fardos. “O mercado brasileiro industrial acompanha, de certa forma, as últimas tendências tecnológicas de logística, produção e armazenamento mundiais de ponta, logicamente adaptadas aos níveis de investimento local”, expõe.

Magnoflux

Para paletização automatizada, a Magnoflux oferece os robôs de quatro eixos em três modelos: com capacidade de carga de 40 kg e velocidade de 1 ciclo de 4,5 s; com capacidade de carga de 100 kg e velocidade de 1 ciclo de 5,5 s; e com capacidade de carga de 160 kg e velocidade de 1 ciclo de 6,5 s. Todos os acionamentos são por servomotores.

Estes robôs, explica Gajardoni, realizam paletização de caixas, sacos, fardos, baldes, etc.; colocação de produtos em caixas; alimentação e retirada de peças de máquinas. São mais indicados para indústrias alimentícias, devido à baixíssima manutenção e à ausência de transmissões mecânicas ou pontos de lubrificação expostos.

Como vantagem logística dos robôs, o engenheiro de Aplicação da Magnoflux cita a organização de paletes no final da linha, que os deixam prontos para expedição e seguros na hora do transporte.

“Os robôs são genuinamente nacionais, os softwares de programação e operação são todos em português”, destaca Gajardoni.

Sidel

O robô Kombi é uma solução da Sidel (Fone: 11 4668.7015) que oferece maior flexibilidade nas formações das camadas dos paletes. Ele pode ser aplicado para paletização e despaleti­za­ção, encaixotamento e desencaixota­mento, distribuição/empilhamento de paletes vazios e operações gerais de manuseio de produtos. De acordo com Paulo Bordini, account manager da empresa, o robô oferece uma flexibilidade extrema para o acondicionamento secundário, com ajuste rápido para acomodar diferentes tipos e formatos de embalagens, tendo o curto tempo de setup e o baixo custo de manutenção como principais vantagens.

Bordini explica que o braço do robô é comprado da Fanuc, e a “testa”, da Sidel italiana. Todos os outros periféricos, como transportadores, painéis elétricos, estru­tu­ras, etc., são fabricados no Brasil.

O profissional garante que sua operação é simples. “Porém, por se tratar de um equipamento de última geração, o treinamento é necessário para poder extrair ao máximo os recursos da máquina e, ao mesmo tempo, garantir maior longevidade dela”, diz.

Sunnyvale

A Sunnyvale oferece o robô modelo EC-201, o mais rápido entre os quatro modelos da linha da Fuji Robotics. “O equipamento foi concebido e construído exclusivamente para paletização, o que otimiza a velocidade do processo e diminui custos operacionais, como consumo de energia e manutenção”, expõe Bonnano.

Ele garante que o EC-201 elimina problemas ergonômicos com os operadores, muito comuns na área de paletização e que geram afastamentos e até disputas legais. “Também trabalha três turnos por dia, sem intervalos, aumentando a produti­vidade no setor, além de formar paletes perfeitos, garantindo boa estabilidade e boas condições para embalagem e trans­por­te do mesmo”, diz. E, ainda, pode operar em ambientes agressivos para os operadores, como câmeras frias em frigo­ríficos, am­bien­tes com partículas em suspensão, etc.

O modelo, com capacidade para 1.600 ciclos/hora e carga de até 200 kg, foi criado principalmente para paletizar sacos, caixas e fardos em todos os tipos de indústria que utilizam estas embalagens em seus produtos. A Fuji, empresa japonesa que conta com mais de 9.000 robôs instalados em todo o mundo, também detém experiência em robôs para outros tipos de embalagem, como latões, bobinas de papel, etc. Sua linha de robôs começa com o EC-61, para 600 ciclos/hora e 100 kg de carga.

Por sua vez, a Sunnyvale oferece a solução integrada, incluindo a base do robô customizada para a linha de transporte do cliente, a esteira de paletização, a cerca de segurança para a área de movimentação do robô e outros itens para automação completa da linha.

SEE Sistemas

A SEE Sistemas integra diversas marcas, como ABB, Fanuc, Kuka e Moto Mam, entre outros, que possuem robôs capazes de paletizar até 4 paletes simul­ta­neamente, com capacidade de carga até 500 kg e para paletes de até 2,4 m de altura. Os que suportam 180 kg e 250 kg têm alcance de 3,15 m, o de 340 kg, de 2,8 m, e os de 400 kg e 500 kg, de 2,55 m.

Segundo Dieguez, uma grande vantagem no uso de robôs é a economia de espaço. “Os robôs de paleti­za­ção são equipamentos flexíveis, podendo mani­­pu­lar caixas, sacos, fardos, bandejas, etc. Além dos produtos, os robôs podem manipular os paletes vazios, eliminando a ­necessidade de magazines”, explica. O profissional conta que o controlador armazena os programas que coordenam os movimentos do robô. A programação pode ser feita através de um PC ou dire­ta­mente na interface de operação do robô. “A interface de operação dos robôs foi adaptada ao mercado brasi­leiro, ofere­cendo o português como opção de idioma”.

Dieguez salienta que os robôs de pa­le­­­tização são utilizados nos mais diver­sos setores, como alimentos, bebidas, químico e farmacêutico. “A troca de embalagens e formatos de produtos em indústrias de bens de consumo é um requisito fundamental e os robôs são ideais para essa situação. A flexibilidade de um robô permite a fácil inserção de novos produtos e, também, reduz o tempo de troca entre eles, aumen­tando a produtividade dos clientes”, conta.

Pavax

A Pavax trabalha com robôs de braço articulado da Fuji Robotics, do Japão, e com robôs cartesianos da Priority One, dos EUA. A Fuji tem diversos modelos com capacidade para até 1.800 ciclos/hora e um raio de ação de até 1.400 mm. Já o da Priority One pode fazer até 8 “600” pegadas por hora, tem um raio de ação linear de até 8 m, em um sistema simples, e 12 m, em um duplo.

Silveira explica que o robô de braço articulado monta paletes simultaneamente em uma área circular, e o cartesiano, em linha. Além de paletizar, os robôs apresentados podem colocar o palete vazio e folhas separadoras, caso necessário. São indicados para aplicações que exijam a formação de paletes simultâneos e que não tenham uma velocidade muito alta. Os principais setores que os utilizam são: indústrias de alimentação, química, farmacêutica, gráfica e agroindústria.

Ulma

A Ulma (Fone: 11 3711.5940) oferece soluções de paletização automáticas e semiautomáticas, dependendo das necessidades dos clientes. “Em primeiro lugar, estudamos e analisamos a melhor solução possível e quantificamos os fluxos que o cliente quer conseguir, os pesos e as dimensões da carga a manipular e oferecemos a solução que mais se adéque à sua necessidade”, afirma Marcos Passarelli, diretor de operações da empresa.

Ainda segundo ele, independentemente da opção de paletização que se ofereça, é importante considerar sua integração dentro do sistema produtivo e de distribuição da empresa. “Um robô de paletização não pode ser visto como um equipamento isolado, já que interage com armazéns automáticos, códigos de barras, despaletizadores, etc. Na Ulma consideramos necessária sua integração tanto com as linhas de aprovisionamento, como com as linhas de distribuição de uma empresa”, destaca Passarelli.

Sobre as vantagens de uso dos robôs, ele diz que envolvem redução de riscos para o operador, redução de danos à carga, minimização dos retornos, melhor aproveitamento do palete e do transporte e incremento da flexibilidade e da velocidade da linha.

“Não se deve esquecer-se de outro ponto importante: a qualidade de empilhamento e unitização da carga, condições necessárias quando os paletes são movimentados em armazéns automáticos ou AGVs, onde a irregularidade da carga pode ocasionar numerosos e custosos problemas”, completa o diretor de operações.

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