Entrevistas

Figueiredo e os desafios na Gollog

14 de Julho de 2010

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O profissional conta que o principal desafio é fazer com que a empresa alcance, em um período de dois anos, uma participação acima de 30% no segmento de transporte aéreo de cargas. E relaciona as estratégias e investimentos para alcançar este objetivo.


Graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em MBA Executivo em Finanças e MBA em Gestão Empresarial, além de concluído o MBA em Marketing e Liderança pela Kellogg Scholl of Management, em Chicago, nos Estados Unidos, Carlos Figueiredo, que já ocupou posições de liderança em empresas como Brahma, Shell e Whirpool, assumiu recentemente o cargo de diretor da Gollog (Fone: 0300.1012001), divisão de transporte de cargas da Gol Linhas Aéreas.

Com mais de 20 anos de vivência nos mercados de logística, transporte, suprimentos, finanças e vendas, o executivo de 43 anos, nascido em Salvador, BA, chega com o objetivo de consolidar a Gollog no mercado nacional de cargas, reforçando os principais conceitos da empresa, que em 2009 adotou uma postura agressiva no mercado de encomendas expressas, com o lançamento de serviços como Voo Certo, Gollog Express, Gollog Dez Horas e Gollog Doc.

De acordo com Figueiredo, estes serviços foram desenvolvidos para satisfazer a crescente demanda do mercado de cargas expressas, com entregas porta a porta, prazos definidos e serviços opcionais diferenciados, como a atualização ativa do status da entrega por meio de mensagens SMS e embalagens de proteção contra água, entre outros.

Logweb: Qual o cenário com o qual você se deparou ao assumir o cargo de diretor da Gollog?

Figueiredo: O melhor cenário possível e estou bastante confiante. O transporte aéreo de cargas está diretamente ligado ao crescimento econômico do país. Diferentemente do primeiro quadrimestre de 2009, o setor tem apresentado um crescimento muito forte, e nós da Gollog estamos apresentando uma taxa de crescimento de 30%, o que nos faz ganhar uma boa representa-tividade. Em 2009, transportamos 57,7 mil toneladas.

Logweb: Quais são as suas prioridades na função?

Figueiredo: Minha prioridade é levar a companhia ao crescimento, já que temos uma base para isto. Esta missão requer inteligência para diferenciar as práticas da empresa, com uma nova leitura do mercado e alternativas ainda não experimentadas pela aviação. Atualmente nós temos uma rede composta por duas unidades próprias (Congonhas e Guarulhos), 80 unidades franqueadas espalhadas pelo país, atendemos a cerca de 1.200 municípios e contamos com um portfólio de produtos e serviços que nos possibilitam o crescimento. O cenário macroeconômico é extremamente positivo e favorável ao crescimento. Então, eu digo que sou um privilegiado por estar assumindo a direção da Gollog nesta conjuntura nacional, aliada com o foco da companhia e nossa estratégia de crescimento.

Logweb: E os principais desafios, no seu ponto de vista?

Figueiredo: Hoje temos capacidade de transporte nos porões de nossas aeronaves e o nosso principal desafio é fazer com que nossa participação no segmento de transporte de cargas, que é de aproximadamente 20%, se aproxime da participação no segmento de transporte de passageiros, que atualmente, no mercado doméstico, é de 40,69%. Para isto, estamos trabalhando com um universo de dois anos, embora quando falamos em transporte de cargas é preciso lembrar que há muitos players no mercado. Enquanto no segmento de passageiros há duas companhias dominantes e mais outras duas ou três empresas, no mercado de cargas há empresas aéreas cujo principal negócio é o transporte de cargas, o que faz com que a liderança neste mercado seja diferente da liderança no segmento de passageiros. Desta forma, eu diria que 35% de market share em transporte de cargas equivale a cerca de 42% de participação no mercado de passageiros. Então, este é o número que esperamos conseguir em um período de dois anos: uma participação acima de 30% no segmento de transporte aéreo de cargas.

Logweb: Quais serão as estratégias e investimentos para alcançar estes números?

Figueiredo: Buscamos realizar investimentos, principalmente na área de Tecnologia da Informação, que hoje é um dos fatores críticos para Operadores Logísticos. Nós oferecemos algumas facilidades que são extremamente importantes, como a emissão eletrônica do Conhecimento de Frete via Internet, o que gera acessibilidade e flexibilidade ao nosso embarcador, que pode acessar o nosso sistema e fazer o acompanhamento dos fretes em qualquer lugar onde tenha acesso à Internet. Estamos investindo, também, na troca eletrônica de informações, que torna o processo de embarque mais ágil, menos sujeito a interferência humana e, consequentemente, aos erros, e faz com que o acompanhamento do status da carga seja mais efetivo.

Além disso, investiremos bastante em infraestrutura. Neste ano, vamos inaugurar um novo terminal de cargas em Congonhas, em São Paulo, e iniciar as operações no novo terminal no Aeroporto de Guarulhos. Ainda, aproveitando o grande crescimento do Nordeste do país, vamos investir na modernização dos três principais aeroportos da região (Salvador, BA, Recife, PE, e Fortaleza, CE).


Sem falar que estamos investindo na ampliação de nossa rede de franqueados. Só neste ano, já abrimos 10 novas unidades franqueadas e, até o final de 2010, queremos totalizar 120 unidades, fazendo com que nossa capilaridade aumente dos atuais 1.200 para 1.800 municípios atendidos em todo o Brasil.

Logweb:
Este plano de expansão está voltado especificamente para alguma região do país?

Figueiredo: A Gollog está presente em todas as regiões do Brasil, mas o nosso plano de expansão das unidades franqueadas está muito voltado para a Região Sudeste, onde há grande movimentação de cargas, e para a Região Nordeste, devido ao grande crescimento que vem ocorrendo por lá. Mas é importante salientar que temos atuação em todas as regiões.

Logweb: Em termos de operação logística, o que irá mudar com a inauguração das novas unidades?

Figueiredo: A unidade de Congonhas, por exemplo, vai possibilitar o acesso direto à pista do aeroporto, o que vai nos proporcionar maior agilidade nos embarques e menor custo de operação, porque não precisaremos transferir as mercadorias da loja atual para o aeroporto, fazendo com que tenhamos um crescimento de 15% nos embarques a partir do novo terminal.

Logweb: Quanto será investido na expansão? Os investimentos ficam a cargo de quem?

Figueiredo: O investimento nas novas unidades é feito pelos parceiros franqueados. O valor investido depende de uma série de fatores, como tamanho da loja, localização, faturamento estimado, etc. Então nós não temos como projetar quanto será investido ao longo da expansão das unidades.

Logweb: A empresa tem enfrentado alguma dificuldade no processo de expansão?

Figueiredo: Nenhuma dificuldade. Para se ter ideia, temos um banco de dados com 2.000 candidatos a franqueados da Gollog. A atratividade da nossa franquia, do negócio atrelado à marca Gol é bastante grande. Portanto, não temos enfrentado nenhuma dificuldade e tomamos as decisões de acordo com a estratégia que foi traçada.

Logweb: Quantos veículos (aviões e caminhões) fazem parte da operação da Gollog?

Figueiredo: Atualmente, nossa frota operacional conta com 108 aeronaves da família Boing-737 e 360 veículos que fazem as operações terrestres, dos quais 28 são próprios e os demais, dos franqueados. Dispomos de uma plataforma logística integrada com a maior malha aérea da América Latina, com cerca de 860 voos diários.

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